19/04/2022
GALERIA DE HONRA:
Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior
É com o maior prazer que registamos hoje na «Galeria de Honra» o depoimento de um dos filhos mais distintos de Vila Franca de Xira — o nosso querido amigo e assinante da «Vida Ribatejana» sr. Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior — personalidade de fino trato, bem conhecida e considerada pelo seu aprumo, correcção e grande dedicação a Vila Franca e a todo o concelho em geral.
Possuidor dum invulgar poder imaginativo, aliado ao desejo de elevar bem alto o nome do nosso concelho em todos os seus sectores, na qual a sua dinâmica acção desenvolvida tem sido notóriamente realçada pelos inúmeros serviços prestados desinteressadamente, ao longo de seis décadas, tendo por conseguinte granjeado consideração e estima por todos os munícipes que o reconhecem como figura de eleição.
— Qual o motivo que levou o sr. Capitão Silva Guedes a fundar o Grupo Operário Vilafranquense ?
— Sabe, fui atleta do Benfica, servindo-o 6 anos na equipa de futebol. Como em Vila Franca não havia qualquer clube que praticasse futebol, rodiei-me de bons vialores, conseguindo dotar
a terra com um clube praticante da modalidade, onde joguei durante dez épocas.
— Acha que deu grande impulso à Mocidade Portuguesa em Vila Franca ?
— Sim! Entusiasmei-me de tal forma que consegui prestigiar tão patriótica organização, na qual desempenhei o cargo de sub-delegado regional, simultâneamente com o de instrutor, durante vinte anos.
— Pode-nos elucidar quais os pelouros que lhe foram confiados durante a sua longa permanência no Município, como vereador?
— Com certeza! Foram-me distribuídos os seguintes: Instrução, cemitério de Vila Franca e as freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras.
— Acha que desenvolveu actividade digna de registo nos pelouros que lhe foram distribuídos?
— Dediquei-me a todos eles, como é óbvio, de alma e coração. Todavia, desde início dediquei-me com grande carinho ao cemitério, o qual oferecia um terrível aspecto, deveras confrangedor, ofendendo, por conseguinte a memória daqueles que em vida tudo deram por uma Vila Franca melhor. A capela estava ao abandono e transformada em casa mortuária, campas por identificar, eu sei lá. Então puz mãos à obra, cuidando da reparação da capela, que passou então a ser utilizada para todas as manifestações religiosas. Foi ainda beneficiado o cemitério com a construção duma casa de autópsias e mortuária; construíram-se quatro ossários e um jazigo municipal. Foram ainda embelezadas todas as ruas, e devidamente calcetadas, procedeu-se à canalização de águas e instalação de energia eléctrica em todas as dependências. Por tudo isto, aliás está à nossa vista, o cemitério tem merecido as melhores referências pelo aspecto que oferece, constituindo para mim o meu maior orgulho. O que equivale a dizer: prestar homenagem aos mortos!
— Também deu o mesmo incremento às freguesias de Castanheira e Cachoeira?
— Precisamente a mesma linha de rumo! Até porque nunca me escusei a ouvir fosse quem fosse, as justas pretensões dos seus habitantes, conseguindo sempre satisfazer de ano para ano as suas aspirações, pois, apresentava-os nas sessões da Câmara, a fim de serem deliberadas de forma a satisfazerem a vontade das populações respectivas.
De momento posso dizer-lhe que em ambas as freguesias procederam-se a muitas reparações de caminhos; construção de lavadouros públicos; instalações sanitárias, água e luz, além de inúmeros melhoramentos nas sedes destas duas freguesias. O mesmo sucedeu nos lugares de A-dos-Bispos; Casal da Coxa; Quintas; Boiça; Vala do Carregado, etc. Tive sempre profunda admiração pelos miradouros e moinhos de vento, o que me levou a conseguir da Camara a construção dos miradouros da Boa Vista, Monte Gordo e da Boiça.
Claro que todas estas actividades só foram possiveis graças à boa vontade, sempre manifestada pelos cinco presidentes com quem trabalhei e considerei, o mesmo sucedendo com os quatro
vice-presidentes em exercicio, que foram: Presidentes — srs. José Vanzeller Palha, Major Horácio da Cunha Nery, Tenente José de Sousa Nazareth, dr. Dias Simão e Féria Theotónio; Vice-Presidentes — srs. Miguel Esguelha, Capitão Eduardo da Silva Redondo. dr. José Vidal Bantista e João Raposo de Sousa d'Alte. Também quero salientar o facto da absoluta concordância de todos os colegas de vereação que muito me auxiliaram na árdua tarefa, a que me dediquei de alma e coração.
— Porque foi para comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca ?
— Olhe, foi quase por imposição do meu grande e velho amigo Fausto Nunes Dias, que me pediu para comandar a Associação dos Bombeiros, em Julho de 1929, onde me encontro até à presente data, sempre com o lema de bem servir!
— Para finalizar, diga-nos sr.Capitão Silva Guedes, já alguma vez foi condecorado?
— Sim, várias vezes. Na Mocidade Portuguesa fui condecorado com a medalha de grau ide oficial Militar de Aviz. Na Câmara com a medalha de prata de mérito e medalha de prata de assiduidade
e dedicação, criada pela Câmara Municipal por ter completado 25 anos de bombeiro e a medalha de prata de serviços distintos; medalha ide ouro com duas estrelas da Liga dos Bombeiros Portugueses e medalha de assiduidade e dedicação quando completei 37 anos de bombeiro. Além destas condecorações possuo vários louvores e cinco medalhas averbadas na minha folha de serviços como militar.
* * *
Apraz-nos registar gostosamente que todos os cargos que foram confiados ao nosso grande amigo e ilustre vilafranquense, sr. Capitão Silva Guedes, sempre foram exercidos com consciência
e a maior dedicação e com o único objectivo de ser útil à sua terra que tanto estima.
Afonso Serrão Gomes
in Vida Ribatejana nº2652, 17 Janeiro de 1970
GALERIA DE HONRA:
Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior
É com o maior prazer que registamos hoje na «Galeria de Honra» o depoimento de um dos filhos mais distintos de Vila Franca de Xira — o nosso querido amigo e assinante da «Vida Ribatejana» sr. Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior — personalidade de fino trato, bem conhecida e considerada pelo seu aprumo, correcção e grande dedicação a Vila Franca e a todo o concelho em geral.
Possuidor dum invulgar poder imaginativo, aliado ao desejo de elevar bem alto o nome do nosso concelho em todos os seus sectores, na qual a sua dinâmica acção desenvolvida tem sido notóriamente realçada pelos inúmeros serviços prestados desinteressadamente, ao longo de seis décadas, tendo por conseguinte granjeado consideração e estima por todos os munícipes que o reconhecem como figura de eleição.
— Qual o motivo que levou o sr. Capitão Silva Guedes a fundar o Grupo Operário Vilafranquense ?
— Sabe, fui atleta do Benfica, servindo-o 6 anos na equipa de futebol. Como em Vila Franca não havia qualquer clube que praticasse futebol, rodiei-me de bons vialores, conseguindo dotar
a terra com um clube praticante da modalidade, onde joguei durante dez épocas.
— Acha que deu grande impulso à Mocidade Portuguesa em Vila Franca ?
— Sim! Entusiasmei-me de tal forma que consegui prestigiar tão patriótica organização, na qual desempenhei o cargo de sub-delegado regional, simultâneamente com o de instrutor, durante vinte anos.
— Pode-nos elucidar quais os pelouros que lhe foram confiados durante a sua longa permanência no Município, como vereador?
— Com certeza! Foram-me distribuídos os seguintes: Instrução, cemitério de Vila Franca e as freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras.
— Acha que desenvolveu actividade digna de registo nos pelouros que lhe foram distribuídos?
— Dediquei-me a todos eles, como é óbvio, de alma e coração. Todavia, desde início dediquei-me com grande carinho ao cemitério, o qual oferecia um terrível aspecto, deveras confrangedor, ofendendo, por conseguinte a memória daqueles que em vida tudo deram por uma Vila Franca melhor. A capela estava ao abandono e transformada em casa mortuária, campas por identificar, eu sei lá. Então puz mãos à obra, cuidando da reparação da capela, que passou então a ser utilizada para todas as manifestações religiosas. Foi ainda beneficiado o cemitério com a construção duma casa de autópsias e mortuária; construíram-se quatro ossários e um jazigo municipal. Foram ainda embelezadas todas as ruas, e devidamente calcetadas, procedeu-se à canalização de águas e instalação de energia eléctrica em todas as dependências. Por tudo isto, aliás está à nossa vista, o cemitério tem merecido as melhores referências pelo aspecto que oferece, constituindo para mim o meu maior orgulho. O que equivale a dizer: prestar homenagem aos mortos!
— Também deu o mesmo incremento às freguesias de Castanheira e Cachoeira?
— Precisamente a mesma linha de rumo! Até porque nunca me escusei a ouvir fosse quem fosse, as justas pretensões dos seus habitantes, conseguindo sempre satisfazer de ano para ano as suas aspirações, pois, apresentava-os nas sessões da Câmara, a fim de serem deliberadas de forma a satisfazerem a vontade das populações respectivas.
De momento posso dizer-lhe que em ambas as freguesias procederam-se a muitas reparações de caminhos; construção de lavadouros públicos; instalações sanitárias, água e luz, além de inúmeros melhoramentos nas sedes destas duas freguesias. O mesmo sucedeu nos lugares de A-dos-Bispos; Casal da Coxa; Quintas; Boiça; Vala do Carregado, etc. Tive sempre profunda admiração pelos miradouros e moinhos de vento, o que me levou a conseguir da Camara a construção dos miradouros da Boa Vista, Monte Gordo e da Boiça.
Claro que todas estas actividades só foram possiveis graças à boa vontade, sempre manifestada pelos cinco presidentes com quem trabalhei e considerei, o mesmo sucedendo com os quatro
vice-presidentes em exercicio, que foram: Presidentes — srs. José Vanzeller Palha, Major Horácio da Cunha Nery, Tenente José de Sousa Nazareth, dr. Dias Simão e Féria Theotónio; Vice-Presidentes — srs. Miguel Esguelha, Capitão Eduardo da Silva Redondo. dr. José Vidal Bantista e João Raposo de Sousa d'Alte. Também quero salientar o facto da absoluta concordância de todos os colegas de vereação que muito me auxiliaram na árdua tarefa, a que me dediquei de alma e coração.
— Porque foi para comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca ?
— Olhe, foi quase por imposição do meu grande e velho amigo Fausto Nunes Dias, que me pediu para comandar a Associação dos Bombeiros, em Julho de 1929, onde me encontro até à presente data, sempre com o lema de bem servir!
— Para finalizar, diga-nos sr.Capitão Silva Guedes, já alguma vez foi condecorado?
— Sim, várias vezes. Na Mocidade Portuguesa fui condecorado com a medalha de grau ide oficial Militar de Aviz. Na Câmara com a medalha de prata de mérito e medalha de prata de assiduidade
e dedicação, criada pela Câmara Municipal por ter completado 25 anos de bombeiro e a medalha de prata de serviços distintos; medalha ide ouro com duas estrelas da Liga dos Bombeiros Portugueses e medalha de assiduidade e dedicação quando completei 37 anos de bombeiro. Além destas condecorações possuo vários louvores e cinco medalhas averbadas na minha folha de serviços como militar.
* * *
Apraz-nos registar gostosamente que todos os cargos que foram confiados ao nosso grande amigo e ilustre vilafranquense, sr. Capitão Silva Guedes, sempre foram exercidos com consciência
e a maior dedicação e com o único objectivo de ser útil à sua terra que tanto estima.
Afonso Serrão Gomes
in Vida Ribatejana nº2652, 17 Janeiro de 1970