12/04/2016
1. Olá Pinto. Actualmente fazes parte da equipa técnica das seniores do ACL. Como atleta que foste/és, conta-nos como surgiu o andebol na tua vida e porquê a baliza como melhor amiga? (referir clube por onde passaste)
R: Antes de iniciar não poderia deixar passar este início sem agradecer este pequeno espaço, Obrigado. Respondendo á tua pergunta o andebol surgiu na minha vida de uma forma que poderei definir por aí um pouco da minha personalidade, na altura com 9 ou 10 anos decidi ingressar no Lusitanos e no andebol, ao invés de seguir a maioria dos meus amigos que optaram pelo futebol, como sou um pouco alternativo na forma de estar fui para um desporto que tinha pouca dimensão no país. Comecei no Lusitanos e no ano seguinte saí para o N.D.V. S. Hora que militava na altura não 2ª divisão nacional, por duas épocas, depois veio o “salto” saindo para o Boavista FC onde ao fim de meia época na 1ª divisão fui integrando estágios e variados jogos pelas seleções nacionais, saí em seniores provavelmente na pior crise da historia do Boavista para representar o A.A. Avanca um projeto de 1ª divisão recente, passados 2 anos desportivos regressei ao Boavista até á época de 2013/2014. A baliza surge da paixão que sempre tive pelas redes.
2. Soubemos que, mesmo não “estando em campo”, vives muito o jogo. O gosto pela modalidade é notório mas então porquê a paragem na competição enquanto atleta?
R: A paragem, nunca foi uma paragem efetiva, digamos que era intermitente, parado em definitivo estou á duas épocas. Se me perguntares se tenho vontade de jogar, respondo de pronto que sim mas, atualmente as minhas “meninas”, como carinhosamente gosto de as tratar preenchem esse vazio que sinto. Os projetos existentes nos clubes de menor dimensão também não são atrativos para voltar, neste país os clubes pequenos são um pouco subservientes aos chamados grandes, por isso retira interesse aos projetos mais pequenos.
3. Quando aparece a oportunidade de treinar as guarda-redes? E qual foi a principal dificuldade que encontraste enquanto treinador? Já alguma vez o tinhas feito?
R: As guarda-redes aparecem em inícios de novembro quando o treinador e meu amigo pessoal Cesar Couto, ao qual quero deixar aqui um abraço e reconhecendo a sua enorme competência, me convida mencionando que sozinho não tinha tempo para treino específico, recorrendo aos anos de experiência que eu tinha acumulado e gosto pela baliza, lembro-me de ir ver um jogo e querer começar logo a ajudar. Quando surge a oportunidade de colaborar em todo o grupo após a saída do César, a maior dificuldade que encontrei foi a desmotivação do grupo aliado á falta de confiança de algumas atletas, como era a minha 1ª experiência, “bebi” conhecimento com alguns ex treinadores meus que me indicaram como poderia iniciar da melhor maneira esta nova fase.
4. A equipa define-te como sendo alguém motivador e que as apoiou numa altura mais difícil. Enquanto atleta, achas importante essa faceta de “psicólogo” que por vezes os treinadores têm de ter?
R: Sou um motivador, talvez pelo espirito que tento transmitir para o grupo, para mim só existe a palavra ganhar, nessa ideia e concepção do jogo que tenho acho que uma equipa pode não ter muito talento individual mas como se verifica em muitíssimos desportos a maior parte das vezes quando uma equipa é muito superior á outra teoricamente é vencedora mas se o adversário que na teoria é perdedor antes do jogo, estiver motivado, moralizado, com espirito de sacrifício e principalmente disciplinado tacticamente e humilde, em 90% desses casos os pequenos causam surpresas a quem quer jogar em cima de um pedestal. Quero com isto dizer que se as atletas interiorizarem estes pontos muitas alegrias e vitórias estarão para vir no futuro.
5. Esta experiencia enquanto treinador, está a correr conforme as tuas espectativas iniciais em relação à equipa e à época?
R: As minhas espectativas em relação á competição, Campeonato e a Taça que agora decorre, encontram-se completamente atingidas. Não conseguimos atingir a fase final deste campeonato nacional? Não… Iremos ganhar esta Taça? Não sei… O que sei é que o grupo já esteve um grupo como eu gostaria que ainda estivesse mas, acredito que na próxima época poderemos voltar e ter um grupo unido e coeso. Mas, não querendo ferir ex atletas desta enorme instituição que conta com 30 anos, acho muito sinceramente que esta equipa feminina, incluindo as atletas que saíram entretanto, foram, estão a ser e se tiverem vontade irão ser das melhores equipas femininas deste clube em todos os anos da sua história.
6. Ao fazeres parte da equipa técnica desta equipa, naturalmente já se pensa na próxima época. Quais os objectivos que gostavas de ver cumpridos e/ou os esperados?
R: Já respondi tanto aqui como para dentro do grupo, o meu objetivo é ganhar, logicamente que não poderemos ganhar tudo de um ano para o outro mas, o facto de chegar ao final de um jogo, olhar para o resultado e mesmo que seja negativo, saber que as atletas deram tudo que tinham deixa-me satisfeito. Já aconteceu esta época de estarmos no intervalo de um jogo decisivo do campeonato e mesmo estando a discutir o resultado na casa do adversário que ainda não tinha perdido para o campeonato, entrar no balneário e enfatizar só as coisas que estavam a falhar com a intenção de lhes emprestar a motivação em forma de agressividade sobre a disputa da bola resultou no pleno, pois tivemos atletas a chorar de vontade de me bater, o certo é que foram para a segunda parte do jogo e mesmo com argumentos inferiores discutimos o jogo até ao ultimo minuto. Posso ter queimado um pouco o relacionamento com elas é verdade mas, e se lhes dissesse o que me ia na alma no intervalo? Elas iam entrar com o ego cheio e poderiam comprometer o esforço da 1ª metade, abdiquei de um pouco da confiança que tinham em mim para ganhar não aconteceu agora tenho de viver com isso…
7. Transmitiste o teu lado solidário e humanitário às atletas. Nomeadamente com diversos incentivos para doação de sangue, roupa, bens-alimentares… Achas que o desporto – no geral - é um bom ponto de partida para, desde cedo, as formações saberem o que significa ajudar quem mais precisa?
R: O desporto é o meio mais fácil para que se possa ajudar alguém que precisa. Todas as actividades desportivas de cariz solidário são grandes sucessos e seguindo a minha politica de quer aproximar a freguesia do clube temos feito estas acções. Quero também dizer que tenho pena que a nossa equipa não receba o calor das gentes da própria terra devido ao afastamento conduzido nos últimos anos no clube, no entanto temos escalões masculinos a ganhar trofeus e femininos a proporcionar espectáculos de andebol e a lutar por títulos, sendo merecedores de muito mais apoio, a minha ideia é que o clube seja devolvido á freguesia como foi em tempos.
8. Antes de deixares uma palavra de agradecimento a quem nos segue – como vem sendo costume - em nome da Equipa, gostaríamos de agradecer por, juntamente com o Zé Salvador, Patrícia e Nuno Antunes, não teres “baixado os braços” numa altura complicada. Em que para nós, eras simplesmente o treinador das GR e assim, do nada, tiveste que juntamente com os restantes “tocar o barco para a frente”. Pelas palavras de incentivo, motivação, amizade e sobretudo pela dedicação que nos (Lusitanos) tens prestado, OBRIGADO.
RICARDO PINTO: Como agradecimento quero deixar 1º que tudo, um grande obrigado a todas as jogadoras pois se são, um motivo de orgulho para mim é por causa delas, atletas não inscritas também incluidas pois tÊm aumentado o nível de treino. 2º Para todas as pessoas que colaboram nesta equipa Patrícia e Nuno Antunes, José Salvador, Eduardo Basto e muita mais gente que não caberia aqui. Quero agradecer também a quem nos tem apoiado com são os casos, Confeitaria Alfazema Rádio Matosinhos Online - Notícias e Informação Famaopticas e à Realdreams Audiovisuais Em 3º e ainda mais especial, á minha família por me acompanhar nesta viagem!