O Conservatório Nacional de Lisboa está localizado no centro histórico da cidade e funciona desde 1837 no antigo Convento dos Caetanos, no Bairro Alto, em Lisboa. Em 1836, por iniciativa de Almeida Garrett, a rainha D. Maria II cria o Conservatório Geral de Arte Dramática, integrando as Escolas de Arte Dramática ou de Declamação, a Escola de Música (que incorporou o Conservatório de Música, criado
na Casa Pia em 1835, com origem na extinta Escola de Música do Seminário da Igreja Patriarcal) e a Escola de Dança, Mímica e Ginástica Especial. Em 1838, ocorre o primeiro concurso para professores da Escola de Dança sendo admitidos Bernardo Vestris (Dança) e Luigi Montani (Mímica). Em 1839, com a publicação do Programa de Estudos dos Cursos do Conservatório, é nomeado o primeiro Diretor da Escola de Dança, Francisco York. Em 1840, D. Maria II eleva o Conservatório à categoria de Conservatório Real de Lisboa; realiza-se o primeiro espetáculo do Conservatório, no Teatro do Salitre, na presença da família real, com a apresentação de Bailete ou Divertissement – “Bela, Rica e Boa, ou as Três Cidras do Amor” – com coreografia de Francisco York e música de João Jordani. Em 1841, Anselmo José Braamcamp é nomeado Conservador da Escola de Dança e Mímica, após o pedido de demissão do cargo de Diretor, por Almeida Garrett. Em 1843, Francisco York é substituído por Achilles Polletti. Em 1844 é nomeado José Zenoglio. Em 1854 é apresentado um projeto de reforma da Escola de Dança, que não tem seguimento. Em 1855, Arthur Saint-Léon, bailarino de carreira e coreógrafo em S. Carlos, é nomeado professor, cargo que ocupa por um ano. De 1856 até 1865, é nomeado professor de Dança Hypolite Monet. Em 1865, nomeada Romilde Pizzola. Em 1868 a frequência é limitada a alunos do sexo feminino. Em 1869 a Escola é suprimida. Em 1911 é publicado o decreto que cria a Escola de Arte de Representar, com um “Curso anexo de Bailarinas” e uma cadeira de dança para atores. Encarnación Fernandez é nomeada como professora, iniciando em 1913 (em 1930 dá-se a reunificação das Escolas do Conservatório, continuando a Dança como um anexo da Secção de Teatro) e continuando até 1939. Em 1939 Ernestina Correia substitui, por meses, Encarnación Fernandez, a que se sucede a nomeação de Margarida de Abreu como Regente do Curso Especial de Bailarinas (ainda integrado como curso especial da Escola da Arte de Representar onde, ainda, a Dança funciona, também, como disciplina). Em 1942 realizam-se os primeiros exames finais numa audição escolar dos Cursos de Teatro e de Dança, no Teatro Nacional D. De 1945 até 1948, Alice Tournay dirige um Curso Especial de Dança. Em 1949 altera-se a designação para Curso de Dança (Bailarinos) e passa a integrar alunos dos dois sexos. No ano letivo 1971-72, Margarida de Abreu cessa funções. É criada a Escola do Conservatório Nacional (1971). De 1971 a 1983 inicia-se o período de experiência pedagógica, impulsionado pelo Ministro Veiga Simão que encabeça a reforma do Ensino Artístico, cuja Comissão de Reforma é presidida por Madalena Perdigão, integrando José Sasportes como coordenador do Grupo de Estudos para a Dança. Wanda Ribeiro da Silva é nomeada professora da nova escola (disciplinas de Dança Clássica Clássica e Criativa). Em 1973 José Sasportes é nomeado Diretor; Júlia Cross é nomeada professora de Dança Clássica; de 1971 a 1974 decorre a 1.ª fase da experiência pedagógica de Ensino Integrado, com as aulas da Formação Geral na Escola Francisco Arruda e as da Formação Artística no Conservatório. A 2.ª fase da experiência do Ensino Integrado decorre de 1974 a 1983, com extinção da Secção Preparatória Francisco Arruda e a frequência da Formação Geral passar a ser realizada nas Escolas próximas do Conservatório; Graça Bessa é nomeada Diretora da Escola. De 1978 a 1983, Wanda Ribeiro da Silva é nomeada Presidente da Comissão Instaladora. De 1983 a 1986, decorre o período de instalação do Ensino Integrado, sob a designação de Escola de Dança de Lisboa, com alteração do regime de Escola de Ensino Integrado para Escola Secundária Vocacional de Dança (1983). Em 1985, Elisa Worm é designada Presidente da Comissão Instaladora; a Formação Geral passa a ser lecionada por destacamento de docentes da Escola Preparatória Fernão Lopes. Em 1986, Ana Pereira Caldas é designada Presidente da Comissão Instaladora. Em 1987 a Escola de Dança de Lisboa assume completamente o regime de Ensino Integrado, passando a ter quadro próprio de pessoal docente do 5.º ao 12.º anos, na Formação Geral. Em 1990 são entregues os primeiros diplomas de formação integral na Escola. A Dança Clássica sofre uma reorganização de programas pela professora inglesa Bárbara Fewster e a professora americana Diane Gray introduz a “Técnica Graham” nos programas de Dança Contemporânea; o estatuto legal de “Reconhecida Competência” (entretanto interdito) permitiu a contratação de personalidades nacionais e internacionais que integraram o corpo docente da área artística. Em 1991 recupera-se a anterior designação de Escola de Dança do Conservatório Nacional e são integradas as Danças Tradicionais Portuguesas no currículo. Em 1994, edifício pombalino recuperado, na Rua João Pereira da Rosa, 22, passa a sede da Escola de Dança do Conservatório Nacional, integrando a direção, serviços administrativos, entre outros espaços letivos e não letivos; parte significativa da Escola, porém, permanece nas traseiras do edifício da Rua dos Caetanos, maioritariamente ocupado pela Escola de Música. Em maio de 2002, foi eleito o primeiro Conselho Executivo, presidido por Ana Cristina de Jesus Pereira Macide. De 2003 e até 2008, foi eleito, como Presidente do Conselho Executivo, José Luís Machado Vieira. Dos anos letivos de 2008 até 2017, foi eleito, como Diretor, Pedro José Braga Soares Carneiro. Em 2014 a designação voltou a alterar-se e a Escola passou, por determinação legal, a chamar-se Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional. Dos anos letivos de 2017 até 2021, foi eleito, como Diretor, Paulo Jorge Macedo Ferreira. A escola é pública e integra as disciplinas de dança e os estudos na área de formação geral desde o 2º ciclo até ao fim do ensino secundário. Na segunda metade do século XX, a importância da dança na cena cultural portuguesa desenvolveu-se bastante, culminando com a criação do Ballet Gulbenkian e da Companhia Nacional de Bailado. Muitos dos bailarinos e coreógrafos envolvidos neste movimento também fizeram parte do desenvolvimento desta escola. Desde então, bailarinos e coreógrafos portugueses alcançaram uma importante reputação no cenário da Dança Contemporânea Europeia tendo repercussões no sucesso da nossa escola e no dos seus alunos. Temos orgulho que os bailarinos formados pela escola integrem elencos de companhias ou trabalhem com coreógrafos de renome tanto em Portugal como no estrangeiro. De acordo com esta perspetiva, a escola tem um programa de estudos fortemente baseado em Técnica de Dança Clássica, assim como em Técnica de Dança Moderna, com base na Técnica Graham e, mais recentemente, com a introdução de Técnicas Contemporâneas relacionadas com o movimento americano Pós-Modernista. Paulo Ferreira