30/08/2026
Em menos de um mês, duas tragédias vieram agitar o sossego e relembrar as leis da impermanência, revivendo o Nepal e Tibete, países que percorri atravessando essas mesmas fronteiras que hoje são escombros e esperança. O coração f**a sempre lá, pelo menos uma parte ou então parte da gente e da terra vem connosco. Quando sobes tão alto, quando vais ao topo do mundo, quando vives no Himalaya, nada f**a igual e a montanha agiganta-se na sua força que também passa a ser a tua. A morada dos Deuses, o deslumbramento dos seus lagos, a respiração que f**a difícil, o olhar penetrante das gentes, o leite de iaque, a manteiga de iaque, o frio insuportável da noite que não deixa dormir. Porque é que procuramos isto? Porque é que, algumas pessoas, nos sentimos atraídas pelo extremo, pela dificuldade, pela renúncia, pela austeridade, pela escassez, pelo bruto e pelo cru?
Despedimos a Nirmal Purja MBE - NIMSDAI há menos de um mês e este último grito da natureza é bem mais cruel e global, como tantos outros ultimamente, que deveriam fazer refletir e provocar mudanças mas não o vão fazer.
Pelo momento, para lá se dirigem os meus melhores pensamentos e desejos, para o seu povo que sempre me acolheu com um olhar caloroso, as mãos juntas e cheias de flores.
Que as montanhas vos protejam, que os caminhos se abram e que a terra encontre finalmente alguma paz. Namaste, Nepal.
Om Mani Padme Hum
🙏🇳🇵🍀🪷