09/02/2017
Da era do Fast e do LowCost
[no Coaching e nas Consultoria e Formação, especificamente]
Começámos a ter sempre muita pressa: a precisar que todas as coisas sejam Fast.
[já havia, muito antes, os fast learners, que nada têm que ver com este Fast a que me refiro].
Veio a Fast Food: que sensual, os hambúrgueres e as sanduíches de aspecto maravilhoso, as batatas fritas douradas e os refrigerantes borbulhantes, tudo embalado para seguir depressa com quem tem pressa.
Veio, com o seu uso&abuso, a deterioração da saúde e a obesidade dos seus consumidores regulares.
Que hoje em dia se constata e de que se fala largamente, numa [r]evolução de tendência.
Mas não se estabeleceu o paralelismo a outros “Fast”: passou-se rigorosamente por cima do facto de as pessoas não serem coisas; passou-se rigorosamente por cima de que a revolução industrial e o desenvolvimento tecnológico é aplicado a coisas, e não a pessoas.
As pessoas continuam, e felizmente, a ser biológicas, não tecnológicas; e a terem ritmos biológicos, e não mecânicos.
Na era do “Fast”, aparecem a toda a hora “profissionais” [sim, mantenho as aspas] que se fizeram “TheFastWay”: não “tiveram tempo” para desenvolver o conhecimento: frequentaram uns webinars e leram, na diagonal, uns livros sobre uns temas: nem sequer se preocuparem com o conhecimento e currículo dos seus autores [tal como esperam que os seus Clientes não se preocupem com os deles]: engoliram e processaram assim a informação à pressa, e à pressa se identificaram como peritos nas matérias.
Copiaram umas coisas de uns lados e outras doutros sem sequer as ter tentado entender, quanto mais desenvolver e adicionar valor: cortaram e coseram, que é como quem diz, copiaram e colaram, e ei-los donos de verdades – e de post-verdades – e de receitas até hoje mantidas na mais cruel obscuridade :-) , por qualquer motivo, esse sim, a existir, verdadeiramente obscuro.
Reivindicam e prometem, a condizer, resultados Fast: as empresas irão de vento em popa nos próximos 3 meses, as internacionalizações serão as mais rápidas de sempre, os produtos mudarão num estalar de dedos para o que devem? ser.
As pessoas passarão todas a estar incrivelmente motivadas em 3 dias, a desenvolverem-se ao ritmo da tecnologia, e a sentirem-se inumanamente felizes 24 / 24 e 7 / 7 !
Tudo isto é vendido com muita energia, muita autopromoção, muita música, muitas palmas, e com muitas assinaturas do género “sim, tu podes”, “acredita em ti” e congéneres.
Aliam, ao “Fast”, o “LowCost”: o que é a coisa mais honesta para com os seus Clientes que fazem: são custos à dimensão quer do conhecimento e experiência que detêm, quer dos resultados que vão obter, isto é, tudo tende para zero.
Do outro lado, estamos os NotSoFast&NotLowCost: os que aliam ao conhecimento sempre crescente e renovado, experiência humana e empresarial significativa: que, se não o são agora, já foram líderes e conhecem as vicissitudes e capacidades da liderança por dentro e por fora, e não apenas dos livros e dos modelos teóricos.
Que sabem o que são pessoas, porque são pessoas e trabalham com e para pessoas, e, acima de tudo, porque se interessam por elas e porque são curiosos.
Que sabem o que é um mercado, uma tendência, um produto / experiência , um processo e um projecto.
Que distinguem valor de preço, sabendo como se calcula o segundo e como o primeiro tem uma componente intangível e emocional, distinta de consumidor para consumidor.
Que não prometem “fast”: que nem prometem, mas sim que se [com]prometem.
E que, por tudo isso, não podem ser LowCost: porque a experiência e o conhecimento sempre crescentes ao longo dos dias e dos anos nos mais diversos mercados, a formação sempre em actualização e o tempo empregue e dedicado não podem ser LowCost.
Pelo exactíssimo mesmo princípio que leva à congruência entre o Fast e o LowCost, na sua tendência para zero: os resultados dos NotSoFast, NotLowCost, nunca tendem para zero: muito pelo contrário.
E sim, incomoda-nos que os Fast&LowCost não tenham a integridade comercial nem a honestidade concorrencial para não canibalizar e destruir mercados.
Atrevo-me até a dizer que não têm sequer a inteligência suficiente para antecipar que farão apenas uns poucos trabalhos Fast&LowCost: e que um pequeno número a multiplicar por um número pequeno será sempre outro pequeno número, que muitas vezes nem lhes pagará as despesas, quanto mais viabilizar o seu negócio.
E ainda, e tão grave!, que a sua ética é de tal forma também de pequena dimensão, que nem pensam nas consequências para os seus Clientes, que lhes pagam os preços acordados, sendo que essa será decerto a menor fatia dos seus prejuízos com tão pobres intervenções.
[escrito por mim, ao desabrigo do acordo ortográfico e do politicamente correcto, em 2017.02.09]