Rúben Monteiro - Treinador - Mais de 90 minutos

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09/06/2017

Os fatores psicológicos e o stress nas diferentes posições do Futebol.

“O futebol não é um processo linear. Não é uma soma de coisas: se fizeres isto, mais aquilo, conseguirás isto. Ao contrário, o treinador deve considerar todos os aspetos, do indivíduo e da equipa. O futebol não é bidimensional, é multidimensional." (Vítor Frade)
“Defendo a globalização do trabalho, a não separação das componentes físicas, táticas, técnicas e psicológicas, pelo que o lado psicológico é fundamental.” (José Mourinho, 2004)
O futebol é uma modalidade complexa que depende de muitos fatores, técnicos, táticos, físicos e psicológicos. Este último também é um fator do treino porque as capacidades psicológicas também se treinam, elas podem ser desenvolvidas e aperfeiçoadas através de um treino adequado, tal como as capacidades técnicas, táticas e físicas.
A grande diferença entre os fatores psicológicos e os outros fatores, é que aos outros sempre foi dada a devida importância e a Psicologia no Futebol não. Mas na minha opinião, todas elas têm o mesmo gau de importância pelo facto de estarem interligadas.
As capacidades psicológicas sempre estiveram presentes no futebol. Tanto nos treinadores e jogadores de antigamente como nos da atualidade. E no passado como no presente, quem as domina e treina melhor está mais perto do sucesso e do alcançar dos seus objetivos. No entanto, só recentemente e mesmo assim, e numa quantidade reduzida, existem clubes, treinadores e jogadores a considerarem o fator psicológico como mais um fator de treino. Nem mais nem menos importante do que os restantes.
A importância da Psicologia no Futebol tem vindo a ser consciencializada de uma forma gradual: (a) já existem clubes e equipas, e felizmente Portugal não é exceção, com especialistas em treino mental (mental coaches) ou psicólogos nos seus quadros e/ou equipas técnicas; (b) os cursos de treinadores de futebol da FPF e da UEFA abordam conteúdos relacionados com os fatores psicológicos (na disciplina Ciências do Comportamento); (c) os jogadores já não são avaliados apenas em termos técnicos, físicos ou táticos, mas também mentais e o mesmo se aplica aos treinadores. (Rui Alves, 2010)
Desde já respondo a duas das questões acima colocadas. O treino dos fatores psicológicos baseia-se em aspetos científicos (a psicologia é uma ciência social) e fazem parte dos fatores de treino psicológico capacidades como a motivação, confiança, concentração, regulação da ativação psicológica, regulação da agressividade, regulação do stress, dinâmica de grupo, coesão de grupo, liderança e comunicação. Os métodos de treino para cada uma das capacidades serão abordados futuramente. (Rui Alves, 2010)
Segundo o estudo do artigo científico “Análise do stress psicológico pré-competitivo e estratégias de coping de jovens atletas de futebol de campo” de NASCIMENTO JUNIOR JRA, GAION PA, NAKASHIMA FS, VIEIRA LF, foi concluído que os atletas que têm como função defender (guarda redes, defesas e médios centro) apresentaram maiores níveis de stress do que os atletas com funções de ataque (laterais e atacantes), assim como necessitam de maior concentração para o bom desempenho durante os jogos.
Nós treinadores como lideres de uma equipa temos de dominar os fatores psicológicos pois eles são fundamentais para o rendimento dos jogadores e coesão de grupo. Temos de identificar os jogadores que estão mais sujeitos ao stress e dar-lhes uma atenção especial.

https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/1649/1801

Bons treinos,
Rúben Monteiro

Massa associativa - o que pode trazer a uma equipa.A massa associativa surgiu desde que foram criadas as primeiras insti...
08/06/2017

Massa associativa - o que pode trazer a uma equipa.

A massa associativa surgiu desde que foram criadas as primeiras instituições e clubes desportivos, a evolução destas tem muito da sua participação e apoio.
Todos os clubes de Futebol têm os seus sócios e adeptos, é claro que umas equipas têm mais que outras, mas todas têm, e ao longo dos anos graças a evolução do desporto o número de adeptos tem aumentado e contribuído muito para o sucesso das equipas.
Vamos então ver a importância do público.
No Futebol damos importância ao fator do jogo ser jogado em casa (nosso estádio) ou fora (em casa do adversário), em eliminatórias de dois jogos também damos importância ao fato de o primeiro jogo ser fora ou em casa. Porquê?
Jogar em casa é sempre uma mais valia para qualquer clube de Futebol. No seu próprio estádio as equipas sentem-se mais fortes e mais apoiadas por via dos seus adeptos, mas será que isso é fundamental para aproximar as equipas da vitória?
Quando um clube de Futebol joga em casa numa competição a eliminar por exemplo, conta com a presença e com o apoio da sua massa associativa e dos seus simpatizantes. O apoio moral que recebe funciona sempre como um poderoso incentivo para que se esforce o máximo possível, a fim de não desiludir o seu público. Por isso é tão importante que as claques e os espetadores em geral não deixem nunca de aplaudir e aclamar a sua equipa, principalmente quando o jogo parece não estar a correr tão bem quanto poderia. Há que nunca perder a esperança enquanto a bola rolar em campo e o arbitro não apitar. De acordo com Karlof (1999, p. 125), “a motivação é, resumidamente, aquilo que faz um indivíduo aja e se comporte de uma determinada maneira”.
As equipas ao jogarem em casa fundem-se com o público espetador. O sentimento que se gera é um misto de união e cumplicidade, como se o objetivo comum a todos transcendesse o próprio futebol.
Ser parte de algo maior, estar inserido num grupo enorme e coeso, ter os mesmo interesses e vontades a um nível apenas percetível para quem ama o futebol são algumas das grandes vantagens de atuar em casa. De repente é como se a equipa deixasse de ser apenas composta pelos 11 jogadores que estão em campo, e passasse a ser uma equipa gigantesca de milhares. O sentimento de grupo liga a equipa ao público com uma energia tal que só com apito do árbitro aos 90 minutos se desperta para a realidade. Quem já assistiu a jogos ao vivo da sua equipa sabe bem que é assim.
O Futebol cada vez mais é visto como um negócio muito lucrativo cada vez mais a compra e venda de jogadores é maior atingindo também valores maiores. Os jogadores são internacionais e profissionais vivendo do seu trabalho. No entanto existe o amor à camisola que leva muitos jogadores a dar suor e sangue dentro do campo, muito para além daquilo que é a sua obrigação. Exemplo disso foi Francesco Totti que se retirou este ano do Futebol Profissional foi um caso de puro amor pelo Clube onde jogou por 26 anos, AS Roma. Esse amor à camisola e às cores do clube faz com que jogar em casa seja uma vantagem importante.
Outra vantagem de jogar em casa é que dessa forma aumenta o lucro do clube (bilheteira). Quando o jogo é fora de casa muitas pessoas não vão ao jogo por causa das distâncias e das despesas envolvidas na deslocação e então acabam por ver o jogo na televisão. Contudo, quando se joga no próprio campo há mais hipóteses dos sócios e adeptos marcarem presença em massa para apoiar a equipa. Graças a eles vem o lucro na bilheteira, na compra de adereços e na restauração.
Esta questão financeira é muito importante para o clube que assim consegue assegurar os vencimentos e contratos aos jogadores e cativam melhores e mais patrocínios.
Jogar em casa representa também uma enorme responsabilidade para a equipa anfitriã. Frente ao seu próprio público é necessário dar tudo por tudo, para satisfazer expectativas e dignificar o nome do clube. Esse maior encargo acaba também por aproximar a equipa da vitória pois ao acusarem o peso do dever, os jogadores redobram o seu esforço e concentração. As vantagens são muitas e cabe a cada clube gerir da melhor forma os recursos que tem, de forma a rentabilizar ao máximo cada desafio que disputa no seu próprio terreno.
No campeonato da 1ª Liga Portuguesa deste ano a equipa com a melhor média de assistência em casa foi a equipa campeã o SL Benfica, a equipa com a quarta melhor assistência ficou em quarto lugar no campeonato o Vitória SC. Com estes exemplos podemos então relacionar o desempenho da equipa em função da massa associativa.
Nós treinadores devemos lutar para que os sócios e adeptos venham ao estádio de forma a apoiar os jogadores e tornar o espectáculo desportivo mais bonito, pois sem público o desporto não existe.

Bons Treinos,
Rúben Monteiro

https://www.youtube.com/watch?v=zWGH1eswWU0

www.guimaraesdigital.com |Adeptos cantam «Sou Vitória» no estádio do Jamor na final da Taça de Portugal.

Treino personalizado no Futebol de alto rendimento? Sim/Não?Será que os atletas devem realizar um treino personalizado? ...
08/06/2017

Treino personalizado no Futebol de alto rendimento? Sim/Não?

Será que os atletas devem realizar um treino personalizado? Que vantagens tem esse treino? Os atletas profissionais recorrem a esse mesmo treino com um profissional indicado?
Para melhorar a sua performance física, os atletas de futebol devem realizar um treino com Personal Trainer, um treino personalizado e que vise preparar fisicamente o atleta, melhorando o seu desempenho. Este treino especializado surge para melhorar o atleta porque somente o treino com a equipa pode não chegar para o atleta atingir os seus objetivos, até pode chegar, mas vai demorar mais tempo do que com um acompanhamento individualizado. Cada jogador tem a sua morfologia corporal e os seus problemas físicos. Há uns jogadores que necessitam de ganhar massa muscular, outros que precisam de perder massa gorda e outros que têm mais dificuldade em recuperar de cargas físicas, tudo isto pode ser colmatado por um treino especifico com um profissional especializado.
Todos nós reparamos na evolução física do Cristiano Ronaldo dois anos depois de ter chegado a Inglaterra e ao Manchester United, aumentou claramente a sua massa muscular e as suas aptidões físicas. Isto aconteceu graças à dedicação do atleta e a um grande trabalho de especialistas na área do treino individualizado.
Em outros desportos isso também acontece, Federer e Serena Williams no ténis, LeBron James e Stephen Curly no basquetebol, Ricardinho no futsal, Gabriel Medina no surf e Nicola Karabatic no andebol, entre muitos outros desportos, todos eles realizam treino especifico e individualizado.
Nas redes sociais já vemos muitos atletas profissionais (através das suas publicações) a realizarem treinos individualizados fora das instalações do seu clube.
Nos últimos anos, verificamos que os desportistas de elite estão a recorrer cada vez mais aos serviços de um personal trainer, sob forma de complementarem o seu trabalho físico diário com um apoio especializado e recuperarem psicologicamente das pressões competitivas através da mudança de contexto e de treinador. (Frederico Raposo)
No caso das modalidades individuais, esta é uma relação que parece pouco complexa, na medida em que é relativamente simples integrar o personal trainer no staff técnico do atleta. Contudo, o mesmo já não sucede no caso das modalidades coletivas, em que o trabalho individualizado e não coordenado de diversos personal trainers, pode colidir diretamente com o planeamento e gestão de expetativas, que o treinador faz para a equipa e cada um dos seus atletas. Existem atualmente atletas de futebol, por exemplo, com contratos e clausulas de rescisão de milhões de euros, cujo staff técnico e clube não tem qualquer comunicação com os seus personal trainers. (Frederico Raposo, 2017)
É, portanto, necessário que os clubes deixem de ignorar esta realidade, pois os efeitos positivos do serviço são claros e os atletas reconhecem-nos, investindo dinheiro do seu próprio bolso na sua contratação. Ou seja, a discussão neste momento não deve ser se os atletas devem ou não ter um personal trainer, porque de facto já o têm, mas sim se este deve ou não pertencer aos quadros dos clubes. (Frederico Raposo, 2017)
Parece claro que os clubes e staff técnicos chamem os PTs para dentro da sua estrutura e promovam uma estreita coordenação entre a periodização e tipo de carga administrada nos treinos, sob pena de existirem efeitos contraproducentes. (Frederico Raposo, 2017)
Em suma, poderemos dizer que os clubes devem integrar estes profissionais do treino personalizado na equipa técnica e dar alguma autonomia aos jogadores no trabalho com estes profissionais. Os treinadores devem pressionar o clube para tal uma vez que poderá ser uma grande ajuda para o nosso sucesso.

Bons treinos,
Rúben Monteiro

Porque é que a alimentação é importante para um jogador de Futebol? Quais os seus contributos. Todos nós sabemos que a a...
08/06/2017

Porque é que a alimentação é importante para um jogador de Futebol? Quais os seus contributos.

Todos nós sabemos que a alimentação é muito importante para o nosso bem-estar e saúde geral, mas nós só temos conhecimento de uma forma global e isto da nutrição é uma área muito complexa.
Muita gente fala em fazer uma “alimentação equilibrada e variada”, mas não sabem o porquê disso, não sabem os nutrientes que devemos ingerir ou que nutrientes estamos a ingerir com determinados alimentos. Sobre o desporto a grande parte pensa os atletas “têm de ter uma alimentação especial”, mas também não sabem porquê que o jogador tem de fazer uma dieta, o que faz essa alimentação cuidada e que benefícios trás.
A alimentação é realmente muito importante para um desportista, trás benefícios à sua saúde e consequente rendimento físico. Aos jogadores de Futebol é exigido um esforço muito grande nos treinos e em dias de jogo, esse esforço chega a ser tão intenso que os obrigada a implementar uma dieta equilibrada, capaz de lhes fornecer os nutrientes necessários para uma boa prestação (melhor rendimento).
Horta (1996) refere que os futebolistas devem ter uma alimentação rica e diversificada e que sobretudo seja capaz de responder às necessidades calóricas e do treino.
Então todos os alimentos que constituem a roda dos alimentos devem fazer parte da dieta dos atletas, não esquecendo que uns devem ser mais consumidos que outros.
Vamos então verificar quais são os nutrientes mais importantes e os alimentos que os atletas mais devem ingerir.
Os Carboidratos são considerados nutrientes importantíssimos para os atletas, pois têm como função o fornecimento de energia necessária para o corpo realizar atividades como correr e saltar. São encontrados em alimentos como: pães, massas (sem molhos gordurosos), arroz, batata, frutas e cereais. As proteínas contribuem para a construção e reparação dos tecidos, músculos e também das células, para além de contribuírem para a produção de anticorpos, essenciais na luta contra doenças. São encontrados em alimentos como ovos, carne e peixe, todas as refeições principais devem conter um destes elementos. As gorduras e óleos também são muito importantes para os atletas porque fornecerem energia, estes nutrientes contribuem para a absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). As gorduras saturadas como manteigas, batatas fritas e bolachas recheadas devem ser evitadas, as insaturadas, que são mais saudáveis e são encontrados na forma líquida como os óleos de canola, soja, oliva, de milho e girassol. Vitaminas e Minerais, são os elementos reguladores, importantes por participarem do funcionamento intestinal, digestão, circulação sanguínea e sistema imunológico (sistema de defesa contra doenças). São necessárias para o crescimento normal e manutenção da vida. Encontrados em alimentos como hortícolas e frutas que devem ser incluídos em todas as refeições. Por último e não menos importante, a água, que é fundamental para o bem-estar físico do ser humano, tornando-se fundamental para o jogador de futebol, pois este perde muita água durante os jogos, devido às repetidas contrações musculares. Dependendo da intensidade do exercício, bem como do clima, um jogador de futebol poderá perder até 2 litros de água por hora, que deve repor.
Agora que já sabemos a importância de cada nutriente para um atleta ou jogador de futebol, vamos saber se esta mesma alimentação cuidada ajuda os atletas a prevenir lesões.
Segundo a literatura de um artigo cientifico com o título “INJURY PREVENTION AND NUTRITION IN FOOTBALL” (Daniel Medina, Antonia Lizagarra, Franchek Drobnic, 2014), um terço de todas as lesões no Futebol profissional são lesões musculares, numa equipa de 25 atletas são esperadas 15 lesões musculares numa época.
A composição corporal é importante para o futebol de elite, a fim de prevenir lesões. A gordura abdominal (avaliada por DXA ou circunferência abdominal) é considerado um bom preditor de lesão muscular-esquelética. Embora existam evidências fortes, o rastreio nutricional para prevenção de lesões pode incluir o monitoramento de défices de energia, glicogênio e recuperação de proteínas, qualidade nutricional, níveis de vitamina D, perfil lipídico, estado de hidratação e evasão de álcool. Durante a lesão, a síntese de proteínas musculares (MPS) é reduzida por inatividade, de modo que os estímulos musculares e proteínas adicionais são recomendados durante reabilitação. O uso de leucina, creatina e ácidos graxos ômega-3 pode ser benéfico para MPS durante a recuperação e reabilitação processo. (Daniel Medina, Antonia Lizagarra, Franchek Drobnic, 2014)
Se prestarem atenção ao que está sublinhado, pode ser alterado através nutrição e com a ingestão de muitos dos elementos que falamos em cima, assim a nutrição torna-se numa estratégia para evitar lesões. A composição corporal é claramente importante para um jogador profissional, conseguir ganhos de massa muscular sem uma boa alimentação (sem nutricionista) é muito difícil.
Durante a lesão, a síntese de proteínas musculares é reduzida por inatividade. Se possível, o músculo deve ser estimulado, em concerto com a ingestão de quantidades adequadas de proteína com alto teor biológico de valor. A gordura abdominal é um bom preditor de lesão músculo-esquelética (Daniel Medina, Antonia Lizagarra, Franchek Drobnic, 2014).
Nós treinadores temos de nós preocupar com a alimentação dos nossos atletas visto que está pode evitar lesões e é determinante para uma boa performance. Se houverem possibilidades devemos contar com um profissional na área da nutrição na nossa equipa técnica de forma a planear a dieta para cada atleta.

Bons treinos,
Rúben Monteiro

07/06/2017

Evolução dos Sistemas Táticos

Muita gente sabe que o Futebol teve uma grande evolução ao longo dos anos, sabem que surgiu há muitos séculos atrás, sabem que não se jogava em relvados como nos dias de hoje, sabem que o material da bola era totalmente diferente, sabem que não existia 4 ou 6 árbitros e sabem que o verdadeiro futebol com 11 jogadores surgiu em Inglaterra. Acredito que muitos adeptos de futebol não sabiam sequer onde tinha surgido, é verdade, surgiu em Inglaterra em 1860, e tenho ideia também que muitos não conhecem a evolução dos sistemas táticos ou por falta de informação ou por falta de curiosidade.
O sistema tático teve sua evolução, por vários fatores, tais como, mudanças na regra do jogo e, nos últimos anos, pelo condicionamento físico, cada vez mais aprimorado pelos atletas, o que diminui os espaços em campo, aumentando a velocidade das partidas e diminuindo o tempo de reação para tomada de decisões, gerando a necessidade de novas conceções táticas que inovem e surpreendam. Para que isso ocorra, os jogadores necessitam de grande capacidade cognitiva e quanto maior sua capacidade intelectual, maior facilidade para absorver as informações e administrar as situações de estresse, à que são submetidos os jogadores, no decorrer das partidas (GRECO, 1992).
No futebol dos dias de hoje estamos habituados a ver sistemas táticos como o 4-4-2, 4-3-3, 4-2-3-1, 3-4-3 entre outros, mas nem sempre estes sistemas existiram, eles sofreram uma grande evolução e surgiram através de outros.
A evolução tática do Futebol surgiu graças a necessidade estratégica de travar e derrotar o adversário. A estratégia é a forma/o método para conseguirmos atingir algo, ou seja, o objetivo era surpreender o adversário com ataques ou anular as suas ações, os jogadores precisavam de efetuar movimentações no campo e manter a posse de bola.
O sistema tático teve evolução também pelas mudanças nas regras do jogo (em 1866 surge a introdução da regra do fora de jogo, em 1873 cria-se o guarda-redes e o pontapé de canto, em 1891 é criada a grande penalidade), pelas características e condicionamento físico dos atletas (muitos já tinham alguma preocupação), o que resultou no aumento da velocidade dos jogos e diminuição do tempo de reação para a tomada de decisão. Isto gerou a necessidade de criar novos sistemas táticos de forma a surpreender os adversários, os atletas necessitaram também de melhorar as suas capacidades cognitivas para entenderem melhor o jogo e para darem melhor resposta a situações que poderiam acontecer.
Como disse em cima foi em Inglaterra que apareceu os primeiros jogos com 11 jogadores em 1860. Neste ano eram usados alguns sistemas táticos, o primeiro 1-10 que consistia num guarda redes e dez avançados, depois o 1-9 que era um defesa e nove avançados até ao mais usual nesta época o 1-1-8 que consistia num defesa, um médio e oito avançados. Estes sistemas eram essencialmente ofensivos e sem medo onde a melhor defesa era o ataque. O passe era pouco usado, então o jogo era praticamente feito através do individualismo.
Após surgir a regra do guarda redes como elemento obrigatório (1873), surge o sistema 1-2-7 com o recuo de um avançado para a defesa. Aqui começou-se a pensar em defender a baliza e tentar não sofrer golos, logo a seguir a este último sistema surgiu o 2-2-6 com as equipas a alinharem com dois defesas, dois médios e seis avançados.
No ano de 1883, na Universidade de Cambridge, pela primeira vez uma equipa apareceu a jogar taticamente com um sistema em 2-3-5 (2 defesas, 3 médios e 5 avançados), este sistema foi apelidado de “clássico”. Aqui os defesas e os médios passaram a jogar em linha formando um W. Com esta formação houve claramente um maior equilíbrio entre os sectores aumentando o número de passes. Este sistema foi introduzido em Portugal em 1888 por dois irmãos vindos de Inglaterra, os irmãos “Pinto Basto”. Este sistema perdurou durante cerca de 50 anos. Este sistema passou a usar-se também em 2-3-2-3 ou “WW”, com a queda de dois avançados para o meio campo.
Em 1926 surge o 3-2-5 “WW” e/ou o 3-2-2-3 “WM” por Herbert Chapman, treinador do Arsenal, estes sistemas aparecem como resposta a lei do fora de jogo implementada em 1925. Esta transição tática teve uma grande importância no futebol e na história dos sistemas táticos, pois a defesa foi reforçada, passou a ter mais um elemento e a contribuição dos outros dois médios nas tarefas defensivas. Este sistema dura cerca de 25 anos.
No campeonato do Mundo de 1958 na Suécia surge o 4-2-4 usada pela seleção do Brasil.
O 4-2-4 começou a perder espaço e a entrar em decadência e é então no Campeonato do Mundo no Chile de 1962 que surge o 4-3-3 mais uma vez pelo Brasil. Este sistema veio dar um maior preenchimento e equilíbrio no meio campo, as equipas começavam a dar importância à posse de bola. Logo de seguida surge o 4-4-2 com quatro defesas, quatro médios em linha e dois avançados, havia uma grande aproximação dos médios à área contraria então nesta altura começaram a preparar os jogadores melhor fisicamente para desempenharem da melhor forma as suas funções.
Através da seleção da Dinamarca na Eurocopa de 1984 surgiu o 3-5-2 que ainda hoje é usado pela Seleção Italiana. Na altura este sistema era composto por três defesas sendo um libero que jogava como último defesa, três médios, dois médios alas e dois avançados. Este sistema também podia ser adaptado num 5-3-2.
Com o aumento da velocidade do jogo e a necessidade de uma marcação mais forte surge o 4-5-1. Neste sistema os médios tinham a função de controlar a bola até a área adversária.
Os sistemas táticos sofreram uma grande evolução ao longos dos tempos, os mais usados atualmente são o 4-4-2 (clássico ou losango), o 4-3-3 (pirâmide), 4-2-3-1 e o 3-4-3.
O sistema tático é claramente importantíssimo, mas não há estudos científicos que comprovem que este sistema é melhor que o outro. Concluo que nós treinadores devemos de usar o sistema em função da estratégia que queremos utilizar num determinado jogo e devemos de escolher o nosso sistema tático de acordo com as características dos nossos jogadores.

Bons treinos,
Rúben Monteiro

Preparador Físico – O braço direito do treinadorNo Futebol infelizmente ainda não é reconhecido o devido valor ao prepar...
06/06/2017

Preparador Físico – O braço direito do treinador

No Futebol infelizmente ainda não é reconhecido o devido valor ao preparador físico, quando uma equipa tem sucesso o valor e reconhecimento de um bom trabalho é quase sempre dado só ao Treinador.
Mas será que é o treinador que realiza todas as tarefas dos jogadores e os prepara sozinho fisicamente ao longo da temporada? Obvio que não, não é que o treinador não possa ter competência para tal, mas este normalmente já tem muito trabalho a fazer e treinar de forma profissional exige uma grande atenção e disponibilidade por um profissional. Ai entra o preparador físico, o braço direito do treinador na minha opinião.
O preparador físico é um profissional da área desportiva que tem de ser formado na área da saúde como a Educação Física. O mesmo tem de ser especializado ou buscar especializações em anatomia, fisiologia, fisiologia do exercício, nutrição desportiva, cinesiologia, biomecânica e ter um grande conhecimento da modalidade. É necessário que este profissional, seja confiável e responsável, pois o rendimento dos atletas dependerá das suas orientações para que estes desenvolvam o seu potencial da melhor maneira possível.
Os atletas devem cumprir corretamente as orientações dadas por este profissional. O mesmo deverá fazer uma avaliação da equipa e desenvolver o plano de treino, depois aplica-lo, tendo em conta as progressões para que os atletas possam ter o rendimento desejável na pratica do Futebol e ao mesmo tempo evitando lesões ao longo da época.
Segundo Osgnach et al. (2010) futebol é uma modalidade desportiva de intensidade variada, que envolve períodos de repouso, de baixa, moderada e alta intensidade. O treino do atleta em diferentes intensidades, respeitando a especificidade do jogo implicou em uma primária quebra de paradigma do treino, visto que em tempos mais remotos tinha-se a errônea ideia de que quanto maior fosse o deslocamento dos atletas, maior seria o condicionamento físico deste, independente da forma como este fosse realizado.
Com o objetivo de aperfeiçoamento da condição física do atleta, o preparador físico desenvolverá capacidade como a resistência muscular, resistência cardiorrespiratória, resistência aeróbia e anaeróbia, flexibilidade, força, velocidade, coordenação, equilíbrio e agilidade. Através destas capacidades os atletas irão melhorar a sua estabilidade musculo-articular evitando assim lesões que possam atrapalhar o rendimento do atleta e da equipa. Como sabemos o Futebol é das modalidades onde mais lesões acontecem, traumas como entorses, ruturas musculares e fraturas acontecem muitas vezes.
A presença de um preparador físico nas equipas de futebol tem crescido cada vez mais nos últimos anos. Isto acontece porque a ciência no Futebol está em constante evolução e o próprio Futebol também, que está bem mais físico e com processos de jogo mais rápidos. Acontece também devido à prevenção e preocupação de lesões, a reabilitação tem sido das áreas mais estudadas.
Com tudo isto, podemos concluir que o preparador físico é extremamente importante para uma equipa, mas que em Portugal ainda não damos a devida importância a este profissional. Noutros países este elemento numa equipa já é visto com outros olhos, em Espanha dão muito valor ao trabalho desenvolvido pelo preparador físico do Atlético de Madrid, o professor Óscar Ortega, dizendo mesmo que o sucesso da equipa vem muito dos seus métodos de treino.
Deixo-vos um vídeo de um treino elaborado por este grande preparador físico em fase de pré-época.

Bons treinos,
Rúben Monteiro

https://www.youtube.com/watch?v=DsqEW0Zdi90

M@s Videos en http://CanalFutbolista.COM El show del 'Profe' Ortega: así explica el circuito a la plantilla. El preparador físico del Atletico de Madrid es u...

06/06/2017

Pré-Época – A sua importância

A Pré-Época é uma fase que antecede o início da época competitiva, na minha opinião é a fase mais importante pois esta condiciona quase toda a temporada.
Antes a pré-época era vista como uma fase só de trabalho físico, carga, carga e mais carga, corrida em planos inclinados e na praia eram exemplos disso. Com o tempo os treinadores mudaram as suas ideias e agora para além do trabalho físico são consideradas componentes como a construção da equipa, onde procuram formar um plantel equilibrado (como um grupo unido) a tática e a técnica, e ainda a prevenção de lesões, fundamental para que os jogadores resistam às primeiras grandes cargas físicas de época.
É nesta altura que surgem novos jogadores e que se têm de adaptar o mais rápido possível, em que aumenta a competição e surgem os primeiros jogos-treino, a pressão interna por parte dos dirigentes, e se definem os capitães e lideres no balneário. Os treinadores devem ficar com os objetivos da equipa bem definidos e transmiti-los aos jogadores bem como o modelo ou os modelos de jogo que pensa aplicar e como atingirá o sucesso. Os jogadores são sujeitos a cargas maiores, normalmente preferem um treino com bola (eu mesmo quando jogava preferia), cabe ao treinador motivar os jogadores com exercícios com bola e ao mesmo tempo atingir os objetivos físico. Hoje em dia o jogo esta mais rápido e os jogadores são mais fortes fisicamente, por isso os treinadores e os preparadores físicos têm de potenciar a força, a velocidade, a explosão, a resistência e a agilidade para melhorar a performance dos jogadores.
Nesta fase é muito importante também um trabalho de hipertrofia no ginásio de forma a aumentar a massa muscular dos atletas. Este período é muitas vezes chamado de “off season”.
Neste contexto, os resultados dos jogos de pré-época não são o mais importante, pois os treinadores ainda estão à procura de um 11 tipo e experimentam os jogadores noutras posições que não são as deles.
Foi feito um estudo em 2014 a uma equipa feminina de futebol que disputava o campeonato paulista. O estudo foi feito na PRÉ-EPOCA a 8 atletas e teve a duração de 7 semanas de treino, todas as jogadoras tinham pelo menos 2 anos de experiência de pratica da modalidade. O objetivo era avaliar os efeitos do treino físico na composição corporal e em sprints repetidos.
No inicio e no final das 7 semanas foi realizado um teste, que consistia em 6 sprints de 35 metros, com pausa de 10 segundos em cada um deles. O tempo dos sprints foi registado.
Durante as 7 semanas de treino as jogadoras realizaram sessões de treino de resistência aeróbia por meio de treinos intervalados, resistência anaeróbia por meio de jogos reduzidos, treinos de força de resistência, treinos de velocidade em conjunto com trabalhos técnicos, treinos de resistência de força, treinos de força máxima, treinos técnico-táticos, jogos coletivos, jogos táticos da defesa contra o ataque, e 3 jogos-treino.
Os resultados concluíram que não houve grandes significativas na composição corporal, isso também aconteceu pelo facto de as atletas não serem acompanhadas por um nutricionista. “Em relação ao teste de sprints repetidos, foram observadas melhoras significativas nos parâmetros de: melhor sprint, média dos sprints, e pior sprint” (Rodrigo de Godoy Dias, Pamela Roberta Gomes Gonelli, Marcelo de Castro Cesar, Rozangela Verlengia, Idico Luiz Pellegrinotti, Charles Ricardo Lopes, 2015). Os autores concluíram que o treino físico periodizado realizado durante as sete semanas proporcionou uma melhoria da performance em sprints repetidos das jogadoras de futebol, mesmo não alterando a composição corporal. A diminuição dos tempos do melhor, pior e média dos sprints indicam que o treino físico periodizado foi eficaz para a melhoria da potência anaeróbia das atletas, o que consiste num importante benefício, pois ações anaeróbias alácticas são muitas vezes decisivas nos jogos de futebol como já vimos aqui em artigos anteriores.
A pré-época é fundamental para o desenrolar da época, entrar com o pé direito numa fase inicial da temporada é crucial. Se realizarmos uma boa pré-época conseguimos que os nossos atletas alcancem uma grande forma no início do campeonato e depois é só gerir essa forma com a priorização do treino tendo em conta o número de jogos.

Bons treinos,
Rúben Monteiro

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