06/11/2024
Aikido na Guarda – Conversa com Sensei Carlos Portas
Embora se trate de uma arte marcial ainda pouco divulgada em Portugal, o AIKIDO tem inúmeras escolas por todo o globo que não param de atrair praticantes devido à sua natureza não violenta e aos muitos benefícios que traz à saúde física, mental e espiritual. Chegou ao nosso distrito pela mão do Sensei Carlos Portas, que ensina esta arte desde 1993 e que na cidade da Guarda tem dado aulas regulares desde há um ano.
O Aikido é uma arte marcial que permite ao praticante defender-se a partir do ataque do adversário usando a energia deste e harmonizando-se com ela em vez de contrariá-la. Foi desenvolvida a partir dos anos vinte do século passado por Morihei Ueshiba, um mestre japonês que ficaria conhecido por O’Sensei, que significa grande mestre. A sua experiência em dezenas de artes marciais, incluindo várias formas de jujutsu, proporcionou-lhe a base para criar este estilo não agressivo e ao qual incorporou uma componente espiritual que havia adquirido do monge Onisaburo Deguchi, de quem se tornou protetor.
Não existem competições de Aikido, apenas demonstrações. Talvez por isso, também não há distinção entre géneros e nem entre gerações, podendo ser praticado por todos e entre todos.
A palavra “Aikido” pode ser traduzida como “caminho da unificação da energia da vida” e a sua prática também inclui o uso do Bokken (sabre de madeira) e do Jo (bastão de madeira). Na Guarda, esta arte é ensinada pelo Sensei Carlos Portas, que segue a linha Takemusu Aiki, termo que O’Sensei usava para caracterizar o seu Aikido.
Natural de Sé Nova, Coimbra, Carlos Portas iniciou-se nas artes marciais através do karate em 1972 mas só em 1984, na Suécia, teve a oportunidade de aprender Aikido com o Sensei Takeji Tomita, que havia sido o principal aluno de Morohiro Saito, por sua vez o principal discípulo do fundador Morihei Ueshiba. A partir daí não mais abandonou a sua prática, tendo atingido o grau de 6º Dan em 2021.
O Praça Alta foi ao seu encontro, para aprender com a sua experiência e saber mais sobre esta arte fascinante.
Praça Alta – Como descobriu o Aikido?
Carlos Portas – Descobri o Aikido em Cascais no ano 1976 (se a memória não falha) quando visitei o Dojo do então Mestre de Aikido Georges Stobbaertes (impulsionador do Aikido em Portugal) em que ele mais a sua classe fizeram uma lindíssima demonstração que eu adorei. A partir daí foram imagens e sensações que nunca mais esqueci.
Mais tarde, já a viver em Estocolmo, vi uma apresentação de Aikido pelo Mestre Japonês Takeji Tomita. Foi então que encontrei a oportunidade de aprender o Aikido com um verdadeiro Mestre. Fui aceite como seu aluno, e assim começou uma nova etapa nesta Arte Marcial Maravilhosa, que é Aikido.
PA – Quais as principais diferenças entre o Aikido e outras artes marciais?
CP – As diferenças para mim são muitas. No entanto o Aikido é um conceito de estar, de viver/relacionar, em que a ideia está na base da não resistência, ou seja, na harmonização de como agimos perante qualquer situação constrangedora, quer física, quer verbal.
PA – Não ponderou nunca trocar o Aikido por outra arte marcial?
CP – Nunca. Aliás, troquei o Karate pelo Aikido.
PA – Porquê?
CP – Porque, para mim, Aikido é uma Arte Marcial Moderna e civilizada por excelência que visa estabelecer o equilíbrio do corpo, mente e espírito, o que para mim faz mais sentido perante a sociedade em que vivemos. A imensidão desta Arte é tal que, apesar dos 40 anos em que já pratico, sinto que aquilo que aprendo e desenvolvo com ela ainda não está concluído.
PA – Na sua opinião, quais são as maiores virtudes do Aikido?
CP – Para mim, o Aikido na sociedade, é a forma moral baseada no manifesto do Respeito, da Disciplina, da Sinceridade, da Lealdade, da Etiqueta, da Justiça, da Honra, da Coragem e da Humanidade que todos devíamos ter uns para os outros a fim de que possamos evoluir do “Homo sapiens para o Homo expertus”.
PA – A generalidade dos praticantes diz que é uma arte difícil e exigente. É assim?
CP – Sim, posso concordar. Suponho que de outra forma não faria sentido, visto ser uma Arte de Autodefesa por excelência, o que obriga ao rigor e disciplina.
PA – Que conselho daria a quem pondera iniciar-se nesta arte marcial?
CP – Aconselharia aos não praticantes que se libertem de preconceitos e fantasias que os bloqueiam, e deixem fluir o que cada um tem dentro de si mesmo.
PA – Que outra informação gostaria de partilhar sobre o Aikido?
CP – Posso partilhar algumas coisas, mas, acima de tudo, pretendo partilhar a ideia de que se todas as pessoas praticassem o conceito Aiki (união/harmonização da energia/espírito) haveria paz, tranquilidade e respeito, por si próprio e pelos outros, criando uma harmonia global.
Se vires um Dojo de Aikido perto de ti, não hesites, experimenta!