01/09/2026
Vivemos num tempo que parece sugerir que é dever de cada um conquistar ou, pelo menos, justificar o seu valor.
Desde cedo aprendemos, de forma mais ou menos subtil, que o nosso valor está relacionado com aquilo que fazemos, com o que conseguimos, com a nossa eficiência, com os resultados que alcançamos. Parece ter mais mérito aquele que produz mais, que faz melhor, que consegue mais.
E, sem nos darmos conta, começamos a reduzir-nos, a nós mesmos e aos outros, a um meio para atingir um fim. Instrumentalizamos e instrumentalizamo-nos.
Passamos a olhar para nós próprios como recursos. Como algo que deve ser útil, produtivo, eficiente. E, também, passamos a olhar para os outros dessa mesma forma: pelo que fazem, pelo que oferecem, pelo lugar que ocupam, pelo que podem proporcionar.
Mas o nosso valor não depende do que realizamos ou produzimos, nem dos bens que possuímos. Não depende das nossas capacidades, das nossas funções, das nossas escolhas certas ou erradas.
Temos um valor intrínseco.
Um valor que não precisa de ser conquistado, provado ou demonstrado.
Em Biodanza, dançamos um gesto, uma Posição Geratriz, chamado Posição Geratriz de Valor. É uma posição de grande impacto e de um significado belíssimo.
Para quem não conhece, as Posições Geratrizes são gestos e posturas humanas, transculturais e atemporais. São geradoras de um profundo sentido e de um vínculo com a vida e com a espécie. Fazem parte do património da humanidade.
Cada Posição Geratriz gera uma dança onde cada pessoa expressa, na sua maneira única, aquilo que esse gesto desperta e como pode integrá-lo na sua própria vida.
A Posição Geratriz de Valor convida-nos a reconectar-nos com esse lugar em nós onde o valor não depende de nada.
Um valor que não pode ser aumentado pelo sucesso, nem diminuído pelo fracasso. Um valor que não desaparece quando erramos, quando somos rejeitados, quando falhamos ou quando deixamos de corresponder às expectativas dos outros.
Um valor ontológico, intrínseco, constitutivo do nosso ser. Um valor pelo simples facto de existirmos.
Não se trata de sermos mais ou melhores do que ninguém. Pelo contrário, é uma posição que nos permite reconhecer, e conectar, com a potência interna e intrínseca que faz parte da própria expressão da vida.
Podemos esquecer-nos dela. Podemos andar perdidos. Podemos passar muito tempo a tentar provar o nosso valor. Mas essa força e valor não podem ser eliminados. Nada nem ninguém os pode arrebatar.
Quando reconhecemos o nosso verdadeiro valor, não há lugar para o orgulho egóico de quem se sente superior, mas apenas para uma profunda gratidão por aquilo que nos foi dado: a possibilidade de existir e de expressar a vida através de nós.