04/09/2026
O verão foi um momento de soltar. Um convite para sair do tempo mecânico dos relógios e das notificações, e mergulhar no tempo real da vida, que corre devagar quando estamos presentes, em família ou a contemplar a natureza.
Um belo compasso do coração.
Vivemos numa época estranha e confusa, onde a presença parece depender daquilo que se mostra nas redes sociais. Uma sociedade exausta da sua própria exibição. Há uma busca por validação, uma pressa em estar em ação, em aparecer, em tocar o olhar do outro. Mas, enquanto yoginí, mãe e pessoa simples o que procuro é o caminho inverso. É a verdade comigo mesma e com os que amo. Sem ambições de sucesso externo, sem a necessidade de luzes artificiais.
Cada vez mais, a minha prática se ancora em viver o tempo real das coisas, em honrar o conhecimento que me foi partilhado e o que o meu corpo atual possibilita sempre que encontro o meu tapete. É recolher-me em silêncio quando posso e desfrutar verdadeiramente de pessoas inteiras. Dessas que não cabem no ecrã e que os abraços duram no corpo como aquelas marcas na areia da praia.
Afinal de contas, o que levamos de tudo isto? Levamos ap***s o que foi real.
Algumas conseguiremos fragmentar em fotos, mas tantas outras fazem parte do nosso universo particular e quando tudo se expõe, o mistério da vida esvazia-se.
É com este espírito de honestidade, de entrega, que dou as boas-vindas à nova temporada de aulas.
Que este recomeço seja a continuidade. Do jeito que somos, na nossa essência mais pura. Sem expectativas de performance, sem ambições equivocadas, sem ações que fragilizem os outros, sem a culpabilidade de não conseguir acompanhar...
Ap***s assim, na simplicidade de descoberta, no encontro contigo mesmo, com o nosso tapete e com a nossa verdade.
Espero-vos na escola, para partilharmos esta caminhada.
Com carinho,
Cláudia 💖