Gustavo Pires

Gustavo Pires Olimpismo & Desporto

Paulo Cipriano BadajozAproveito, com a devida vénia, o texto do Colega Pedro Mendes para aqui deixar um sentimento de pe...
03/02/2026

Paulo Cipriano Badajoz
Aproveito, com a devida vénia, o texto do Colega Pedro Mendes para aqui deixar um sentimento de pesar pela morte do Paulo. Tenho para mim que os elogios dos antigos alunos são a expressão mais fiel do perfil de um professor.
Nos últimos anos convivi intensamente com o Paulo, sobretudo depois de ele ter sido, de forma ignóbil, afastado da academia. E o Paulo, sem mágoas nem azedumes, fez-se à vida.
Como alguém aqui no Facebook já referiu, o Paulo era um ecletista, dominando como poucos uma enorme variedade de problemáticas no âmbito da educação física e do desporto, que iam da educação motora à gestão, passando pela biologia do treino, a condição física dos árbitros e por trabalhos em modalidades tão distintas como o boxe e o surf. Eu, que toda a minha vida profissional foi na área da gestão, aprendi imenso com o Paulo.
Perante a adversidade, voltou a fazer-se à vida e foi trabalhar para o México e, mais tarde, para a Guiné-Bissau, onde deixou um trabalho notório e reconhecido pelo Presidente do Comité Olímpico da Guiné Bissau o Dr. Sérgio Mané.
O Paulo era um lutador. Visitei-o no hospital há mais ou menos dois meses e pude constatar que, mesmo em condições de saúde muito difíceis, não largava a toalha. Falámos de projetos futuros, como se o tempo estivesse sempre do nosso lado. Foi para mim um enorme prazer que me f**ará para a vida ver que ele ficou bem satisfeito por me ver.
As nossas conversas telefónicas, sobre tudo e mais alguma coisa, eram intermináveis. Ele esgotava-me ao ponto de eu f**ar mais ou menos KO e ter de lhe dizer:
— Paulo, esgotámos o nosso tempo.
Tenho para mim que, na sua nova vida, já estará certamente envolvido em novas discussões e projetos para um novo futuro. Espero que, desta feita, esteja numa posição de liderança, porque aqui, no planeta Terra, ele — que foi um leão — teve o azar de, demasiadas vezes, ter sido dirigido por autênticos burros.

Meia Bola e Força III. A falácia do quanto mais dinheiro melhores serão os resultados…Qualquer pessoa minimamente indepe...
02/02/2026

Meia Bola e Força III. A falácia do quanto mais dinheiro melhores serão os resultados…
Qualquer pessoa minimamente independente, com alguma memória histórica do desporto nacional e um sentido elementar de coerência na utilização do dinheiro público, reconhece na recente prosa do Secretário de Estado do Desporto uma melodia bem conhecida. Trata-se de um discurso afinado, reconfortante e repetitivo, semelhante ao que tem acompanhado sucessivos Governos, cuja principal virtude é a capacidade de amansar dirigentes e públicos já habituados a confundir intenção com política pública.
O anúncio do Sr. Secretário de Estado de um reforço de 30% do apoio estatal às denominadas bolsas olímpicas e paralímpicas surge envolto numa retórica de ambição e compromisso. No entanto, quando desligado de uma estratégia clara e hierarquizada, que não se encontra explicitada no atual Plano Nacional de Desenvolvimento do Desporto, esse reforço financeiro transforma-se num simples acto de fé orçamental. A regra elementar segundo a qual a orgânica deve seguir a estratégia inverte-se aqui de forma curiosa. A orgânica cresce, mas a estratégia continua ausente, o que signif**a que as pessoas mais frágeis e dependentes tenderão a f**ar subordinadas a uma lógica burocrática cuja finalidade pública e mecanismos de responsabilização não se encontram claramente definidos.
No domínio do desporto paralímpico, a questão assume contornos particularmente delicados. A introdução de novas soluções organizativas, tradicionalmente com base em critérios subliminares predominantemente economicistas, ignora a diversidade funcional e social da deficiência e aproxima o sistema de uma lógica estritamente utilitarista. Privilegiam-se os perfis com maior potencial medalhável, deixando na sombra os restantes. A história do desporto europeu aconselha prudência sempre que a eficiência competitiva, por motivos políticos, se sobrepõe à dimensão humana.
O problema não é retórico, é empírico. As bolsas atribuídas no ciclo que conduziu aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 apresentaram uma taxa de sucesso modesta, na ordem dos 53%. Ainda assim, anuncia-se um aumento signif**ativo do financiamento sem que seja previamente apresentado um balanço crítico sério sobre a eficácia do modelo. Num país onde cerca de um quinto dos jovens vive no limiar da pobreza, a ausência de qualquer análise do perfil socioeconómico das equipas olímpicas levanta uma questão legítima. Estamos a financiar desenvolvimento desportivo ou a subsidiar trajectórias já de si socialmente privilegiadas?
O próprio Secretário de Estado esclarece que “devemos apontar para métricas razoáveis e atingíveis”. A formulação parece sensata, mas revela uma cultura inculta que se defende a nivelar por baixo. Esta mediocridade estratégica não é responsabilidade dos atletas nem dos treinadores. É consequência direta de décadas de tutela política exercida sem conhecimento histórico-epistemológico, sem competência técnica, sem visão de longo prazo e sem prospetiva estratégica, substituindo decisão pública pelo improviso da gestão por impulsos e produzindo baixa aprendizagem institucional e erosão da responsabilidade pública, como f**a demonstrado na entrevista em análise.
Talvez fosse útil recuperar a lição da prospetiva formulada por Gaston Berger. Para Berger, pensar o futuro não é apenas prever através de umas métricas sem fundamentação teórica, mas agir com lucidez. Implica ver longe, pensar com amplitude, analisar em profundidade, assumir riscos com lucidez e, sobretudo, colocar o homem no centro das escolhas. Nada disto se encontra na atual governação do desporto.
Os números ajudam a clarif**ar o debate. Em Atenas 2004, com um orçamento de 10,9 milhões de euros, Portugal apurou 81 atletas, participou em 15 modalidades e conquistou três medalhas genuinamente produzidas pelo sistema nacional, com um custo médio de cerca de 135 mil euros por atleta. Vinte anos depois, em Paris 2024, com um orçamento de 22 milhões de euros, apuraram-se 73 atletas, participou-se em menos modalidades do que o inicialmente previsto e conquistaram-se, novamente, três medalhas nacionais. O custo médio por atleta quase triplicou e o custo por medalha ultrapassou os sete milhões de euros.
Se esta comparação temporal já desmonta a crença na linearidade entre despesa e resultados, o quadro europeu torna a conclusão ainda mais difícil de escamotear. A figura que enquadra esta análise posiciona os países da UE-24 segundo duas médias do período 2004–2024. A DESPESA pública por praticante real, medida em euros por praticante, e o ND BCP 2.0, expresso em percentagem. As linhas médias funcionam como esquadria analítica e geram quatro quadrantes interpretativos.
No quadrante de baixa DESPESA e alto ND surgem casos como a Eslovénia, que sugerem capacidade estrutural para transformar recursos limitados em desempenho comparativamente elevado. No quadrante de alta DESPESA e alto ND encontram-se países como Suécia, Finlândia, Dinamarca, Áustria e Países Baixos, onde o investimento elevado convive com resultados signif**ativos, o que não prova causalidade, mas indica coerência sistémica e estabilidade de base. O quadrante de baixa DESPESA e baixo ND integra países como Roménia, Bulgária, Polónia, Irlanda, Eslováquia e Lituânia, com dificuldades simultâneas na mobilização de recursos e na conversão estrutural. O quadrante politicamente mais sensível é o de alta despesa e baixo ND, onde a despesa é elevada, mas o resultado médio f**a aquém do referencial. É aqui que se colocam, entre outros, Bélgica, França e Hungria, sinalizando risco de ineficiência relativa e de conversão erosiva.
Portugal surge igualmente no quadrante de alta DESPESA e baixo ND. A leitura não depende de uma opinião sobre atletas ou treinadores. Depende do lugar do país numa grelha comparada que relaciona esforço financeiro público com resultado sintético do sistema a partir de dados oficiais. O posicionamento sugere que o problema central não é a escassez de recursos. É a fraca capacidade de converter recursos em estrutura, e estrutura em desempenho sustentado. Nestas condições, a promessa de “mais 30%” tende a ser apenas mais uma variação da mesma melodia, com maior volume, mas com igual pobreza de composição estratégica, reduzida, no essencial, a atirar dinheiro para cima dos problemas.
A conclusão é desagradável, mas clara. O problema do desporto nacional não é a escassez de recursos. É a ausência de conhecimento, competência e coragem política para transformar investimento em estratégia, estratégia em estrutura, e estrutura em resultados sustentáveis. A última coisa de que o desporto nacional necessita é de tutelas que substituem o conhecimento e a avaliação por anúncios, e a decisão pública por improvisos.
Enquanto o desporto continuar a ser tratado como instrumento de retórica e de curto prazo, ao serviço de estratégias governativas de natureza demagógico-populista, a música pode mudar de intérprete, mas continuará a fazer recordar a orquestra do Titanic a tocar enquanto o navio se afundava.

Meia Bola e Força II. Cultura Inculta… Sobe o Signo da Margarida no País das Maravilhas.Portugal produz formação univers...
31/01/2026

Meia Bola e Força II. Cultura Inculta… Sobe o Signo da Margarida no País das Maravilhas.
Portugal produz formação universitária em matéria de desporto, no âmbito da educação, do treino e da gestão, há décadas. O Instituto Nacional de Educação Física foi fundado em 23 de janeiro de 1940. Todavia, antes e depois do 25 de Abril, é difícil identif**ar um padrão consistente de integração, no topo da decisão política, de quadros com formação especializada e trajeto académico no sector. Ao longo de mais de trinta Governos, a tutela do desporto tem sido, com frequência, atribuída por critérios que parecem independentes do conhecimento técnico e cultural acumulado pelas universidades.
Em consequência, o que se observa recorrentemente é a entrada tardia de responsáveis políticos no domínio do desporto, sem curva de aprendizagem minimamente compatível com a complexidade do sector. Pouco depois, instala-se um discurso de opinião abrangente sobre praticamente tudo, incluindo matérias em que a decisão pública exige definição conceptual, escolha de indicadores e critérios de avaliação, uma vez que está em causa despesa financiada por contribuintes.
E, perante um silêncio persistente de muitos profissionais de educação física e desporto saídos das universidades, a política desportiva nacional e as consequentes políticas públicas têm-se tornado terreno fértil para demagogia, para retórica de ocasião e para uma sucessão de prioridades sem diagnóstico. Este padrão ficou exemplarmente expresso no Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo que, sem racionalização explícita do sistema desportivo, consagrou o combate à obesidade infantil como eixo central do discurso de política desportiva, como se a missão do desporto pudesse ser reduzida a uma meta sanitária, desligada da cultura, da estrutura e da cidadania.
Para Bernard Jeu (cf. Le Sport, la mort et la violence), as raízes do desporto moderno remontam aos mais recônditos tempos, quase como se acompanhassem a própria fundação do mundo. O desporto só se compreende plenamente quando é observado como memória cultural, rito social e matriz identitária, isto é, como um fenómeno a que a cultura atribui signif**ado. É por isso que os debates públicos, recorrentes e por vezes ideologicamente carregados, sobre o lugar simbólico de Pierre de Coubertin na narrativa olímpica contemporânea são mais do que folclore. Quando o património histórico é tratado como detalhe dispensável, ou quando se substitui genealogia por marketing ideológico, o que se revela não é elevação ética, é incapacidade cultural. E quando essa incapacidade se instala em estruturas olímpicas e desportivas, o resultado é simples. O Movimento Olímpico, em muitos países, passa a ser conduzido por agentes sem competência demonstrada para sustentar, com rigor, a herança que administram.
O desporto é muito mais do que um conjunto de técnicas no âmbito do treino e da competição, ou do que uma série de procedimentos de ordem logística. A logística, sem um quadro cultural subjacente, não passa de burocracia. Isso percebe-se se alguém tiver paciência para ler centenas de páginas de programas de preparação olímpica e relatórios de missão de Jogos Olímpicos em ciclos recentes, documentos que, muitas vezes, descrevem tarefas, cronogramas e deslocações, mas raramente exibem um modelo, uma teoria de mudança, indicadores verificáveis e critérios de responsabilização.
Quando não se sabe de onde se vem, é impossível compreender onde se está e jamais se será capaz de prospetivar para onde se deve ir.
Continuando na entrevista que o Sr. Secretário de Estado do Desporto deu ao Diário de Notícias, em 22 de janeiro de 2026, o responsável do desporto nacional produziu uma afirmação que representa bem o estado a que a cultura inculta do desporto nacional chegou.
Disse ele: “Temos métricas para perceber a relação entre o praticante de base e a elite. São da ordem de quatro atletas de elite para cada dez mil praticantes de base”.
A frase revela, simplesmente, que, ao contrário do que afirma, não existe compreensão metodológica do que está a ser dito. Uma “métrica” não é um número pronunciado em voz alta. É uma definição operativa que exige, pelo menos, conceito, universo, fonte, método e finalidade. Sem isso, o que se apresenta como evidência não passa de retórica com números.
A dita métrica foi referida em 1973 como hipótese de trabalho, no âmbito dos trabalhos do Conselho da Europa relativos à racionalização das políticas em matéria de desporto, coordenados por Benito Castejón Paz. Bastariam duas operações de divisão para perceber que o rácio 4 por 10 000, do ponto de vista do índice que dele decorre, não passou de uma hipótese heurística, não de um parâmetro científico, nem de um critério normativo. E bastaria acrescentar uma pergunta para o rácio colapsar por si próprio. O que é elite, com que critérios, em que universo estatístico, com que fonte, e com que definição de praticante.
Esse rácio foi utilizado em Espanha (cf. Livro Verde do Desporto Espanhol), a fim de determinar, a olho nu, o valor da elite ideal. Por motivos óbvios, foi sendo abandonado. Um rácio só tem interesse quando garante comparabilidade. Sem comparabilidade, é apenas conversa com números, isto é, uma forma de retórica disfarçada de métrica. Ao tempo, essa comparabilidade era frágil, por razões metodológicas e estruturais que, por economia de paciência do leitor, me dispenso de desenvolver.
Por isso, foi com surpresa que tomámos conhecimento de que o Sr. Secretário de Estado do Desporto avançou com o rácio de 4 por 10 000 sem contraditório jornalístico minimamente competente, do seguinte modo. “Em algumas das nossas modalidades, nós teríamos muita dificuldade em exigir medalhas porque sabemos não existirem dez mil praticantes em grande parte das modalidades”.
A frase é reveladora por duas razões. Primeiro, porque transforma um número histórico e hipotético com mais de cinquenta anos num critério de avaliação política, como se o desporto fosse uma máquina com uma tabela universal de rácios. Segundo, porque usa a inexistência de dez mil praticantes como argumento para reduzir a exigência de resultados, quando o problema sério não é exigir ou não exigir. O problema sério é não se saber o que se está a medir, nem o que se está a comparar, nem o que se pretende racionalizar. E basta avaliar o quadro macro do desenvolvimento estratégico do desporto da UE para se compreender que o rácio não tem qualquer utilidade.
O que não é de estranhar, na medida em que um país que coloca o combate à obesidade infantil no centro do seu discurso desportivo e cujo Secretário de Estado afirma, com candura, que “achamos que os nossos projetos são todos estratégicos”, é um país que não sabe o que quer. E quando não se sabe o que se quer, o destino mais provável é chegar a lado nenhum. (continua)

Meia Bola e Força. A cultura do futebol a capturar o Movimento Olímpico...A política desportiva sem estrutura ética e as...
29/01/2026

Meia Bola e Força. A cultura do futebol a capturar o Movimento Olímpico...
A política desportiva sem estrutura ética e as políticas públicas sem verdadeira autenticidade, conduzidas por impulsos e à margem de diagnósticos competentes centrados nos interesses reais das populações, já não são exceção. São a regra que tem dominado o mundo do desporto. Em Portugal, nos últimos vinte e cinco anos, essa lógica institucionalizada gerou uma cultura desportiva de mediocridade que corrói desde a prática de base até ao alto rendimento e ameaça a própria independência do sistema desportivo nacional.
A entrevista do Sr. Secretário de Estado do Desporto, que, pelos vistos, se entregou às delícias do golfe, tema que poderíamos explorar ao estilo do "agora o meu cavalo só fala inglês” em vários capítulos, suscita-nos algumas questões que passamos a indicar.
Saberá o Sr. Secretário de Estado do Desporto que, ao anunciar a junção dos Comités Olímpico e Paralímpico, se está a meter em assuntos que ultrapassam as suas competências?
Se a questão é assim tão importante para o Governo, por que razão o Sr. Secretário de Estado do Desporto não a fez constar no sublime Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo?
Estas duas perguntas levam-nos a duvidar se o Sr. Secretário de Estado do Desporto já teve tempo para ler.
• A Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto.
• A Carta Olímpica.
• Os Estatutos do Comité Paralímpico Internacional.
• Os Estatutos do Comité Olímpico de Portugal.
• Os Estatutos do Comité Paralímpico de Portugal.
É pena que o Sr. Secretário de Estado, que já ultrapassou um ano de mandato e que, tal como os seus antecessores, provavelmente já se julga detentor de todo o saber, não tenha anunciado, no seu Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo, que as questões orgânicas devem prevalecer sobre quaisquer outras, incluindo as que dizem respeito aos aspetos humanos.
Ora, o que acontece é que os Comités Olímpico e Paralímpico, se, do ponto de vista ontológico, cada um deles levanta questões próprias e profundas sobre o sentido da vida e do próprio ser humano, do ponto de vista semântico conduzem a interpretações singulares acerca do sentido da ação, em diferentes contextos e de acordo com as singularidades de cada um.
Com o devido respeito, deixe-me dizer-lhe, Sr. Secretário de Estado, tudo isto faz-me lembrar as velhas experiências de Summerhill, “Hey Teacher, leave the kids alone”, quando, em tom de humor, se dizia que deviam ser os próprios alunos a conduzir o autocarro escolar. Só que agora, para além daqueles que, por qualquer razão, tudo fazem para ir ao baile do orfanato, já nada do que se passa no desporto e até no País pode ser considerado piada. Continua.

Contributos para se compreender o Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo ...
24/01/2026

Contributos para se compreender o Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo ...

Não é o PS nem o PSD. É o Bloco Central dos interesses que conduziu o País a esta situação bem representada no mundo do ...
24/01/2026

Não é o PS nem o PSD. É o Bloco Central dos interesses que conduziu o País a esta situação bem representada no mundo do desporto que hoje é um autêntico laboratório social. Está lá tudo.

Este cabrãozinho, como diria o Capitão Acácio Pimenta Bação (já falecido) que comandou a Companhia 2723 no Norte de Ango...
23/01/2026

Este cabrãozinho, como diria o Capitão Acácio Pimenta Bação (já falecido) que comandou a Companhia 2723 no Norte de Angola (de que fiz parte), em matéria de coragem apresenta um currículo brilhante:
Donald Trump não prestou serviço no Vietname. Os registos oficiais mostram que ele recebeu cinco adiamentos do recrutamento — quatro por estar na universidade e um por alegadas “bone spurs” nos calcanhares, o que o classificou como inapto para servir.
Grande cabrão.

De acordo com os números oficiais do Reino Unido, 405 das 457 baixas britânicas que morreram no Afeganistão foram mortas em ações militares hostis.
➡️ https://l.euronews.com/c2or

Haja coragem...As baratas‑tontas da direita oportunista, sôfrega e desorientada estão a fugir para os braços de uma esqu...
22/01/2026

Haja coragem...
As baratas‑tontas da direita oportunista, sôfrega e desorientada estão a fugir para os braços de uma esquerda cunhalista, nostálgica da segunda metade dos anos setenta, agora aconchegada junto de António José Seguro, que sempre desprezou. Quem viveu aqueles anos de chumbo sabe bem o que representaram. Por isso mesmo, e em nome da defesa do regime democrático, é necessário votar em André Ventura.

P***a Miséria...Há pouco mais de 10 anos a nomenklatura desportiva estava muito escandalizada porque os Jogos da Lusofon...
21/01/2026

P***a Miséria...
Há pouco mais de 10 anos a nomenklatura desportiva estava muito escandalizada porque os Jogos da Lusofonia "eram em inglês". Hoje, pelos vistos, temos uma nomenklatura muito british. Como não existe um correspondente inglês para "p***a miséria" ... direi apenas: BLOODY HELL.

Nem no tempo da Outra Senhora ...O que se aguarda pacientemente é o KICK-OFF desta gente. Pelo andar da carruagem já não...
20/01/2026

Nem no tempo da Outra Senhora ...
O que se aguarda pacientemente é o KICK-OFF desta gente. Pelo andar da carruagem já não deve faltar muito.

O Senhorito Satisfeito de Ortega na Governação do Desporto NacionalO fenómeno mais inquietante das políticas públicas de...
16/01/2026

O Senhorito Satisfeito de Ortega na Governação do Desporto Nacional
O fenómeno mais inquietante das políticas públicas desportivas contemporâneas não reside na ignorância em si, mas na sua institucionalização tranquila, olimpicamente administrada com a leveza irresponsável que Ortega y Gasset atribui ao senhorito satisfeito. Não se trata do ignorante modesto, consciente das suas limitações e, ainda assim, competente no seu ofício. Trata-se do ignorante triunfante, aquele que desconhece a complexidade do mundo que herdou e, paradoxalmente, se sente legitimado para o dirigir. No desporto português, esta figura manifesta-se na metamorfose político-associativa em que a aparência de ação substitui a decisão e o resultado, e o marketing suplanta a substância.
As políticas públicas desportivas configuram hoje um ecossistema de rotinas absurdas, um ambiente onde tudo é familiar, previsível e socialmente integrado, precisamente o habitat ideal do senhorito. Para Ortega, o perigo não reside na massa enquanto tal, mas na sua integração acrítica, quando o costume deixa de ser escolha e se converte em destino. No desporto, esta lógica traduz-se numa liturgia burocrática de planos e programas, comissões e eventos, comunicados e reformas anunciadas, calendários e cerimónias, fotos de família, condecorações, honoris causa e quejandos. Preserva-se a forma e evapora-se o propósito. A máquina exibe serviço, mas o serviço não serve para nada, nem para coisa nenhuma. Basta referir o episódio recente, quase antropológico, em que se anuncia, com solenidade governamental, em janeiro de 2026, um evento supostamente agendado para janeiro de 2025, ou recordar um compromisso oportunista que, por mera desvergonha, degenerou em nepotismo póstumo.
É neste cenário que o senhorito de Ortega se revela em pleno. Não cria, não melhora, não questiona. Limita-se a ocupar o lugar, a usufruir do estatuto e a proteger os seus, bem como o seu pequeno território simbólico. A política desportiva converte-se, assim, num palco onde a vaidade suplanta a competência e onde a responsabilidade se dissolve no coletivo, expressão perfeita da irresponsabilidade essencial do homem-massa descrita por Ortega.
A incompetência, longe de ser exceção, estabiliza-se como padrão socialmente tolerado. Não porque passe despercebida, mas porque é distribuída por múltiplos níveis, protegida por uma linguagem nebulosa e recompensada pela manutenção da paz institucional. Esta paz, muitas vezes, é sustentada por uma cultura de descaramento político. É o triunfo do senhorito desportivo, aquele que exige tudo, oferece pouco e se indigna quando lhe pedem prestação de contas. A feira de vaidades do nacional olimpismo é apenas a versão desportiva do direito ao capricho do homem-massa.
A burocracia, agora reforçada pela tecnologia, torna-se ainda mais impermeável. Ortega diria que o senhorito, ao apropriar-se dos instrumentos modernos, não os utiliza para elevar o pensamento, utiliza-os para blindar a sua própria mediocridade. A avaliação é tratada como ameaça, a transparência como risco, e quem questiona é rapidamente rotulado de perturbador, não por ser perigoso, mas por ser inconveniente.
A superestrutura do desporto está repleta de senhoritos ou, para recuperar a expressão de António Barreto, de aparelhistas. São indivíduos sem obra, sem currículo e, ainda assim, dotados de uma extraordinária capacidade de ocupar espaço. São senhoritos da burocracia, herdeiros de um sistema que não construíram, mas que administram com a ligeireza de quem acredita que o mundo existe para lhes servir de palco.
No fundo, a patologia não é apenas individual. É sistémica. O senhorito satisfeito não governa sozinho. Governa porque o sistema foi desenhado para o acolher, para o promover e, sobretudo, para o proteger. A regra tácita é simples. Não perturbar a ordem instalada, não introduzir critérios verificáveis, não sujeitar decisões a avaliação independente, não exigir responsabilidade pessoal. Tudo o que seja método é percebido como agressão. Tudo o que seja evidência é recebido como afronta. Tudo o que seja exigência é classif**ado como radicalismo. E isto não é um desvio. É um método. E assim se consolida um regime de normalidade burocrática onde a mediocridade não é um acidente, mas uma forma de estabilidade.
Daí a ironia maior. Enquanto o discurso oficial proclama missão, valores e futuro, o que se reproduz, dia após dia, é a política mínima da conservação, uma administração do presente reduzida a calendário, protocolo e cerimónia e planos perfeitamente absurdos. O desporto, que deveria ser um instrumento de elevação cultural, cidadania e excelência, f**a reduzido a uma estética de governação, a um teatro de intenções sem consequências. Não se trata de falta de meios como recentemente referia Luís Monteiro. Trata-se de falta de obrigação moral perante o país. A consequência é sempre a mesma. Um sistema que se autopreserva, mas não desenvolve, que se autocelebra, mas não entrega, que fala de todos, mas serve poucos.
O senhorito satisfeito é, por isso, mais do que uma personagem. É uma categoria política. É o tipo humano que transforma a governação em usufruto e a função pública em cenário. E enquanto esta figura continuar a ser socialmente tolerada e institucionalmente recompensada, a pergunta decisiva não será como reformar o desporto nacional. A pergunta decisiva será outra. Como é que um país pode aceitar, com serenidade, que a sua política desportiva seja dirigida por quem não sabe, não quer saber e, ainda assim, se sente no direito de mandar.

AO QUE CHEGÁMOS ... Quando aqueles que governam não falam português e, nem sequer, acertam nas datas  o mínimo que lhes ...
16/01/2026

AO QUE CHEGÁMOS ... Quando aqueles que governam não falam português e, nem sequer, acertam nas datas o mínimo que lhes podemos pedir é que se demitam.

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