13/05/2026
“Quem mais ganha com o desporto é, muitas vezes, quem pior o trata.”
Todos os momentos são oportunos para falar de ética no desporto.
Em Portugal existe algo transversal a quase todos os clubes e agentes desportivos: a desconfiança. O outro raramente ganha por mérito. Ganha porque “teve ajuda”, porque foi “mais esperto” ou porque “o sistema quis”.
E é aqui que o desporto começa a perder.
No desporto não pode existir dúvida sobre o mérito de quem vence. A ética não pode ser um discurso bonito. Tem de ser uma prática diária de dirigentes, treinadores, atletas, árbitros, jornalistas e pais.
O adepto tem direito ao fanatismo. Faz parte da emoção do jogo. Mas quem representa o desporto tem responsabilidades maiores. Não pode alimentar suspeitas, desculpas e ataques constantes.
Vivemos demasiado focados na incompetência dos outros e pouco no mérito, no trabalho e na dedicação. O árbitro é corrupto. O treinador é fraco. O atleta é preguiçoso. O dirigente é oportunista. E assim se vai destruindo o respeito por todos os agentes desportivos.
A vitimização tornou-se cultura: “Pequenos, mas dignos.” “Pobres, mas honestos.” “Contra tudo e contra todos.”
Mas o desporto não cresce com desculpas. Cresce com organização, exigência, compromisso e superação.
E quando falamos de formação, tudo isto se torna ainda mais importante.
Os pais precisam de perceber uma coisa simples: ninguém está contra o seu filho. O treinador não o persegue. O árbitro nem sabe quem ele é. O adversário quer exatamente o mesmo: jogar, aprender e ser feliz.
O desporto infantil não pode ser um espaço de frustrações de adultos.
Deixem as crianças jogar. Deixem os treinadores treinar. Deixem os árbitros arbitrar.
E, sobretudo, desfrutem do espetáculo que é o desporto.
Tal como o seu filho.
Vitor Santos | Educar o sonho