Xiroteca Histórias do Desporto em Vila Franca de Xira

𝐒𝐏𝐎𝐑𝐓𝐈𝐍𝐆 𝐂𝐋𝐔𝐁 𝐕𝐈𝐋𝐀𝐅𝐑𝐀𝐍𝐐𝐔𝐄𝐍𝐒𝐄 O sport em Vila Franca, de que se não ouvia falar há muito tempo, levantou no ultimo mez um...
23/07/2022

𝐒𝐏𝐎𝐑𝐓𝐈𝐍𝐆 𝐂𝐋𝐔𝐁 𝐕𝐈𝐋𝐀𝐅𝐑𝐀𝐍𝐐𝐔𝐄𝐍𝐒𝐄

O sport em Vila Franca, de que se não ouvia falar há muito tempo, levantou no ultimo mez uma celeuma de tal ordem que tem sido a palestra obrigatória de todas as conversações n'esta tão formosa vila ribatejana.

O assunto tem sido debatido com verdadeiro entusiasmo, defendendo os sócios do Sporting com verdadeiro amor à causa se propõe levar a efeito, e atacando os antagonistas, em columnas cerradas, a bela ideia desta associação e seu director, que por vezes, estas discussões têem chegado ao rubro e ao pugilato.

Como não estivéssemos na posse dos segredos da direcção, resolvemos procurar o director do Sporting, para d'ele colhermos os dados precisos para elucidar-mos o público e desfazermos boatos que alguns mal intencionados aventam por sua conta, malévola e propositadamente, contra este Club e seus dirigentes.

Tivemos a feliz ideia de entrevistar o nosso amigo e distinto «sportsmen», Sr. Júlio santos, presidente da direcção do Sporting, que amavelmente nos recebe e se dispõe a ouvir-nos.

- Sabe o que aqui me traz?... É o Sporting!
- Sim?... Pois esse Club ainda em princípio já merece a honra de uma entrevista?
- Certamente. E a prova de que merece, é que venho aqui cheio de curiosidade e interesse colher de viva voz todas as informações que v. me possa dar a esse respeito.
- Pois bem. Ahi vão todos os meus projectos, ainda que sou retrogado a entrevistas, ms como se trata de interesses locaes e sportivo estou ás suas ordens.
- Como foi que teve inicialmente este Club que tanto interesse está despertando no meio vilafranquense?
- Eu lhe conto. entre vários frequentadores da barbearia Goes & Goes lembrou-se alguém de propôr que se formasse um grupo de sport, ideia que foi acolhida com entusiasmo, sendo em breves horas um facto a organisação desse grupo que se formou com 23 sócios.
- E como é que v. se encontra nesse meio?
- É simples. Apenas por um gracejo d'um sócio que me perguntou se queria pagar a minha quota. Fiquei admirado de tal pergunta, pois estranhava que em Vila Franca houvesse esse grupo, e como sempre fui dedicado ao sport imediatamente fiz inscrever o meu nome como sócio.
- Mas v. hoje é o Presidente da direcção?
- Sim, sou porque os meus consorcios assim o entenderam dando-me essa honra, confiandos em que eu saberia corresponder-lhe à sua confiança.
- Mas v. pensou bem o trabalho proficuo e extenuante que isso lhe traz, e os desgostos que lhe podem sobrevir? Não está v. já farto de ingratidões?
—De facto assim. é, mas como o meio sportivo foi e será sempre a minha paixão, esqueço os agravos a passados para me lançar novamente de corpo e alma junto desta associação, para onde trago largos projectos para futuro.
- E...
- Vaí ouvir. Deve saber que eu nunca me acomodei com meios termos, tive sempre por tema, «ou vai, ou racha» e como me encontro acompanhado, na atualidade, por 85 sócios cheios de boa vontade e animados para o trabalho, não tenho medo que a minha ideia ráche, o que quer dizer, vai de vento em pôpa o meu projecto que em breve será um facto. Campo para foot ball, tennis, patinagem e de ninguém, já nós adquirimos graças à boa vontade dos exmos.srs. Frederico Chabelitz e José Pedro Tavares que da melhor vontade abraçaram a nossa ideia, prontificando-se a coadjuvar este Club dentro da medida das suas forças, e com todo o entusiasmo de quem deseja o bem desta terra e do desenvolvimento sportivo, que abraçam com ardor. Mas não pára aqui a minha fantasia, vai mais além; o rémo, a natação, gymnastica suéça e de aparelhos, emfim tudo quanto se relaciona com o sport.
- E com quem, conta v. para realizar o seu projecto? Tem algum capitalista?
- Não. Apenas conto com a dedicação dos vilafranquenses, trabalhando uns, frequentando outros os vários ramos de sport, coadjuvando-me amigos pessoaes, com a inscripção de socios protectores e com auxilio do comercio que estou certo não deixará de ajudar pecuniariamente esta iniciativa que trará a este jardim do Ribatejo frequentes visitas de colectividades, sportivas, animando assim com a sua presença esta terra e auxiliando monetariamente por sua vez aqueles que nos auxiliam.

E quando nos dispunhamos a sahir, o nosso entrevistado, fez-nos sentir que tem profundo desgosto que as antigas colectividades sportivas de Vila Franca não vejam com bons olhos esta iniciativa, esperando que desapareça em breve essa má impressão, que só mal intencionados e anti sportivos vieram semear neste meio, que lhes não será tão, fértil quanto desejavam, esperando que os verdadeiros amadores de sport não se deixem; embair por esse canto de sereias de soalheiro.

- E diga mais no seu jornal: a direcção do Sporting faz votos para que todas as colectividades vivam desafogadas e tranquilas prometendo tratar as suas congéneres com toda a sinceridade, dedicação e cavalheirismo.

Feitas as despedidas, do estilo deixamos o Presidente da direcção trabalhando com nos estatutos, que interrompeu à nossa chegada,e que hão de reger o Sporting Club Vilafranquense.

Estão pois informados os nossos estimáveis leitores de tudo quanto pensa a direcção do Sporting, não podendo para o futuro haver equívocos e mal entendidos no meio sportivo vilafranquense.

Vila Franca de Xira, 21 de Maio de 1919

- 𝐢𝐧 𝐕𝐢𝐝𝐚 𝐑𝐢𝐛𝐚𝐭𝐞𝐣𝐚𝐧𝐚 𝐧º𝟔𝟓, 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟏𝟗

Mário da Rosa GomesApesar de ter nascido em Vila Real de Santo António em 25 de Abril de 1917, Mário Rosa nunca vestiu a...
22/04/2022

Mário da Rosa Gomes

Apesar de ter nascido em Vila Real de Santo António em 25 de Abril de 1917, Mário Rosa nunca vestiu a camisola dos clubes da região. Com 11 anos mudou-se, com a sua família, para Casablanca em Marrocos e foi ai que começou a jogar, em pequenos clubes da cidade.

Aos 17 anos, Mário Rosa Gomes chegou às primeiras categorias do seu «team» marroquino, o Roches Noires, dividindo desporto com a sua profissão: mecânico de automóveis.

O Roches Noires um dos bairros coloniais de Casablanca, a meias com o Belvèdére um dos mais elegantes da cidade. Quando Mário chegou à baliza do Club des Roches Noires, o clube atravessava uma fase de seca de títulos. O português trouxe consigo a sorte e a sua equipa ganhou o Campeonato. Foi escolhido para a selecção regional de Casablanca: defrontou Oran e Tânger.

Chegaram as desavenças. Mário Rosa Gomes troca o Roche Noires por um dos rivais deste, o Union Sportive Athlétique (entretanto desaparecido), campeão em 1927 e 1929. Estávamos em 1934. A vida não tardaria a empurrá-lo na direção da foz do Tejo e da luz transparente de Lisboa num regresso forçado e contrariado. Os seus pais não esqueceram a sua pátria.

No dia 13 de Abril, ao cumprir 21 anos, marcha para Portugal e para a incorporação no serviço militar. Mas não esquece o Futebol nem as balizas. Dizem os repórteres da época que era de estatura média (1.72?), exibindo boa estampa e parecendo vender saúde. Falava um português «retorcido», dizem outros. Assim com laivos afrancesados. Um seu amigo de Casablanca escreve-lhe uma carta de recomendação para alguém ligado ao Benfica. Pelo caminho, Mário Rosa Gomes, treina-se no Sporting. Estranho? Ele próprio explicava: «O meu tio, em casa de quem estou, é adepto do Sporting. Perguntou-me se tinha preferência pelo Benfica e disse-lhe que não. Perante a minha resposta afirmou que gostaria de me ver nos 'leões'. Para mim, repito, em caso de igualdade visto ser agradável ao meu tio, escolherei o Sporting. E fui a dois treinos», diz. Marcador oficial de penáltis nos seus clubes marroquinos, vangloriava-se de ser, todas as épocas, um dos melhores goleadores. «Era infalível!».

Os jornais estranhavam: «Um guardião ganhador de castigos máximos? Entre nós nunca tal houve. Mário é, pois, uma novidade digna de atenção...» Em Portugal iria esquecer os golos. Ingressou no Sport Lisboa e Benfica na época 1937/38, estreando-se a 8 de Maio de 1938 num jogo frente à Académica, nas Amoreiras, para o Campeonato Nacional. O Benfica venceu, por 3-1. Houve um penálti contra a Académica. Mário não marcou. Marcou Rogério «Pipi»: e falhou. Ter-lhe-á arrancado um sorriso... Continuou a ser o único infalível."

Foi sua única aparição durante toda a temporada, já que Amaro foi titular indiscutível. No entanto, foi o suficiente para ele fazer parte do título de campeão. Nos "encarnados" construiu a sua carreira com vários títulos nacionais,apesar de nunca ter sido um titular indiscutível nas redes do "glorioso". Na temporada seguinte, a nova contratação Martins superou Rosa e Amaro para assumir a posição de guarda-redes, mantendo-a firme por seis temporadas, com Rosa apenas com um punhado de aparições e rebaixado para a equipa de "Reservas".

Na época de 1941/42 Mário Rosa enverga a camisola do Operário Vilafranquense, contribuindo para a conquista do 4º título de campeão da Série A da Associação de Futebol de Santarém, inscrevendo o seu nome a ouro nas ilustres páginas do futebol Vilafranquense. Daí em diante só vestiu a camisola do Benfica.

Em 1944/45, finalmente ultrapassou Martins assumindo-se como títular e jogou 21 jogos (13 no campeonato), para ajudar o Benfica a sagrar-se novamente campeão. No entanto, ele não consegue manter seu lugar na temporada seguinte (1945/46), com Martins aparecendo novamente como a primeira escolha. Em 1945/46 e depois em 1946/47, o Benfica contratou Pinto Machado e Contreiras, o que complicou ainda mais as suas oportunidades de jogar. Ainda assim, em 1949/50, Rosa ultrapassou todos eles para ser o guarda-redes mais usado na liga, conquistando seu terceiro título de campeão.

Foi Campeão nacional pelo SLB por 3 vezes, 1937/38 (1 jogo),1944/45 (13 jogos) e 1949/50 (16 jogos).

Saber Mais: https://bit.ly/3MmbmtM

Fontes:
Vida Ribatejana nº955, 21 Setembro 1941
O Indefectível
Antigas glórias do futebol algarvio
Wikipedia

GALERIA DE HONRA:Capitão José Maria da Silva Guedes JúniorÉ com o maior prazer que registamos hoje na «Galeria de Honra»...
19/04/2022

GALERIA DE HONRA:
Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior
É com o maior prazer que registamos hoje na «Galeria de Honra» o depoimento de um dos filhos mais distintos de Vila Franca de Xira — o nosso querido amigo e assinante da «Vida Ribatejana» sr. Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior — personalidade de fino trato, bem conhecida e considerada pelo seu aprumo, correcção e grande dedicação a Vila Franca e a todo o concelho em geral.
Possuidor dum invulgar poder imaginativo, aliado ao desejo de elevar bem alto o nome do nosso concelho em todos os seus sectores, na qual a sua dinâmica acção desenvolvida tem sido notóriamente realçada pelos inúmeros serviços prestados desinteressadamente, ao longo de seis décadas, tendo por conseguinte granjeado consideração e estima por todos os munícipes que o reconhecem como figura de eleição.
— Qual o motivo que levou o sr. Capitão Silva Guedes a fundar o Grupo Operário Vilafranquense ?
— Sabe, fui atleta do Benfica, servindo-o 6 anos na equipa de futebol. Como em Vila Franca não havia qualquer clube que praticasse futebol, rodiei-me de bons vialores, conseguindo dotar
a terra com um clube praticante da modalidade, onde joguei durante dez épocas.
— Acha que deu grande impulso à Mocidade Portuguesa em Vila Franca ?
— Sim! Entusiasmei-me de tal forma que consegui prestigiar tão patriótica organização, na qual desempenhei o cargo de sub-delegado regional, simultâneamente com o de instrutor, durante vinte anos.
— Pode-nos elucidar quais os pelouros que lhe foram confiados durante a sua longa permanência no Município, como vereador?
— Com certeza! Foram-me distribuídos os seguintes: Instrução, cemitério de Vila Franca e as freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras.
— Acha que desenvolveu actividade digna de registo nos pelouros que lhe foram distribuídos?
— Dediquei-me a todos eles, como é óbvio, de alma e coração. Todavia, desde início dediquei-me com grande carinho ao cemitério, o qual oferecia um terrível aspecto, deveras confrangedor, ofendendo, por conseguinte a memória daqueles que em vida tudo deram por uma Vila Franca melhor. A capela estava ao abandono e transformada em casa mortuária, campas por identificar, eu sei lá. Então puz mãos à obra, cuidando da reparação da capela, que passou então a ser utilizada para todas as manifestações religiosas. Foi ainda beneficiado o cemitério com a construção duma casa de autópsias e mortuária; construíram-se quatro ossários e um jazigo municipal. Foram ainda embelezadas todas as ruas, e devidamente calcetadas, procedeu-se à canalização de águas e instalação de energia eléctrica em todas as dependências. Por tudo isto, aliás está à nossa vista, o cemitério tem merecido as melhores referências pelo aspecto que oferece, constituindo para mim o meu maior orgulho. O que equivale a dizer: prestar homenagem aos mortos!
— Também deu o mesmo incremento às freguesias de Castanheira e Cachoeira?
— Precisamente a mesma linha de rumo! Até porque nunca me escusei a ouvir fosse quem fosse, as justas pretensões dos seus habitantes, conseguindo sempre satisfazer de ano para ano as suas aspirações, pois, apresentava-os nas sessões da Câmara, a fim de serem deliberadas de forma a satisfazerem a vontade das populações respectivas.
De momento posso dizer-lhe que em ambas as freguesias procederam-se a muitas reparações de caminhos; construção de lavadouros públicos; instalações sanitárias, água e luz, além de inúmeros melhoramentos nas sedes destas duas freguesias. O mesmo sucedeu nos lugares de A-dos-Bispos; Casal da Coxa; Quintas; Boiça; Vala do Carregado, etc. Tive sempre profunda admiração pelos miradouros e moinhos de vento, o que me levou a conseguir da Camara a construção dos miradouros da Boa Vista, Monte Gordo e da Boiça.
Claro que todas estas actividades só foram possiveis graças à boa vontade, sempre manifestada pelos cinco presidentes com quem trabalhei e considerei, o mesmo sucedendo com os quatro
vice-presidentes em exercicio, que foram: Presidentes — srs. José Vanzeller Palha, Major Horácio da Cunha Nery, Tenente José de Sousa Nazareth, dr. Dias Simão e Féria Theotónio; Vice-Presidentes — srs. Miguel Esguelha, Capitão Eduardo da Silva Redondo. dr. José Vidal Bantista e João Raposo de Sousa d'Alte. Também quero salientar o facto da absoluta concordância de todos os colegas de vereação que muito me auxiliaram na árdua tarefa, a que me dediquei de alma e coração.
— Porque foi para comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca ?
— Olhe, foi quase por imposição do meu grande e velho amigo Fausto Nunes Dias, que me pediu para comandar a Associação dos Bombeiros, em Julho de 1929, onde me encontro até à presente data, sempre com o lema de bem servir!
— Para finalizar, diga-nos sr.Capitão Silva Guedes, já alguma vez foi condecorado?
— Sim, várias vezes. Na Mocidade Portuguesa fui condecorado com a medalha de grau ide oficial Militar de Aviz. Na Câmara com a medalha de prata de mérito e medalha de prata de assiduidade
e dedicação, criada pela Câmara Municipal por ter completado 25 anos de bombeiro e a medalha de prata de serviços distintos; medalha ide ouro com duas estrelas da Liga dos Bombeiros Portugueses e medalha de assiduidade e dedicação quando completei 37 anos de bombeiro. Além destas condecorações possuo vários louvores e cinco medalhas averbadas na minha folha de serviços como militar.
* * *
Apraz-nos registar gostosamente que todos os cargos que foram confiados ao nosso grande amigo e ilustre vilafranquense, sr. Capitão Silva Guedes, sempre foram exercidos com consciência
e a maior dedicação e com o único objectivo de ser útil à sua terra que tanto estima.
Afonso Serrão Gomes
in Vida Ribatejana nº2652, 17 Janeiro de 1970

GALERIA DE HONRA:
Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior

É com o maior prazer que registamos hoje na «Galeria de Honra» o depoimento de um dos filhos mais distintos de Vila Franca de Xira — o nosso querido amigo e assinante da «Vida Ribatejana» sr. Capitão José Maria da Silva Guedes Júnior — personalidade de fino trato, bem conhecida e considerada pelo seu aprumo, correcção e grande dedicação a Vila Franca e a todo o concelho em geral.

Possuidor dum invulgar poder imaginativo, aliado ao desejo de elevar bem alto o nome do nosso concelho em todos os seus sectores, na qual a sua dinâmica acção desenvolvida tem sido notóriamente realçada pelos inúmeros serviços prestados desinteressadamente, ao longo de seis décadas, tendo por conseguinte granjeado consideração e estima por todos os munícipes que o reconhecem como figura de eleição.

— Qual o motivo que levou o sr. Capitão Silva Guedes a fundar o Grupo Operário Vilafranquense ?
— Sabe, fui atleta do Benfica, servindo-o 6 anos na equipa de futebol. Como em Vila Franca não havia qualquer clube que praticasse futebol, rodiei-me de bons vialores, conseguindo dotar
a terra com um clube praticante da modalidade, onde joguei durante dez épocas.

— Acha que deu grande impulso à Mocidade Portuguesa em Vila Franca ?
— Sim! Entusiasmei-me de tal forma que consegui prestigiar tão patriótica organização, na qual desempenhei o cargo de sub-delegado regional, simultâneamente com o de instrutor, durante vinte anos.

— Pode-nos elucidar quais os pelouros que lhe foram confiados durante a sua longa permanência no Município, como vereador?
— Com certeza! Foram-me distribuídos os seguintes: Instrução, cemitério de Vila Franca e as freguesias de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras.

— Acha que desenvolveu actividade digna de registo nos pelouros que lhe foram distribuídos?
— Dediquei-me a todos eles, como é óbvio, de alma e coração. Todavia, desde início dediquei-me com grande carinho ao cemitério, o qual oferecia um terrível aspecto, deveras confrangedor, ofendendo, por conseguinte a memória daqueles que em vida tudo deram por uma Vila Franca melhor. A capela estava ao abandono e transformada em casa mortuária, campas por identificar, eu sei lá. Então puz mãos à obra, cuidando da reparação da capela, que passou então a ser utilizada para todas as manifestações religiosas. Foi ainda beneficiado o cemitério com a construção duma casa de autópsias e mortuária; construíram-se quatro ossários e um jazigo municipal. Foram ainda embelezadas todas as ruas, e devidamente calcetadas, procedeu-se à canalização de águas e instalação de energia eléctrica em todas as dependências. Por tudo isto, aliás está à nossa vista, o cemitério tem merecido as melhores referências pelo aspecto que oferece, constituindo para mim o meu maior orgulho. O que equivale a dizer: prestar homenagem aos mortos!

— Também deu o mesmo incremento às freguesias de Castanheira e Cachoeira?
— Precisamente a mesma linha de rumo! Até porque nunca me escusei a ouvir fosse quem fosse, as justas pretensões dos seus habitantes, conseguindo sempre satisfazer de ano para ano as suas aspirações, pois, apresentava-os nas sessões da Câmara, a fim de serem deliberadas de forma a satisfazerem a vontade das populações respectivas.

De momento posso dizer-lhe que em ambas as freguesias procederam-se a muitas reparações de caminhos; construção de lavadouros públicos; instalações sanitárias, água e luz, além de inúmeros melhoramentos nas sedes destas duas freguesias. O mesmo sucedeu nos lugares de A-dos-Bispos; Casal da Coxa; Quintas; Boiça; Vala do Carregado, etc. Tive sempre profunda admiração pelos miradouros e moinhos de vento, o que me levou a conseguir da Camara a construção dos miradouros da Boa Vista, Monte Gordo e da Boiça.

Claro que todas estas actividades só foram possiveis graças à boa vontade, sempre manifestada pelos cinco presidentes com quem trabalhei e considerei, o mesmo sucedendo com os quatro
vice-presidentes em exercicio, que foram: Presidentes — srs. José Vanzeller Palha, Major Horácio da Cunha Nery, Tenente José de Sousa Nazareth, dr. Dias Simão e Féria Theotónio; Vice-Presidentes — srs. Miguel Esguelha, Capitão Eduardo da Silva Redondo. dr. José Vidal Bantista e João Raposo de Sousa d'Alte. Também quero salientar o facto da absoluta concordância de todos os colegas de vereação que muito me auxiliaram na árdua tarefa, a que me dediquei de alma e coração.

— Porque foi para comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca ?
— Olhe, foi quase por imposição do meu grande e velho amigo Fausto Nunes Dias, que me pediu para comandar a Associação dos Bombeiros, em Julho de 1929, onde me encontro até à presente data, sempre com o lema de bem servir!

— Para finalizar, diga-nos sr.Capitão Silva Guedes, já alguma vez foi condecorado?
— Sim, várias vezes. Na Mocidade Portuguesa fui condecorado com a medalha de grau ide oficial Militar de Aviz. Na Câmara com a medalha de prata de mérito e medalha de prata de assiduidade
e dedicação, criada pela Câmara Municipal por ter completado 25 anos de bombeiro e a medalha de prata de serviços distintos; medalha ide ouro com duas estrelas da Liga dos Bombeiros Portugueses e medalha de assiduidade e dedicação quando completei 37 anos de bombeiro. Além destas condecorações possuo vários louvores e cinco medalhas averbadas na minha folha de serviços como militar.

* * *

Apraz-nos registar gostosamente que todos os cargos que foram confiados ao nosso grande amigo e ilustre vilafranquense, sr. Capitão Silva Guedes, sempre foram exercidos com consciência
e a maior dedicação e com o único objectivo de ser útil à sua terra que tanto estima.

Afonso Serrão Gomes
in Vida Ribatejana nº2652, 17 Janeiro de 1970

11/04/2022

A 14 de novembro de 1999, a União Desportiva Vilafranquense volta a medir forças com o Vitória Futebol Clube, de Setúbal, para a Taça de Portugal, 18 anos depois. Desta vez, os sadinos, conjunto de 1ª Divisão, venderam bem cara a vitória no Bonfim que só chega no prolongamento (2-1) perante um conjunto de Carmo Pais que faria história nessa época (1999/00): alcança a melhor classificação de sempre na II Divisão B, um 2º lugar. São momentos e jogadores que deixaram saudade em Vila Franca de Xira que hoje aproveitamos para recordar.

Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: João Câmara (AF Madeira)

Auxiliares: Inácio Pereira e Nuno Fernandes

Vitória FC: Marco Tábuas; Paulo Filipe, Q**m, Semedo, Nélson, Hélio, Mamede, Marco Ferreira (Maki 45'), Jorge Matos (Paulo Catarino 45'), Sérgio João (Chipenda 72'), Chiquinho Conde

Treinador: Carlos Cardoso

UD Vilafranquense: João Paulo; Vidais, Cortes, Nuno Dias, Borreicho, Sérgio Paulo (Sérgio Brito (85'), Nené (Cid 112'), Roque, Tetinha, Moisão (Angel 90') e Ramos.

Treinador: Carmo Pais

Marcadores: Borreicho (8'), Maki (46') e Catarino (110').

Ação disciplinar: cartão amarelo a Roque (32'), Paulo Filipe (42'), Hélio (54'), Sérgio Paulo (83'), Vidais (106') e Mamede (108').

A União Desportiva Vilafranquense comemora esta terça-feira o seu 65º aniversário. Parabéns a todos os unionistas mas também a todos os adeptos do Águia, do Operário, do Hóquei e do Ginásio que possibilitaram estarmos aqui hoje a celebrar!

13/01/2022

Vila Franca de Xira, reportagens do programa 'Remate' da RTP no Xira Cup 1989, torneio internacional de andebol juvenil.

1º Circuito Ciclista de Preparação. João de Almeida Cordeiro, do Operário Vilafranquense, atravessando a meta nos Restau...
09/01/2022

1º Circuito Ciclista de Preparação. João de Almeida Cordeiro, do Operário Vilafranquense, atravessando a meta nos Restauradores (classificando-se em 2º lugar).

Na prova ciclista efectuada no domingo findo, organizada pelo jornal «O Século», o Operário Vilafranquense inscreveu na referida prova 6 dos seus ciclistas, conseguindo o seu representante João de Almeida Cordeiro, o 2.º lugar, conquistado brilhantemente.

Pena é que os jornais da capital se ocupem sômente de diversos ciclistas que representaram alguns clubs de Lisboa, e que conseguiram classificações muito inferiores à do nosso representante, os quais nem sequer em duas linhas, se referiram a êste estradista e à sua magnífica prova.

Texto: Vida Ribatejana nº788, 12 de Março de 1938
Foto: Jornal O Século via Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Planteis do Grupo Football Operário Vilafranquense em 1921, exactamente 100 anos atrás. João Maroco foi o primeiro jogad...
25/09/2021

Planteis do Grupo Football Operário Vilafranquense em 1921, exactamente 100 anos atrás. João Maroco foi o primeiro jogador a marcar um golo em Vila Franca de Xira em 1911.

Imagens: Mensageiro do Ribatejo nº11, 12 de Março de 1930

23/09/2021

Vilafranquense 1 x Vitória SC 3
Taça de Portugal 1984/1985 - 1/64 de Final
Domingo 9 Dezembro 1984

LAURETA DESEQUILIBROU OS PRATOS DA BALANÇA

O Vitória de Guimarães resolveu no: Cevadeiro uma questão que muitos chegaram a admitir adiada para o berço da Nação, Um só homem, com o respeito que todos os outros nos merecem, chegou para desequilibrar os pratos da balança: Laureta, jogador polivalente o maior tecnicista que evoluiu no «pelado», aquele que abriu o activo, iam decorridos vinte minutos de jogo.

Foi na concretização de um canto, marcado do lado esquerdo por Gregório Freixo, «jovem» com 32 anos, Eliseu ainda se fez ao lance, mas defeituosamente (rechaçando para perto), indo o couro para o chileno Tincho. O esférico acabou por ressaltar para Laureta que não perdoou.

O Vilafranquense empatou por intermédio de Ramalho, na transformação de uma grande penalidade (depois de oito minutos antes Vítor Rosa ter falhado uma outra), por carga («sanduíche» de Tó-Zé e Gregório Freixo) sobre ele próprio, De resto, este Ramalho, que é um extraordinário jogador, logo aos seis minutos dera o sinal mais da partida, incomodando o último reduto vimaranense E a partir daí havia dúvidas sobre a equipa que
era da III e a que milita na I Divisão Nacional.

E se bem que tenha competido aos vimaranenses a abertura do «placard», o certo é que, à volta da meia hora, Vítor Rosa, exímio a marcar grandes penalidades (e livres), poderia ter empatado, na cobrança de um castigo máximo, por falta de Laureta sobre Padinha que domingo formou com Ramalho o duo mais esclarecido.
Uma chamada de ordem: a defesa não esteve mal, apesar dos três golos consentidos, Nesta, apenas Eliseu não esteve nos seus dias...

UDV MERECIA O PROLONGAMENTO

Num jogo correcto (veja-se que Raul Nazaré, árbitro internacional que no Cevadeiro mostrou a sua categoria, assinalando duas grandes penalidades incontestáveis e
o único «amarelo» da partida a Teixeirinha), o empate amoldar-se-ia à forma como as coisas decorreram. Sobretudo enquanto Aurélio teve pernas e Padinha ensaiou ataques e mais ataques, disparos e claro o natural «abastecimento» de uma linha de ataque praticamente inexistente.

Foi neste sector que o Vilafranquense perdeu o ensejo de, pelo imenos, adiar a questão até um justo prolongamento, ou, mesmo, até ao Municipal de Guimarães, O
sector mais adiantado da UDV quase se não viu, Peres Bandeira ainda tentou alterar o contexto, quando aos 74 minutos mandou entrar Nando para o lugar de um defesa (Teixeira), com a missão de reforçar o meio campo e, da mesma. assentada, fazendo sair Nazário — que quase se não viu — e, para o seu lugar, «mobilizar»
Rui Conceição (Carapau).

Os vimaranenses ganhavam então por 2-1 (o seu segundo golo fora marcado aos 67 minutos por Tincho, depois de um belo lance individual de Paquito, o jogador
que melhor se adaptou às condições do terreno, em grande parte devido à sua passagem pelo Rio Ave...) e faltavam ainda dezasseis minutos para o termo do encontro. Mas, quando o Vilafranquense, alargando a sua frente de ataque, buscava afanosamente a igualdade, eis que, de súbito, Gregório Freixo amplia a contagem, num lance que não deixou dúvidas a ninguém sobre a sua ilegal posição (fora-de-jogo). O juiz de linha do lado do ataque vimaranense, desatento, não assinalou a falta, manchando assim o trabalho de Raul Nazaré. O resultado, apesar de tudo, estava feito, pois só faltavam dois minutos para o fim da contenda.

DEPOIS DO 2-1...

Laureta desequilibrou os pratos da balança, já o dissemos. Foi ele que atacou, que tratou do meio do campo, que defendeu. Então não foi ele que até provocou
aquela grande penalidade que Vítor Rosa desperdiçou, atirando ao poste, entrando em falta sobre Padinha ?

Laureta teve o talento necessário para se libertar de qualquer marcação cerrada, de soltar o jovem Hilário e, ainda, de despertar a, adaptação de Paquito ao estado
do terreno, Ele mandou no campo, impondo-se a Vítor Rosa e Ramalho, e cuidando de Padinha, que sempre se assumiu como o elemento mais esclarecido do UDV nesse sector.

Nos minutos finais, digamos que preferencialmente no último quarto de hora, quando as forças começaram a faltar ao Vilafranquense, então, sim, viu-se o Vitória
de Guimarães de Djunga-Goethals mais senhor de si, mais arrumado. Depois do seu segundo golo, criado por Hilário e concretizado por Tincho, depois de Paquito ter
posto a chancela da sua execução individual no lance.

As equipas alinharam: - Vilafranquense — Eliseu ; Gabriel, Brandão, Lopes e Teixeira (Nando 74m.); Ramalho, Padinha, Vítor Rosa (cap.), Aurélio e Peixeiro, Nazário (Conceição, aos 74 minutos). Jogadores não utilizados — Caetano; Paulo Lourenço e Neno. Treinador: Peres Bandeira.
V. Guimarães — Neno; Rui Vieira, Tozé, Teixeirinha e Valério; Miguel, Hilário (Jorge Machado, aos 82m.), e Laureta; Paquito, Gregório Freixo e Tincho. Jogadores não utilizados — Jesus; Paulo Viana, Sérgio e Russiano. Treinador — Djunga.

Ao intervalo: 1-1,
Cartão amarelo a Teixeirinha, aos 29 minutos, por carga violenta, sobre um adversário.

Marcadores: 0-1 aos 20 minutos, por Laureta, numa recarga a um alívio deficiente da defensiva. vilafranquense: 1-1, aos 42: minutos, por Ramalho, na transformação de uma, grande penalidade, a castigar empurrão de Teixeirinha, na grande área vimaranense; 1-2, aos 67 minutos, por Tincho, a concluir uma "boa jogada individual" de Paquito; 1-3, aos 88 minutos, por Gregório Freixo (em clara situação de fora-de-jogo), depois de um bom trabalho individual-de Tincho.

Vídeo de André Coelho Lima

Num dia como o de hoje, 31 de março, mas em 1959, o dr. António José Vidal Baptista terminava o primeiro de dois mandato...
31/03/2021

Num dia como o de hoje, 31 de março, mas em 1959, o dr. António José Vidal Baptista terminava o primeiro de dois mandatos à frente da União Desportiva Vilafranquense, resultante da fusão de quatro clubes.

O primeiro presidente da história do clube de Vila Franca de Xira que ajudou a fundar em abril de 1957 foi muito mais do que isso. Descobre aqui mais sobre uma das figuras vila-franquenses mais reconhecidas do século XX: https://xiroteca.blogspot.com/2020/08/lendas-vidal-baptista.html

A Xiroteca aproveita para saudar os adeptos Vilafranquenses que estão a remodelar o Pavilhão José Mário Cerejo e a propó...
05/08/2020

A Xiroteca aproveita para saudar os adeptos Vilafranquenses que estão a remodelar o Pavilhão José Mário Cerejo e a propósito partilhamos uma maquete do mesmo datada de 196 apresentada assim na edição da Vida Ribatejana nº2875 de 6 de Janeiro de 1976:

"A maqueta das futuras instalações do ginásio--sede do União Desportiva Vilafranquense encontra--se em exposição no «stand» da firma Fernando Silva, Lda., na Rua Alves Redol, esquina com a Avenida dos Combatentes. É uma autêntica obra de a te, cuja visão demonstra exuberantemente a grandiosidade impressionante do projecto. Os seus autores são: Carlos Sardinha, Mário Sabino e D. Maria Deolinda Sardinha, respectivamente, arquitecto, engenheiro e artista plástica, além de António Horta, Raul Eduardo e Saavedra Valente."

Endereço

Vila Franca De Xira

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