31/07/2026
A grande maioria dos seres humanos acredita que existe algo para lá da morte. Uns acreditam em Deus. Outros na reencarnação. Outros em almas, espíritos ou numa vida depois de morrer.
Mas muitas dessas crenças existem, talvez porque poucos conseguem aceitar e vivem com medo da outra possibilidade: a de que, quando morremos, simplesmente acaba tudo ali.
Que um dia a luz se apaga. E que a nossa história termina mesmo ali. Sem mais nada. Apenas escuridão.
Talvez seja precisamente o medo dessa escuridão que nos leve a acreditar que existe sempre algo mais.
Mas o que verdadeiramente me faz confusão é outra coisa.
Como é que, sabendo que a vida pode ser tão curta e que ninguém sabe realmente o que existe no fim, há quem escolha passar tanto do seu tempo a destruir a paz, o tempo e a felicidade dos outros?
Como é que há pessoas a desperdiçar dias, meses e anos em guerras de ego, inveja, ódio e pura maldade?
Como é que há pessoas que conseguem deitar a sua cabeça na almofada e dormirem descansadas todas as noites, sabendo que ganham e vivem a sua vida a fazerem bullying escudado de “humor”, sobre a vida ou problemas dos outros?
Como é que há pessoas que se acham no direito de dizer a outra pessoa que ela não pode ser feliz apenas porque é gorda, magra, bonita, feia ou simplesmente diferente daquilo que elas consideram “ideal ou normal”?
Sim. Uma pessoa pode ser feliz com peso a mais, mesmo que isso faça confusão a quem acredita que a felicidade se mede pelos quilos numa balança.
Da mesma forma que pode haver quem encontre felicidade em viver a sua vida de uma maneira que eu nunca escolheria para mim. E ainda bem. A liberdade serve exatamente para isso. Para cada um viver a sua vida, e não para viver a dos outros.
O problema começa quando deixamos de viver a nossa vida para passar a tentar julgar, humilhar e diminuir a vida dos outros.
A grande maioria dos suicidas, são pessoas que chegam ao ponto limite de perderem a vontade de viver por causa do sofrimento que lhes foi causado por terceiros.
E isso devia fazer-nos pensar. A todos.
Há pessoas que nunca levantaram uma arma contra ninguém, mas carregam uma responsabilidade indireta por vidas que se perderam. As palavras também ferem. A humilhação também destrói. O bullying também mata.
Daqui a duzentos anos, a esmagadora maioria de nós terá desaparecido da memória do mundo. Os nossos nomes serão esquecidos. As nossas discussões deixarão de importar. As maioria das nossas vitórias e derrotas serão apenas pó.
Por isso, há muitos anos que fiz uma escolha.
Ser diferente.
Quero viver de forma a deixar uma marca. Quero que a minha passagem por este mundo tenha significado para alguém.
Se, daqui a duzentos anos, ainda houver uma única pessoa que saiba quem eu fui ou que tenha sido inspirada por alguma coisa que deixei, então, mesmo que para mim tudo tenha terminado no dia em que fechei os olhos pela última vez, cumpri a minha missão aqui.
Porque, no fim, mais importante do que aquilo em que acreditamos sobre a morte… é aquilo que fazemos com a vida enquanto a luz ainda está acesa.