28/05/2026
No outro lado do tempo.
No registo fotográfico , parte do centro da povoação da Praia de Vieira, início da década de 60...
Fecho os olhos e adormeço
E viajo no passado
Direitinho ao endereço
Minha Praia,meu regalo
Começo ao pé do cinema
Onde nas noites de Verão
Parecia Ipanema
Tal era a multidão
Muita gente para ver
Filmes, que hoje não há
E ao intervalo beber
A ginja ,com o trinitá
Julio Crespo no melhor
Nos bilhetes e no bar
Mostrava que era Senhor
Este homem de encantar
Saí e a rua desci
Encontrando uns palecos
Parei e não resisti
E fui jogar aos matrecos
Chamava-se ti Amélia
Esta senhora patroa
Linda como uma camélia
Com um palavreado à toa
Senhora no seu mandar
Esta linda ti Amélia
Dava-nos as pressões de ar
Onde os tiros eram tragédia
Pois os canos eram tortos
E o chumbo a desviar
Faziam nos os olhos tortos
Para o alvo acertar
Continuo o meu caminho
No largo da biblioteca
Havia tanto povinho
Que pra passar era seca
A câmara no seu melhor
Um palco tinha instalado
E um Festival de Folclore
Deixava o povo encantado
E subi a rua acima
Com ambiente infernal
Na taberna ali da esquina
Do Venceslau e Leal
Era a rua das conquistas
A rua que já foi ouro
A rua da Boavista
Ladeadas de tesouros
Havia de tudo um pouco
Nas noites quentes de verão
E era a rua dos loucos
Com tanta animação
Havia vida na rua
Nos cafés e restaurantes
Turistas e falcatruas
Estrangeiros e emigrantes
Uma Praia a abarrotar
Nas noites quentes de Verão
Com as palecas a dar
O mote e a direção
Discoteca Riomar
Era o Destino da noite
E as palecas engatar
Com beijos e sem açoites
Havia vida na Praia
Havia nomes famosos
Havia noites de raia
Lá no beco dos teimosos
Restaurante Miramar
Caldeirada à fragateira
Era a marca a respeitar
Cà na Praia da Vieira
Mas tantas recordações
Das Festas do emigrante
Dessas lindas procissões
E desses milhares de gentes
Tanto havia pra contar
Na Praia dos meus amores
A faina , o barco a pescar
Minhas gentes,pescadores
E hoje eu acredito
Que um dia de novo virá
O que hoje aqui foi escrito
E a Praia jubilará
Porque não pode morrer
Esta Praia que sofreu
E temos de lhe agradecer
O que ela já nos deu
* Versos do Filho da Terra , emigrante em França , Rui Manuel Pedrosa
Rui Filipe