21/09/2026
Não foi um grande jogo, mas foi um jogo grande. Não foi um jogo tecnicamente bem jogado, longe disso, mas foi um clássico, com a tensão e agitação dos grandes momentos.
Os treinadores não reservaram surpresas, ambos mantiveram-se fiéis ao que têm vindo a apresentar ao longo da temporada. Marco Silva apostou em Sudakov em vez de Schjelderup, mantendo Prestianni à esquerda. Francesco Farioli apostou no onze já expectável, com Martim Fernandes como lateral esquerdo e Froholdt de regresso à titularidade.
O Benf**a começou melhor. A primeira meia-hora foi encarnada. Mais domínio, melhor circulação da bola, mais volume de jogo. Duas excelentes oportunidades poderiam ter feito o Benf**a abrir o marcador nesse período.
Mas eis que Pepê, num passe soberbo, isolou Gabri Veiga, que em esforço bateu Samuel Soares. É caso para dizer: que grande definição de Pepê! E estava dado o primeiro choque emocional no desafio.
Logo a seguir, numa completa infantilidade de Lenglet, o Benf**a ficou reduzido a dez jogadores, e o FC Porto geriu o jogo até ao intervalo.
Na segunda parte, apesar da inferioridade numérica, o Benf**a voltou a entrar melhor. Com bola, a atacar, à procura do empate. Que foi conseguido numa belíssima abertura de Prestianni para Bah. Na minha opinião, não é admissível que o FC Porto, com mais um jogador, adopte uma postura tão passiva durante vários minutos.
Mas o FC Porto teve a sorte e o engenho de responder quase de imediato. E o golo de Froholdt, numa excelente jogada colectiva, trouxe novamente a vantagem e a tranquilidade aos portistas.
A partir daí o FC Porto foi dono e senhor do jogo, mantendo a bola, pressionando alto e não voltando à postura expectante que havia permitido o empate ao adversário. O terceiro golo chegou e o Benf**a morreu animicamente. E também fisicamente, muito à conta da inferioridade numérica.
Marco Silva fez o que costuma fazer e esteve bem. Onze contra onze a sua equipa foi superior no jogo e a jogar com dez era difícil pedir mais.
Francesco Farioli também foi igual a si próprio. Obcecado pelo controlo, sem probema em baixar linhas e sempre à procura dos gatilhos certos para acelerar em ataques mecanizados de curta duração.
O futebol de Farioli não é o mais bonito e criativo do mundo. Nem sequer o mais dominador. O FC Porto teve 45% de posse de bola, mesmo a jogar uma hora com mais um. No entanto, a equipa está trabalhada até ao mais ínfimo detalhe. Além de ter um espírito colectivo e uma mentalidade ganhadora que mais nenhuma outra equipa tem em Portugal.
O treinador italiano tem o seu modelo. E está operacionalizado e interiorizado pelos jogadores de tal forma que não deixa dúvidas a ninguém. Desde que aterrou no Porto, são 35 vitórias em 41 jogos para o campeonato, e apenas 2 derrotas. E a jogar como ele quer, da forma que ele idealizou. Vai-se criticar o quê? O homem não preconiza um jogo brilhante para quem vê. Mas tem resultados brilhantes da forma que escolheu, tendo todos (todos!) os jogadores com ele. É um líder! Agora tem um rival à sua altura. Mas Marco Silva precisa de mais tempo, maior estabilidade e uma estrutura que o ajude a lutar contra uma máquina já melhor trabalhada.
Do ponto de vista individual, no FC Porto, Pepê fez um jogaço, ao seu melhor nível, e o seu melhor nível é muito elevado no contexto de futebol português. Pablo Rosário encheu o meio-campo. André Silva fez um jogo completo, com duas assistências. Froholdt esteve igual a si próprio na disponibilidade, embora nem sempre clarividente com bola e com alguns problemas na recepção da mesma. Os centrais foram o costume. Diogo Costa transmitiu a confiança habitual, fazendo uma defesa que valeu um golo a remate de Pavlidis. Gabri Veiga esteve bem até sair. Hwang entrou muito bem no jogo. Pela negativa, William Gomes a atacar (a defender foi incansável) definiu quase sempre mal e Martim Fernandes esteve bastante abaixo dos colegas. Alberto Costa também se exibiu um tanto precipitado.
Do lado benfiquista, houve um jogo 11 x 11 e depois outro 11 x 10. Em igualdade numérica, praticamente todos estiveram em excelente nível, com particular foco nos laterais e em Pavlidis. Após a expulsão, Bah, Pavlidis e sobretudo Prestianni tentaram remar contra a maré. Por outro lado, Palhinha dá dimensão física ao miolo encarnado mas retira a capacidade de passe e visão de jogo que Barrenechea conferia. O experiente Lenglet teve uma atitude de principiante, prejudicando a equipa de modo decisivo.
O FC Porto reforçou a sua liderança no campeonato, dispondo agora de 5 pontos de vantagem sobre o Benf**a e 6 sobre o Sporting. Ainda falta muito campeonato, mas o FC Porto mantém a cadência impressionante já proveniente da época passada. Não vai ser fácil alcançar os pupilos de Farioli.