A origem do Juventude Azeitonense remonta ao ano de 1951 quando alguns jovens ligados à igreja paroquial de S. Lourenço, em Vila Nogueira de Azeitão, grupo da catequese, resolveram criar uma actividade para ocupação dos tempos livres, formando um grupo desportivo. Esse grupo era enquadrado pelo primo do Reverendo Padre Agostinho Gomes (responsável na altura, pela paróquia de Azeitão) o Sr. Padre J
oão Gonçalves, que estaria por estas terras, de passagem. Como a sua formação vinha dos Salesianos, logo se pensou na formação de uma equipa de hóquei em patins, sendo esse o embrião da colectividade. A esse grupo de jovens foi dado o nome de “grupo das três e vinte”, hora do exacto momento em que no salão contíguo à igreja de S. Lourenço, no primeiro andar, e local de catequese, a ideia passou a definitiva. A designação do clube saiu da votação entre os rapazes e das várias hipóteses surgidas, a proposta do jovem António Augusto Nogueira Sousa foi a escolhida. E assim nasceu o JUVENTUDE AZEITONENSE. A ideia foi-se desenvolvendo, estabelecendo-se um grande momento para o arranque da primeira pedra, em local apropriado. Secundando esta ideia, D. Sofia D’ Avillez colocou à disposição dos rapazes o terreno (local actual) para a implantação da sede e do campo desportivo. Muito esforço, dedicação e trabalho estavam para vir, desde o arrancar de ervas, até ao transporte de terras e pedras, mas tudo se foi fazendo com o entusiasmo e o querer dos jovens e alguns adultos de então, enquadrados pela generosidade do Reverendo Padre Agostinho Gomes. Foi-se assim construindo o campo desportivo e já com um aspecto mais airoso e desportivo, depois de tratada a documentação oficial, estatutos, regulamentos e instalações, foi inaugurado o campo desportivo de Santa Sofia em 1 de Outubro de 1953 – data oficial do Juventude Azeitonense. Foi com certeza um momento de imenso prazer para todos aqueles rapazes que um dia tiveram uma ideia e acabaram por ver a sua concretização. Quer para as presentes quer para as gerações vindouras, a lembrança desta juventude deve ser um talismã para que nos momentos difíceis haja forças para prosseguir,
A primeira equipa a realizar jogos oficiais saiu ao terreno no ano de 1958, para disputar o campeonato de Juniores. No Juventude Azeitonense, sempre se investiu nas equipas seniores de hóquei em patins e para além do aspecto desportivo é de realçar o facto de na época 1968/1969 ter brilhantemente alcançado a primeira divisão nacional. Seria no dizer de alguns, “a equipa que arrasta mais gente para assistir a jogos de hóquei em patins”. A estes rapazes cheios de alegria se deve o bom nome alcançado pelo Juventude Azeitonense, quer pelo respeito que incutiram nos adversários, quer pelas vitórias que alcançaram nos campeonatos Distritais da Associação de Patinagem de Setúbal, nos escalões de Iniciados, Juvenis e Juniores. Depois de algumas fases conturbadas do clube, nas décadas de 60 e de 70, começou-se a pensar nos mais novos e em finais da década de 80 as camadas jovens tiveram um maior realce, altura em que muitos atletas oriundos da nossa região passaram pelo clube, investiu-se nas escolas de aprendizagem para que houvesse maior afluxo de atletas a fim de se poder ascender aos escalões superiores conforme a idade avançava, sem prescindir dos escalões etários mais baixos. Em meados dos anos 90, por dificuldades financeiras, a Direcção do clube eliminou mesmo o escalão sénior, mas apostou forte nas camadas jovens, formando em 1993, em colaboração com a Câmara Municipal de Setúbal, as escolas de hóquei com iniciação à patinagem, chegando a contar com cerca de duzentos alunos a partir dos quatro anos de idade, a cargo de dois professores. A criação da escola de Patinagem deu também origem à Patinagem Artística, modalidade praticada essencialmente por jovens do s**o feminino com excelentes classificações em confronto com outros clubes e que somou ao longo dos anos vários prémios na realização de provas oficiais para te**es e classificações nacionais, efectuando várias deslocações para demonstrações tanto a nível regional como a nível nacional. Para além da modalidade que deu origem ao clube, o hóquei em patins e da patinagem artística, outras tiveram a sua actividade no clube, tais como basquetebol, futebol de salão, andebol, tiro aos pratos, ténis, karaté, ginástica de manutenção, etc., que foram interrompidas, visto as capacidades reais e a disponibilidade humana e financeira do clube estarem ultrapassadas. Para benefício das actividades desportivas do Juventude Azeitonense a Direcção presidida pelo Sr. Comandante António Branco conseguiu a tão desejada cobertura no ringue, transformando-o em pavilhão, com a ajuda entre vários, da Câmara Municipal de Setúbal, da Junta de Freguesia de S. Lourenço de Azeitão, da colaboração preciosa da firma Ramos & Varela. Foi graças a estas e a outras pessoas, algumas que ficarão sempre na sombra, que Azeitão tem hoje o seu pavilhão. Actualmente o Juventude Azeitonense mantém em actividade cerca de 120 atletas, com quase todos os escalões em competição, tanto na vertente de hóquei em patins como na patinagem artística. O Juventude Azeitonense, para além do mais é, há muitos anos, o baluarte do concelho ao nível do desporto patinado, o hóquei em patins e a patinagem artística. A caminhada tem sido dura, ultrapassando alguns desencantos, cansaço, incompreensões, injustiças e dificuldades de apoio, algumas actividades no clube, foram interrompidas visto as capacidades reais estarem ultrapassadas. A vocação primeira do Juventude Azeitonense, o patim, terá que ser sempre incentivada, sob pena de que a sua cultura desportiva venha a ser atraiçoada. O Juventude Azeitonense foi, é e será sempre “tudo” o que os Azeitonenses entre as várias direcções, seccionistas, atletas e amigos do clube têm sabido vivê-lo. Curiosidades
Desde os primeiros tempos do Juventude Azeitonense que os sacrifícios são permanentes, desde os patins ao próprio campo de jogo, em cimento e ao ar livre, tudo eram dificuldades e rudimentos. O transporte de atletas, nos primeiros anos de vida do clube, era em transportes públicos e pago pelos próprios, foi adquirida mais tarde a célebre “banheira”, carrinha já muito usada e que foi depois substituída, primeiro por um autocarro de vinte lugares, “a princesinha do agreste” e depois por um autocarro de 40 lugares, que se ficou a dever a gente dedicada e grandes amizades. Os banhos dos atletas eram com d***e a frio. Para pagar a mensalidade da luz (17$50), era necessário recorrer a subscrições públicas. As rodas dos patins passaram por diversas transformações sendo ultimamente em massa plastificada e dura, tecnologicamente avançada, mas inicialmente eram em madeira, depois em metal, o que obrigava à sua constante substituição, não sendo raro, terminado o jogo, as ditas rodas estarem quadradas. Os jogos eram realizados ao ar livre, no ringue com o piso em cimento, originando ferimentos e escoriações várias. As bancadas do ringue foram construídas com verbas resultantes da venda duma propriedade que o Reverendo Padre Agostinho Gomes possuía na sua terra natal. A primeira equipa a representar o Juventude Azeitonense em jogos oficiais foi a equipa de juniores em 1958 para o Campeonato de Juniores composta pelo guarda-redes Joaquim Condinho, os jogadores João Liques, Álvaro Calado, João José Rodrigues, João Leonel, José Estevão Monteiro, João Henrique Rendas Antunes, Francisco Rafael e João Manuel Santos, treinada pelo Sr. António Simões e com o massagista Álvaro Fava. Nos anos sessenta, não apareciam direcções e o clube só não fechou logo as portas devido à grande carolice do Sr. Gabriel Palhão. Tudo isto, não implicou que a vontade na prática do hóquei em patins, fizesse com que, em 19 de Outubro de 1968, o clube, dito de província, ascendesse à primeira divisão nacional com a equipa sénior composta pelos guarda-redes António Manuel Carvalho e Fernando Bravo e com os jogadores João Leopoldo da Costa Carvalho, Hermínio Marques Ferreira Grécio, Fernando Espírito Santo, António Manuel Catarino da Costa Deitado, José Getúlio Saragaço e José Simões, treinada pelo Sr. Victor João Bastos, tendo como massagista o Sr. António Ribeiro e como mecânico o Sr. Eduardo de Freitas. Mas devido a grandes convulsões sociais acabou por encerrar no inicio da década de 70, voltando a reabrir e retomando a sua actividade desportiva em Novembro de 1974 com uma Comissão Coordenadora que dirigiu as instalações durante cerca de 3 anos: Manuel Gilberto Lucas, Henrique Prata, António Malquito, João Manuel Sousa, João Cardoso Marques, António Manuel Lourinho, Esteves Oliveira e Fernando Sobral. Nesse Inverno começaria a renovação do Juventude Azeitonense.