04/07/2026
Há 17 anos, a minha mãe levou-me a montar a cavalo pela primeira vez. Não passei do volteio, nunca tinha montado sozinha e nem sequer saí do picadeiro.
No ano seguinte, sem grandes planos, levou-me ao meu primeiro passeio no monte. Cada uma com o seu cavalo. Eu, sem nunca ter saído de uma pista, tinha apenas uma missão: acompanhar o trote.
Sem aulas, sem técnicas, aprendi a ouvir o cavalo, a confiar no instinto e a desenrascar-me. Descobri que a minha praia nunca foi o perfeito; foi o improviso, a liberdade e tudo aquilo que me obrigava a crescer.
Dos 8 aos 14 anos vivi para isto. Caminho de Santiago, acampamentos, banhos com cavalos, montar a pelo, trilhos, jogos… tudo o que me permitisse estar ao lado deles. Aos 14 experimentei a competição, os saltos e as aulas de equitação. Achei que aquele mundo não era para mim, mas afinal também havia espaço para mim na disciplina.
Aos 17, a minha mãe tornou-se professora de equitação e abrimos juntas o nosso centro equestre.
Depois veio a faculdade, a enfermagem e a vida. Os cavalos passaram a ficar para os verões, para os passeios turísticos e para ajudar quem os queria descobrir.
Aos 23 anos, numa fase em que precisava de respirar, dediquei uma primavera e um verão aos ATL do centro equestre. Sem dar por isso, reencontrei a criança que montava a pelo, que se ligava ao cavalo antes de pensar na técnica e que era feliz simplesmente por estar ali, criei os ATL de verão.
Este ano, depois de outra pausa necessária da enfermagem, a minha mãe convidou-me para este passeio. Mais de 200 cavalos, estilo livre, sem pressa, só aproveitar o meu cavalo e o caminho.
E, de repente, lembrei-me da sensação que tinha esquecido.
Há paixões que não desaparecem. Ficam apenas à espera que a vida nos devolva a elas.
Esta foi, continua a ser e será sempre a minha praia. 🌿