09/08/2026
Há semanas que nos fazem lembrar porque nos apaixonámos pelo ciclismo. ❤️
Esta foi uma dessas semanas.
Entre o Campeonato Nacional de jovens, onde tive a oportunidade de rever velhos amigos, e o início da Volta a Portugal, houve um reencontro que me fez viajar 41 anos para trás.
Para 1985.
Eu tinha 10 anos e o Carlos Moreira era corredor da equipa Alguerra/Componauto. Estava a disputar a vitória no Grande Prémio da Baixa da Banheira, uma corrida que terminava num domingo.
Por qualquer razão, que hoje já nem me lembro bem qual foi, o meu pai não me deixou ir ver a última etapa. Provavelmente por ser véspera de dia de escola…ou para eu não ser “estorvo”. 😄
Fiquei triste.
O Carlos, para compensar, disse-me que ia ganhar a corrida e que me daria a camisola amarela.
E assim aconteceu.
Ganhou a corrida e cumpriu a promessa. Deu-me a camisola amarela.
A minha felicidade foi enorme. No ano seguinte, em 1986, o meu pai proporcionou-me uma das maiores alegrias da minha vida; comecei também a correr.
Os anos passaram.
Em 1989, no meu primeiro ano de cadetes, participei pela primeira vez no Grande Prémio da Baixa da Banheira. Era também a minha primeira corrida por etapas.
Nesse ano conquisto o Prémio da Juventude, prémio atribuído ao corredor mais jovem melhor classif**ado.
Em 1990 voltei a participar.
Na minha segunda participação, fui eu que ganhei a corrida.
A minha primeira vitória. ❤️
No dia 29 de julho de 1990, no arranque da Volta a Portugal, em Lisboa, fui ao encontro do Carlos e entreguei-lhe a camisola da minha primeira vitória.
Era a minha forma de lhe agradecer por aquele gesto de 1985 e, de certa maneira, de lhe devolver aquilo que um dia ele me tinha dado.
35 anos depois, esta semana, voltei a encontrar o Carlos no início da Volta a Portugal.
E aquele reencontro trouxe de volta todas estas memórias.
Aquela camisola não foi apenas uma camisola de uma corrida.
Foi o início de uma paixão, de um caminho e de uma vida ligada ao ciclismo.
E hoje, olhando para estas duas camisolas, percebo ainda melhor a dimensão daquela história.
Há camisolas que se vestem.
E há camisolas que carregam uma história. ❤️🚴♂️
Obrigado, Carlos.