18/06/2026
"Num jogo como o de hoje, em que estava difícil chegar à área, é importante usar a qualidade do Cristiano. Não faz sentido tirar o melhor goleador da história do futebol num jogo em que precisamos de golos. A experiência dele na área é importante, a maneira como arrasta os defesas... Todos os jogadores têm o seu papel no campo e, quando pensamos em golos, precisamos de ter o Cristiano em campo."
Foi esta a argumentação estapafúrdia de Roberto Martínez quando lhe perguntaram se pensou em substituir Cristiano Ronaldo. Um chorrilho de disparates que podia ser substituído por algo muito mais simples:
"Eu sou um banana, não tenho tomates para tirar o Ronaldo num jogo empatado, porque ele vai f**ar zangado comigo e eu não quero problemas com ele."
Além disso, se a história e o estatuto se sobrepõem ao rendimento actual, talvez não fosse má ideia chamar o Pauleta. É o segundo melhor marcador de sempre da selecção e ainda só tem 53 anos. Pena que já não dá para ir buscar o Eusébio à campa, senão então é que era um trio de goleadores de respeito. Ó Martínez, deixa de nos passar um atestado de atrasados mentais. Analisa o jogo como ele é e arranja outra argumentação que essa é simplesmente ridícula! História é história, presente é presente.
Para os que vêm aqui dizer que ainda vamos ter muitas saudades dele quando se reformar, que raio de conversa da treta! O que é que isso interessa para a discussão? Ele é o melhor jogador português de sempre e um dos melhores a nível mundial. Claro que vamos todos sentir muito a sua falta. Mas é daquele grande Ronaldo decisivo, que carregava a equipa às costas; não deste Ronaldo inconsequente, que se arrasta pelo campo. Tenham discernimento para ver a realidade. O pior cego é o que não quer ver.
Para os que dizem que a bola não chegou a Ronaldo, ai chegou chegou! Na segunda parte, Francisco Conceição serviu-o duas vezes. Na primeira, atrapalhou-se todo e retirou uma oportunidade clara a Bruno Fernandes que aparecia nas costas. Um jogador mais inteligente, com melhor visão de jogo e sem aquela sofreguidão de querer marcar, teria simplesmente deixado a bola passar. Na segunda, mandou a bola para fora. Acontece, mas não digam que a bola não lhe chegou. Chegou sim. A questão é que ele mesmo nas acções de finalização já não é o mesmo, não tem a mesma velocidade a atacar a bola, nem tem a mesma destreza corporal para executar o gesto na perfeição como acontecia antes.
Diz-se que a selecção foi pouco dinâmica colectivamente e isso prejudicou Ronaldo. Certo. Mas então e ele não tem de potenciar essa dinâmica e dar-se ao jogo?
As movimentações do 9 são muito importantes para abrir espaços numa organização defensiva cerrada. O que fez Ronaldo a esse nível? Zero!
Passou o jogo praticamente sem se mexer e quando o fazia eram movimentos sem nexo de excessiva aproximação ao portador da bola, quase a obrigá-lo a passar-lhe a bola. Passes de um metro servem para quê?
Portugal fez vários cruzamentos e teve vários cantos a favor. Ronaldo não ganhou uma bola de cabeça, outrora um ponto fortíssimo no seu jogo.
O Congo deu imenso espaço nas costas da linha defensiva. Ronaldo não fez um único movimento de ruptura na profundidade, porque já não tem velocidade ou explosão para isso.
Ronaldo não baixa no terreno de modo inteligente para dar apoios frontais aos médios e ajudar na procura de espaços.
Ronaldo já não é capaz de fazer um drible ou tirar alguém da frente no 1x1.
Ronaldo não participa no processo defensivo, não condiciona a construção adversária, não acompanha os colegas na transição. Os congoleses saíram a jogar várias vezes sem oposição. Mas isso já não é novidade.
Ronaldo foi o único em sub-rendimento? Claro que não. Já referi isso num post anterior. O único que tentou fazer algo diferente e agitar o marasmo foi Francisco Conceição quando entrou.
Mas estiveram em jogo. Bem ou mal, participaram no jogo. Ronaldo esteve completamente ausente, tocou 24 vezes na bola no jogo todo, segundo li. O jogo não lhe chegou? Mas ele procurou dar-se ao jogo?
A presença de Ronaldo na frente prejudica a dinâmica dos colegas à sua volta. Porque Ronaldo praticamente já não existe. Pode marcar o seu golinho aqui e ali, mas colectivamente é um zero total.
A verdade pode doer, mas precisa de ser dita.