20/03/2023
☀CUIDADO COM O PAI...
➡Bom, não escrevo nada aqui desde Novembro por excesso de trabalho, peço desculpa! (as pessoas adoram pedir desculpas sem que isso lhes tenha sido pedido e de agradecer também, às vezes precisam é de pedir desculpas a si mesmas).
Ontem foi dia do Pai, Pai é amigo, companheiro, protector, forte e super-herói e também... é sabotador.
➡Como todos os arquétipos, o Pai também tem a sua sombra, na busca da proteção do filho pode advir a "sobre-proteção", através da disciplina e da exigência pode advir o castigo excessivo e a projeção da frustração, pela dádiva da amizade pode advir a chantagem emocional, pela vontade de fazer o filho crescer numa direção pode advir a crispação entre aquele que é jovem e se torna forte e aquele que se vai tornando mais velho e mais fraco.
➡O filho representa a extensão do Pai e também o seu possível contra-ponto, não é raro ver os filhos tornarem-se ou cópias dos seus pais ou o seu extremo a nível comportamental, tal obedece a equilíbrios de ordem sistémica que procuram balancear a constelação como um todo nesse trabalho que é de todos nós chamado: Tomar Consciência.
➡O Pai demasiado trabalhador, demasiado exigente, demasiado stressado, que não tem tempo para a família uma vez que procura assegurar o bem estar material da mesma pode projectar no filho a ânsia de se tornar o seu contrário, de não querer repetir os erros do Pai. E por mais que este o tente encaminhar através dos seus Valores estes podem não ser os Valores que estão alinhados com a Missão do filho.
➡O Pai tem de se libertar para libertar porque não há amor sem liberdade, o amor obrigatório não é amor, é um poço de inseguranças que pretende agarrar o outro para afirmar o seu próprio bem-estar, para assegurar a sua identidade conectada ao arquétipo do Pai.
➡Ser Pai não é fácil e se estavam à espera de um texto a bajular as virtudes do Pai então isso não é aqui, como de resto eu faço questão de habituar os meus leitores, aqui procura-se a disrupção, a análise, mas não a desconstrução sem sentido como hoje em dia se faz norma.
➡O Pai não é culpado e ele faz o melhor que pode, apesar de tudo chega uma altura que a responsabilidade pelas ferramentas que não lhe foram outorgadas é do filho e quando o filho aceita e reconhece o Pai como um ser com defeitos e que comete erros assim como possui as suas virtudes, o terreno para o Homem está aberto e ele pode sanar as suas feridas de criança e repor de uma maneira amorosa aquilo que lhe faltou.
➡A criança ferida quando não sana irá buscar nas suas relações soluções de apego carente em que projecta nos seus parceiros o Pai/Mãe simbólicos, mas os nossos parceiros não são os nossos pais. Cabe a cada um de nós, honrar o Pai e liberta-lo do ideal da perfeição.
➡Obrigado aos Pais e obrigado ao meu Pai, com o qual eu muitas vezes não concordo mas reconheço que esteve certo em muitos casos em que eu estava errado.
Pedro David - O Caminho faz-se caminhando