17/10/2025
One more day.
🧠🫀
há quem acorde todos os dias com o mundo a cair por dentro, mas continua a dizer “está tudo bem” só para não preocupar os outros.
há quem não chore em público porque “isso é fraqueza”, “isso assusta”, “isso dá trabalho aos outros”.
há quem vá trabalhar, cuidar dos filhos, sorrir em jantares e ainda assim esteja a desmoronar-se em silêncio.
e o pior nem é a dor, é o medo de ser julgado por tê-la.
vivemos numa sociedade onde é mais aceitável gritar com raiva do que dizer “estou a sentir-me mal”.
onde é mais fácil falar da unha encravada do que de um ataque de pânico.
rotulamos o que não compreendemos. afastamos o que não conseguimos controlar.
e no meio disto tudo, esquecemo-nos que todos temos um limite... um cansaço que não se vê, uma tristeza que não passa, uma corda interna que, às vezes, estica até rebentar.
porque há quem acorde todos os dias a tentar não desistir e ouve “tens é falta de problemas a sério”.
há quem viva debaixo de um peso que ninguém vê e oiça “tens de ser forte. isso passa.”
e há quem olhe para esse peso e chame-lhe “drama”, “panca”, “paranóia”, “preguiça”…
e se fosse uma perna, um braço ou a cabeça partida?
o estigma nasce da ignorância.
e morre no momento em que decidimos olhar, ver, reparar e escutar sem julgar.
estamos sempre a tempo de, em vez de apontar o dedo para julgar ou rotular, estender a mão, doar um bocadinho do nosso tempo e ajudar.