02/09/2026
Ontem, numa conversa com a minha terapeuta energética, ouvi uma coisa que me ficou a ecoar por dentro. Foi quase um alerta: talvez os nossos sonhos não desapareçam. Talvez sejamos nós que, no meio do quotidiano, deixamos de lhes dar espaço. Fiquei a pensar nisso.
É muito fácil dizer que já não temos sonhos, que perdemos a motivação ou que já não sabemos o que queremos. Mas será mesmo que deixámos de querer? Ou será que a nossa vida ficou tão preenchida por aquilo que é urgente, necessário e esperado de nós que aquilo que é verdadeiramente importante foi f**ando para trás?
O dia a dia tem uma capacidade enorme de ocupar tudo. Há o trabalho, a casa, os filhos, os pais, as contas, as responsabilidades, as pessoas que precisam de nós e todas aquelas pequenas coisas que parecem não poder esperar. Vamos respondendo ao que aparece e, muitas vezes sem darmos conta, passamos a viver sobretudo em função do que precisa de ser feito.
E os nossos sonhos f**am para depois.
Depois, quando houver mais tempo. Quando houver mais dinheiro. Quando os filhos crescerem. Quando o trabalho estiver mais tranquilo. Quando estivermos menos cansadas. Quando a vida finalmente nos der uma oportunidade.
Só que esse momento pode nunca chegar.
E talvez seja aqui que exista uma questão mais profunda do que simplesmente “não ter tempo”.
Porque aquilo que priorizamos também está relacionado com o espaço de consciência que temos disponível para reconhecer aquilo que é importante para nós.
Quando vivemos constantemente em modo de resposta, em modo automático, ocupadas a resolver, cumprir e cuidar, a nossa atenção f**a voltada para fora. Vamos funcionando. E podemos funcionar muito bem. Podemos ser extremamente competentes, responsáveis e presentes para os outros e, ao mesmo tempo, estar cada vez mais afastadas daquilo que desejamos para nós.
É possível ter uma vida cheia e sentir que alguma coisa está vazia.
Foi esta ideia que aquela conversa me fez olhar de outra maneira. Talvez a pergunta não seja apenas “Quais são os meus sonhos?”. Talvez seja primeiro:
“O que aconteceu entre mim e os meus sonhos?”
Em que momento deixei de lhes dar espaço? Em que momento comecei a considerar mais importante aquilo que os outros precisavam de mim do que aquilo que eu precisava de viver? Que crenças fui construindo acerca do que era possível para mim? E quantas vezes chamei “realismo” àquilo que, no fundo, era medo, cansaço ou uma vida demasiado ocupada para poder imaginar outra possibilidade?
Estas perguntas podem ser desconfortáveis porque nos obrigam a olhar para a nossa participação na forma como estamos a viver. Mas não para nos culparmos.. pelo contrário. Para compreendermos.
Na perspectiva da psicologia analítica, o desenvolvimento de uma pessoa não passa apenas por adaptar-se cada vez melhor ao mundo exterior. Existe também um movimento de aproximação àquilo que somos interiormente, àquilo que Jung chamou individuação. É um processo de nos tornarmos mais inteiras, reconhecendo partes de nós que foram f**ando esquecidas, reprimidas ou simplesmente sem espaço para se desenvolver. E talvez os nossos sonhos façam parte dessa linguagem interior, não necessariamente como desejos concretos que temos de realizar literalmente, mas como sinais daquilo que procura expressão em nós.
Um sonho de viajar pode falar de liberdade. Um desejo de criar pode falar de expressão. A vontade de mudar de trabalho pode revelar uma necessidade de sentido. O desejo de ter mais tempo sozinha pode estar a revelar uma necessidade profunda de voltar a ouvir-se.
Por isso, talvez não devamos olhar para os sonhos apenas como objetivos que temos de alcançar. Podemos também escutá-los como mensagens sobre aquilo que está a faltar na nossa vida e é aqui que o acompanhamento pode ser importante.
Não para alguém nos dizer o que devemos fazer, nem para nos entregar uma lista de passos para “realizarmos os nossos sonhos”. Mas para podermos parar e olhar com mais profundidade para aquilo que está a acontecer.
Onde é que este movimento foi interrompido?
O que aconteceu entretanto?
O que aprendemos a acreditar sobre nós próprias?
O que estamos hoje a fazer que continua a impedir essa expansão?
E o que seria necessário transformar no nosso quotidiano para que aquilo que é importante para nós voltasse a ter lugar?
Porque talvez não seja suficiente sonhar. É preciso criar condições internas e externas para que o sonho possa existir.
E isso pode começar por coisas muito simples: recuperar tempo, estabelecer limites, reconhecer necessidades, questionar padrões, voltar ao corpo, permitir-nos desejar sem imediatamente encontrar uma razão para não podermos.
Talvez qualidade de vida não seja apenas conseguir cumprir tudo aquilo que temos para fazer. Talvez seja também conseguir reconhecer que a nossa vida precisa de conter alguma coisa que faça sentido para nós.
Porque de que serve termos energia para continuar se essa energia é utilizada apenas para manter tudo exatamente como está?
Talvez cuidar de nós seja também proteger aquilo que ainda nos faz sentir vivas.
Os sonhos não precisam de ser grandes. Podem ser uma mudança profissional, um projeto que queremos finalmente começar, uma viagem, uma formação, escrever, pintar, voltar a dançar, ter mais tempo para a natureza, criar alguma coisa nossa ou simplesmente construir um quotidiano onde exista mais espaço para respirar e estar presente.
O importante é que exista alguma coisa que seja nossa.
Alguma coisa que não esteja ali apenas porque alguém espera isso de nós.
Alguma coisa que nos devolva a sensação de participação na nossa própria vida.
É também por isso que criei o c(Alma), um acompanhamento individualizado para mulheres que sentem que alguma coisa dentro delas está a pedir atenção, mas que nem sempre conseguem perceber exatamente o quê.
Um espaço para parar, olhar para o que estás a viver, compreender padrões, reconhecer aquilo que está a ser interrompido e perceber o que precisa de mudar para que possas voltar a ocupar um lugar mais consciente na tua própria vida.
Não para te dizer quem deves ser.
Mas para te ajudar a escutar quem estás a ser e quem podes vir a tornar-te.
Porque talvez os teus sonhos não tenham desaparecido.
Talvez tenham f**ado demasiado tempo sem espaço.
E talvez esteja na altura de voltares a escutá-los.
O c(Alma) tem a agenda aberta para acompanhamento individual com vagas limitadas.
Se sentes que estás numa fase em que precisas de parar, compreender o que se está a passar contigo e recuperar espaço para aquilo que é verdadeiramente importante, podes marcar o teu acompanhamento individual ou marcar uma sessão de diagnóstico gratuita para conversarmos informalmente e vermos qual o ponto em que estás e para onde podes ir.
Estou aqui para te dar a mão! Fala comigo.🗝️