21/06/2026
CLASSE DE REPRESENTAÇÃO GARANTE LUGAR NA GYMNAESTRADA MUNDIAL
A Classe de Representação apresentou no passado dia 14 de junho, em Espinho, na Festa Nacional da Ginástica, o Bloco "Saudade" para a Gymnaestrada Mundial que decorrerá em Lisboa, em julho de 2027.
Em 1961, a vila de Vouzela desperta envolta na serenidade dos gestos simples do quotidiano: o trabalho nos campos, as conversas à porta de casa, as crianças que correm livres pelas ruas. Tudo parece seguir o seu curso natural até que a notícia da Guerra do Ultramar irrompe como uma sombra inesperada, quebrando a harmonia dos dias. De um momento para o outro, os jovens homens partem, deixando para trás esposas de olhar perdido e filhos demasiado novos para compreender a dimensão daquela ausência. É neste silêncio que cresce a saudade — uma saudade funda, quase palpável, que se instala no coração de um filho que vê o pai partir sem saber quando o voltará a abraçar.
Os dias passam mais devagar. As mães carregam a força de dois, escondendo a dor enquanto os filhos brincam, mas já sem a leveza de outrora. As gargalhadas tornam-se raras, substituídas por olhares vagos e perguntas sem resposta. A ausência do pai pesa em cada gesto, em cada momento partilhado que ficou por viver. Um dia, chega uma carta. É do pai. As palavras, escritas com esperança, atravessam a distância e aquecem o coração do filho: promete voltar, pede-lhe coragem, ensina-o a acreditar. Mas, ao mesmo tempo que consola, a carta reacende a saudade — torna-a mais viva, mais intensa, como se o amor se tornasse ainda maior na distância.
O tempo arrasta-se até que, finalmente, surge o sinal tão esperado: uma pomba branca corta os céus, trazendo consigo a notícia do fim da guerra. A esperança transforma-se em certeza, e o regresso ganha forma. Os caminhos enchem-se de expectativa, os corações batem mais forte. E então, entre lágrimas e sorrisos, o pai regressa, vivo e saudável. O reencontro em Vouzela é feito de abraços apertados, de risos libertados e de uma alegria que devolve cor à vila. A saudade, que antes era dor e ausência, transforma-se agora em memória — lembrança de um tempo difícil que só reforçou laços de amor que nunca se quebraram.