01/10/2026
Eu cheguei em Nova York com uma mala, o coração acelerado e aquela sensação estranha de estar longe de tudo o que Ê familiar. Eu achava que sabia o que me esperava: um monte de prÊdios, frio, cafÊs charmosos e gente que não olha nos olhos. Tudo muito filme.
Na primeira manhĂŁ, fui direto a um cafĂŠ no West Village e fiz amizade com um gr**go. Conversa daqui, riso dali, quando ele me pergunta, quase sem pensar:â¨âMas vocĂŞ ĂŠ do Rio?â
Confirmei, e aĂ veio o convite que mudou a viagem:â¨âHoje tem Baile De Favela no Lower East Side, vamos? Começa Ă s 5 da tarde.â
Antes que eu pudesse processar, jå estava num Uber atravessando Manhattan, com a cabeça imaginando o grave do funk antes mesmo de chegar no rolê.
A porta abriu e eu vi tudo: uma fila grande, gente do mundo inteiro, bandeira do Brasil, looks, brilho, pele suada. Quando entrei, o som fazia o chĂŁo vibrar, como se tivesse vida prĂłpria.
Fechei os olhos por um segundo e sorri. Aquilo eu conhecia. Dancei sem pedir licença, cantei letras que moravam em mim desde sempre, abracei desconhecidos que pareciam amigos de infância. Ali, no meio de Nova York, eu era só uma menina carioca no meio de uma festa brasileira enorme.
Quando saĂ, sem voz, suada, feliz, o cĂŠu jĂĄ estava escuro, mas ainda eram 10 da noite. Pensei em como explicaria aquela tarde incrĂvel pra alguĂŠm. Ri sozinha.
Tem coisa que nĂŁo se explica.â¨Se vive.