26/07/2020
Se no último jogo a contar para o campeonato, o FC Porto fez uma primeira parte morna e uma segunda parte de luxo, ontem na Pedreira foi precisamente o contrário: uma primeira parte bem conseguida e uns segundos 45 minutos que deixaram muito a desejar.
Vamos (literalmente) por partes: nos primeiros 45 minutos e já com o título no museu, os azuis e brancos entraram em campo num 4x3x3 e mostraram muita qualidade a sair desde trás, utilizando o conceito do 3º homem através de constantes triangulações, a ter paciência com bola e a rodar de um lado ao outro (isto nas fases de construção) e com jogadores bastante capazes nas entrelinhas adversárias, já na fase de criação que antecede a última fase, a de finalização. Pena é a necessidade de chegarmos aos últimos jogos do campeonato para vermos futebol bem jogado por parte dos dragões. Esta qualidade de posse e paciência na chegada ao último terço levou o FC Porto a faturar por uma vez antes de sair para os balneários, através de um lançamento lateral cobrado por Manafá para o aparecimento dos criativos: Otávio deu para Corona que tira cruzamento para o aparecimento de Uribe vindo de trás para fazer o primeiro e único da partida para o lado azul, o que permitiu à equipa ir a vencer para o intervalo. Este golo espelha uma situação também ela muito bem trabalhada por Sérgio Conceição: em 4x3x3, o FC Porto coloca, normalmente, o único avançado que tem na área e, na ausência de outro ponta de lança, é um dos médios que vem de trás para aparecer em zona de finalização, já dentro da grande área. Aliás, para além do exemplo do golo de Uribe, temos depois Sérgio Oliveira que acaba também por marcar mas o golo é anulado, o que demonstra que são movimentos trabalhados e pedidos pelo treinador portista.
A segunda parte foi bastante medíocre e o FC Porto mostrou uma vez mais que em termos de resultados é uma equipa bastante regular e consistente, mas em termos exibicionais oscila bastante, sendo capaz do melhor e do pior. O SC Braga engoliu completamente o adversário, o FC Porto, que relaxou e deu a iniciativa de jogo aos bracarenses, recuando as linhas e preferindo mais uma vez defender sem bola do que com ela, deixando de conseguir manter a bola com critério como fez na primeira parte. Consequência direta dessa opção: vitória por 2-1 dos minhotos, que não fosse a grande exibição de Diogo Costa (guarda-redes que, em condições normais ou em condições anormais, tem de ser titular), poderiam ter marcado pelo menos mais um ou dois golos.
Obviamente, havia o desejo de terminar o campeonato a ganhar mas não sendo isso possível é olhar para este jogo, analisar bem a segunda parte, corrigir os erros e preparar bem o jogo da Taça de Portugal frente ao principal rival. Não há desculpas para não ganhar frente ao SL Benf**a, nem sequer as lesões de Díaz e Uribe. Dia 1 de Agosto tem de ser dia de dobradinha, sim ou... sim!