19/05/2026
𝗩𝗮𝗹𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝟮𝟬𝟮𝟲: 𝟲𝟬𝟲 𝗸𝗺 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗼𝗹𝗼𝗰𝗮𝗿𝗮𝗺 "𝗕𝘂𝗴𝗮𝗹𝗵𝗮" 𝗻𝗮 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗮
Chama-se “Bugalha”, tem a anilha 3471809/23, é uma fêmea e foi o pombo-correio mais rápido de Portugal na Prova Nacional de Fundo Valência 2026.
A campeã de Hélder Manuel Pequito Bugalho, da Sociedade Columbófila Nisense (Associação Columbófila do Distrito de Portalegre), percorreu 606,614 quilómetros em apenas 7h35m01s, alcançando uma velocidade média de 1333,170 metros por minuto e destacando-se entre cerca de 45 mil pombos-correio participantes.
Depois de já ter vencido este ano a prova de Yecla, Interassociações Évora-Portalegre, que contou com a participação de mais de 3.400 pombos-correio, “Bugalha” confirmou em Valência a sua qualidade desportiva numa das mais exigentes e prestigiadas provas da columbofilia europeia.
A chegada aconteceu quando passava um segundo das 13h50 deste sábado, 16 de maio. Hélder Bugalho estava à espera, como tantos columbófilos do país, de olhos postos no céu, atento ao mais pequeno movimento.
“Aquilo é uma fração de segundos… a gente está à espera, à espera… Quando a vi vir do sítio onde ela vinha pensei logo: marcou muito bem. Pelo menos na sociedade. Agora ganhar o Valência não estava nas minhas ideias”, confessa em entrevista à Federação Portuguesa de Columbofilia.
Só mais tarde percebeu que tinha o pombo-correio mais rápido da prova nacional.
“𝗙𝗶𝗾𝘂𝗲𝗶 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝗻𝘁𝗲. 𝗜𝘀𝘁𝗼 𝗲́ 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗼𝗶𝘀𝗮 𝘂́𝗻𝗶𝗰𝗮. 𝗘́ 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗴𝗮𝗻𝗵𝗮𝗿 𝗼 𝗘𝘂𝗿𝗼𝗺𝗶𝗹𝗵𝗼̃𝗲𝘀!”, afirma.
A comparação surge naturalmente e diz muito sobre o peso que esta vitória representa para quem vive a modalidade todos os dias. Hélder Bugalho começou na columbofilia aos 16 anos, incentivado por um vizinho, António Manuel Caldeira Valente, pai de João Paulo Valente, primeiro a nível nacional no Valência 2024.
Hoje, aos 55 anos, continua a conciliar a columbofilia com a profissão de vigilante no Hospital de Portalegre, o seu rebanho de ovelhas e a gestão diária do pombal.
“É tudo com muito sacrifício e gestão. Trabalho por turnos, não tenho ajuda de ninguém e tenho de organizar os pombos conforme os horários”, conta.
No seu pombal tem cerca de 40 pombos voadores e 80 reprodutores. Por causa da rotina profissional, optou por um sistema que permite aos pombos “estarem à vontade, entre a voliére e dois pombais interiores”.
Sobre a campeã nacional fala com naturalidade e enorme admiração. “É uma pomba boa. Que vem com muita vontade de chegar rápido”, diz, acrescentando que a atleta “gosta muito de apanhar sol” quando está no pombal.
Hélder Bugalho enviou 20 pombos-correio para Valência. Depois da chegada da vencedora entraram outros pombos, mas percebeu imediatamente que aquela vinha destacada.
“𝗘𝗹𝗮 𝘃𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗱𝗲𝗰𝗶𝗱𝗶𝗱𝗮”, descreve.
Sobre a Prova Nacional de Fundo, Hélder afirma: “É uma prova bonita. Uma prova para manter. Nem todos competem com as mesmas distâncias, mas também nem todos têm as mesmas condições financeiras, nem os mesmos pombos. Faz parte da modalidade”.
A terminar, o columbófilo resume de forma genuína a dificuldade do feito alcançado: “Ganhar é muito difícil… mas acontece.”
No Valência 2026, aconteceu a Hélder Bugalho e à sua “Bugalha”!