15/09/2026
A proeza do luso-francês Patrick Videira no Le Mans FC é de enaltecer múltiplas vezes e ali, na terra de uma das mais fabulosas corridas de automóveis do mundo, as 24 Heures du Mans, mostra-se que nomes são somente nomes e os obscuros jogadores também se podem afirmar ao mais alto nivel.
Existe um enorme preconceito para com os futebolistas de escalões inferiores, formados em academias sem nome, sempre pelo receio de que não se afirmem, de que cedam à pressão, sempre uma visão temerosa, sem considerar que a sua fome é tão maior pela falta de oportunidades que, provavelmente, até vingarão mais rapidamente, como se tem visto com tantos 'Vardy' desta vida.
Há duas temporadas o antigo jogador flaviense treinava na National 2, ou seja, no quarto escalão gaulês, e os jogadores que defrontaram o Racing club de Lens nesta ronda estavam:
Hatfout, Yohou, Voyer, Gueye, Calodar, no mesmo clube, o , mas na National 1, ou seja, no terceiro escalão, Vercruysse era rival na terceira, alinhava no USBCO - Club de Football de Boulogne sur mer, Bamba no Usc Concarneau, Bretelle no US Orléans Loiret Football, todos na terceira divisão piramidal gaulesa.
Mafouta estava no Amiens SC Football, na Ligue 2, Bourabaa estava na equipa B do ESTAC Troyes, no quarto escalão, Boissé alinhava nos juniores da casa.
Como se pode facilmente observar, é possível ascender com os mesmos nomes, a qualidade verifica-se no campo e não numa visão teórica, cujos dados empíricos até acabam por contradizer.
Há tanto para além do óbvio, tal como se achar - quando se ouvem os lautos da matéria nos nossos canais televisivos - que cada baixa implica obrigatoriamente uma nova contratação, um novo dispéndio de capital, particularmente quando se tem várias equipas de apoio e de formação e Portugal não gera assim tanto capital para esse tipo de despesas.
Olhe-se para o Le Mans e analise-se a sua evolução recente! Muito do sucesso de cada jogador é, tantas vezes, associado à relação e à visão da equipa técnica, tudo está engajado e acaba por se negligenciar também isso ao se avaliar e analisar cada futebolista como uma ilha isolada e não como uma peça de uma engrenagem e de um contexto, competitivo, técnico-tático, interrelacional, adaptativo, tantas métricas que necessitam de ser consideradas.