Sporting - Conselho Fiscal Independente

Sporting - Conselho Fiscal Independente Eleições Sporting Clube de Portugal 23 de Março de 2013
(antes:Eleições Sporting Clube de Portugal 26 de Março de 2011)

Candidatamo-nos ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal com um sentido de missão e de serviço ao Clube. Sabemos qual o difícil caminho para a regeneração do Sporting e pretendemos que esse percurso seja feito com o apoio dos Sócios. Para tal defendemos uma real independência entre os diferentes Órgãos Sociais do Clube, assegurando-se deste modo uma gestão transparente e o acesso à informação, garantia de uma avaliação permanente da situação de todo o Grupo Sporting.

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Hoje também marcámos presença no jornal Ionline.
19/03/2013

Hoje também marcámos presença no jornal Ionline.

Vicente Caldeira Pires. “Somos a única verdadeira candidatura ao Conselho Fiscal”

Lista D critica antigos membros e deixa um aviso para quem tenha lesado o clube: “Terão de deixar de ser sócios”

Não apoia nenhum candidato ao Conselho Directivo. A lista D das eleições do Sporting concorre exclusivamente ao Conselho Fiscal e Disciplinar (CFeD) e sob o lema “Independência. Rigor. Verdade”. Promete trabalhar de forma autónoma e garantir que os erros do passado não se repetem. O advogado Vicente Caldeira Pires é o cabeça-de-lista e explicou ao i as bases do projecto.

Qual é o objectivo para as eleições?
A maioria. O mínimo é colocar um vogal.

Quais são as vossas expectativas?
Temos os objectivos definidos, mas é impossível saber porque não há sondagens para o CFeD. As que existem no Facebook, que ainda menos fiáveis são, dão-nos a maioria, mas não podemos ir por aí.

Em 2011 candidataram-se pela primeira vez. O que mudou desde então?
Não podemos ficar indiferentes à mudança de estatutos que afecta o CFeD. Há dois anos foi a primeira vez na história do clube que houve uma candidatura independente e conseguimos, com zero visibilidade, numas eleições com muitas listas e muita disputa eleitoral, um resultado de 6,6%. Despertámos uma sensibilidade para a importância deste órgão. Esta alteração transmite-nos um sentimento de responsabilidade e considerámos que tínhamos mesmo de avançar, porque as pessoas que votaram em nós também ajudaram a que houvesse esta mudança de estatuto. O programa eleitoral é quase o mesmo, o lema da campanha é o mesmo, é tudo o mesmo, porque continuamos a defender o que defendíamos em 2011. O clube é que está cento e tal milhões pior. Para nós, é uma vitória que dois anos depois se esteja a discutir nas outras listas o mesmo que dizíamos: auditoria de gestão e responsabilização.

Acha que as listas ao CFeD deviam ser todas independentes?
Acho que sim. Se reparar com atenção nas declarações dos outros sócios que se candidatam, vê claramente que nem sequer estão motivados para isso. No fundo, são uma extensão do Conselho Directivo. E isso nota-se logo na campanha. Quando lhes perguntam qual é o objectivo, respondem que é que o fulano tal seja presidente. Quando lhes perguntam pelas razões da candidatura, dizem que foi um convite de um amigo. Está tudo dito. Nem sequer há a preocupação de o fazer de outra forma. Estão claramente a fazer campanha para o Conselho Directivo. Somos a única verdadeira candidatura ao Conselho Fiscal. Por isso, a nossa candidatura é uma oportunidade para os sócios assegurarem um órgão verdadeiramente independente, de pessoas que a única coisa que são em relação ao Sporting é serem sócios e sportinguistas. Não são credores, não são fornecedores, não são amigos de pessoas do Conselho Directivo, não são amigos de candidatos derrotados ao Conselho Directivo. Se o seu candidato ganhar, essas pessoas podem ir lá fazer de “yes men”; se o candidato perder, podem ir lá pôr areia na engrenagem. Nenhuma delas interessa. Nós queremos um órgão independente que promova a estabilidade do clube. O método de Hondt é interessante, por um lado; mas, por outro lado, se as pessoas não forem sérias, pode gerar um clima de oposição dentro dos órgãos sociais. Isso não faz sentido, também nos candidatamos contra isso.

O que tem motivado os louvores que o CFeD tem dado às contas?
A promiscuidade e o compadrio. É o facto de serem todos do Conselho Directivo, sem que alguém exerça as funções do CFeD. Se ainda fosse ao contrário, talvez estivéssemos melhor. Não está lá ninguém. O CFeD faz aquilo que lhes dizem para fazer.

O que se poderá fazer para aumentar a consciência dos sócios?
O que temos feito. Mostrar aos sócios que as coisas poderiam ser diferentes se as pessoas tivessem exercido as suas funções conforme se comprometeram. Neste momento, as pessoas estão incrédulas porque lhes contaram uma história e agora já não dá mais para esconder. As pessoas perguntam como é que é possível e um dos mecanismos que o poderia ter evitado não funcionou. Vamos mudar isso. De hoje em diante, o CFeD tem de cumprir as suas funções, mas é importante que o clube olhe para o passado e veja o que se passou.

Haver só quatro listas este ano pode ser uma vantagem?
Sem dúvida. Até porque há dois anos havia dez listas no total, sendo que nove se candidatavam ao Conselho Leonino. Quase todos os sócios se candidataram. Só ao Conselho Leonino havia 450 candidatos.

É a favor de que as pessoas votem numa lista para o Conselho Directivo e noutra para o Conselho Fiscal e Disciplinar?
Sou. Em primeiro lugar, sou a favor de que as pessoas votem numa lista independente para o CFeD. Em segundo lugar, sou defensor de que as pessoas votem em membros que querem efectivamente exercer as competências do órgão. Se as pessoas não vão exercer as funções nem estão para isso, porque o amigo convidou, é indiferente de que lista são. As pessoas candidatam-se sem saber ao que vão. Aí está o problema. Se eu me candidato sem saber ao que vou, porque um amigo me convidou, e depois ele não ganha e eu sim, às tantas vou ter de olhar para o papel e perguntar o que é que faço. Se o meu amigo ganhar, ele logo me diz.

Propõem criar uma base de dados económico-financeira que esteja disponível aos sócios.
O que propomos, no fundo, é conseguirmos ter os números reais e verdadeiros. Porque ninguém sabe, nem nós, qual é a verdadeira situação do clube. Os sócios têm de ter sempre essa informação com verdade e rigor. Propomos a elaboração de um verdadeiro livro branco, que se diz que foi feito, mas que vários membros da nossa lista estão a pedir há mais de sete anos. Foi-nos sempre negado.

É negado ou diz-se que não existe?
Não, é negado. Mas pode muito bem nem existir. Diz-se que foi feito no primeiro mandato de José Roquette, mas pedimos para ver e nunca nos mostraram. Depois fez-se uma auditoria contabilística para calar os sócios. É uma falácia. Os balanços não espelham a situação das sociedades participadas, o que é, no fundo, o grande problema do clube. Há uma série de regras nos estatutos, com um limite de défice que o clube pode ter, e têm de ser sempre respeitadas. Nas contas do clube. Mas na SAD e no resto não se respeita. Na SAD, às vezes é de 100%. O que o clube não deixa sair pela porta, às vezes sai pela janela.

Acha que os sócios foram tomados por parvos durante muito tempo?
Sim. Diria mais, os sócios foram desrespeitados e o clube foi desrespeitado. A todos os níveis, não só na forma digna como deveriam ser tratados. O mais elementar é prestar informação verdadeira, mas o episódio da sala de jogos é sintomático. No antigo estádio havia uma minimamente digna e com a construção do novo estádio não havia sala de sócios, como quem diz “não venham para aqui conviver”. Isso arrasou com a vida social que havia junto do estádio. Depois de muita luta, fizeram uma sala de sócios sem janelas, com uma máquina de vender chocolates e umas cadeiras rotas. E agora, no último mandato, fizeram uma sala que inauguraram três vezes. Isto mostra muito a forma como os sócios foram tratados. Por outro lado, houve um desrespeito ao clube a todos os níveis: até o símbolo mudou sem se consultar os sócios.

Que resultados práticos se poderão tirar de uma auditoria de gestão?
Por exemplo, na última auditoria contabilística, ficámos a saber que o Anderson Polga custou x milhões. Agora, temos de ir ver a quem é que foi pago, qual foi o processo, que comissões foram pagas e a quem… Vamos ver exactamente como foi feito e o que foi feito. A quem é que se comprou, como é que se vendeu, quem é que participou no negócio… São informações necessárias.

Dez anos depois, que efeito poderá ter?
Muitos efeitos. Em primeiro lugar, o efeito de reconciliar o clube. E de chamar ao clube todos os sócios que entretanto, até como acto de sportinguismo, deixaram de pagar quotas e se afastaram do clube. É preciso chamá-los de volta e a única maneira de o conseguir é através da reconciliação. É preciso explicar-lhes o que se passou. Isso vai pacificar e unir os sportinguistas. Depois, se houver matéria em que o Sporting tenha sido prejudicado, devemos procurar ser indemnizados. E por aí tentar minimizar os estragos do que foi feito. Por outro lado, tem um efeito de lançar as bases para o futuro e transformar este clube num clube saudável, com melhores práticas. Se nada for feito neste momento, corremos o risco de nunca mais fazer nada. Se me assaltam o carro e por acaso não levam nada ou apenas algo de pouco valor, a chatice de ir à esquadra não vale a pena, mas há o dever cívico de participar. Imagine-se que se apanha a pessoa e que ela até já não tem capacidade para devolver o que me roubou. Ao menos mandamos uma mensagem. E é importante enviar essa mensagem para todos os que vierem a seguir.

Partindo do princípio de que se encontra gente que lesou o Sporting. Essa informação não poderá também criar uma revolta entre sócios?
Quem lesou não é sportinguista. Formalmente, terão de deixar de ser sócios.

No futuro, o Sporting terá de estar preparado para todas as possibilidades. O que se pode fazer?
Está a organizar-se um congresso que tem a concordância de todos os candidatos, segundo sei. Acho que tem de se explicar aos sportinguistas que é preciso discutir todos os caminhos: temos de discutir o caminho da insolvência, temos de discutir o caminho de um plano de recuperação, temos de discutir um caminho de enfrentar os credores com força. Temos de explicar aos sportinguistas as consequências desportivas que isso trará e tem de se discutir o clube a cinco, dez anos. Isso é muito importante. O que se tem discutido é tesouraria e os 25 milhões. Mas isto não é nada. Temos é de fazer com que o Sporting volte a ser uma instituição pujante e que sirva o país. É preciso repensar o Sporting e fazer com que volte a ter uma identidade, porque neste momento é só verde e branco. Mais nada.

IN http://www.ionline.pt

Entrevista do Candidato ao CFeD Vicente Caldeira Pires, para o Público.
19/03/2013

Entrevista do Candidato ao CFeD Vicente Caldeira Pires, para o Público.

“Houve muita promiscuidade no Sporting nos últimos anos”

O PÚBLICO inicia nesta terça-feira a publicação de uma série de entrevistas aos candidatos aos órgãos sociais do Sporting. A primeira é a Vicente Caldeira Pires, que concorre apenas ao Conselho Fiscal e Disciplinar.

Vicente Caldeira Pires, advogado, de 32 anos, quer tornar o Conselho Fiscal e Disciplinar do clube de Alvalade num órgão verdadeiramente independente no clube, com distanciamento para fiscalizar eficazmente a conduta do futuro conselho directivo. Se alcançar este objectivo, um dos seus primeiros actos será promover uma auditoria de gestão aos últimos 18 anos do Sporting e apurar quem foram os responsáveis pela actual situação financeira. Defende que só desta forma haverá pacificação no mundo “leonino”.

Apenas ponderou concorrer ao Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD)?
Sim, nunca ponderei concorrer a mais nenhum órgão social do clube. Já integrei uma candidatura independente ao CFD em 2011, não como presidente, mas como vogal. Na altura tivemos 6,6%, uma votação expressiva face à nossa reduzida visibilidade na comunicação social. Após essas eleições, o nosso grupo manteve-se sempre muito atento ao desenvolvimento da situação do clube e mantivemos a nossa lista unida em torno do mesmo propósito. O nosso programa manteve-se como há dois anos, até porque a situação do clube é igualmente preocupante, para pior.

Têm expectativas de ser eleitos agora?
Sim, até porque, entretanto, houve uma alteração estatutária, com a introdução do método de Hondt nas eleições para este órgão. Em 2011, a nossa candidatura foi a primeira independente a concorrer ao CFD que, pela sua natureza, deve ser independente (para fiscalizar a conduta do conselho directivo), e acho que isso despertou a sensibilidade de muitos sportinguistas. Foi, mais uma vez, com sentido de responsabilidade que voltámos a avançar.

Têm sentido receptividade dos sócios?
Muito. Sentimos isso nas sessões de esclarecimento que temos promovido, onde as pessoas têm expressamente manifestado o seu apoio e incentivado a nossa campanha. Sentimos uma força redobrada. Estes últimos dois anos foram um choque para a maior parte dos sportinguistas, que estão a abrir os olhos. Hoje sabem que aqueles, como nós, que éramos qualificados como ‘pregadores da desgraça’, estavam mesmo a tentar chamar a atenção para o caminho que o clube levava. Hoje temos um passivo astronómico, muitas receitas comprometidas, incluindo passes antecipados…

O que torna então este Sporting atractivo para um candidato?
No que diz respeito à nossa lista, o que nos atrai e move é única e exclusivamente o nosso sportinguismo. Espero que também seja isto que atrai os três candidatos ao conselho directivo.

Ficou surpreendido por haver três candidaturas à direcção?
Não, acho mais negativos os anos em que houve uma candidatura única. Um período em que uma espécie de dinastia comandou os destinos do clube, num processo quase sucessório. Não faz sentido que o poder se vá passando de mão em mão, como que uma delegação.

Mas os sócios têm sempre optado por uma certa linha de “continuidade” com o passado…
É verdade. Mas os sócios começam a constatar que todo este projecto [iniciado por José Roquette, em 1996] foi um logro, um embuste. O passivo consolidado rondará os 480 milhões, mas a situação pode ser pior. Estamos a falar na possibilidade de responsabilizar alguns dos dirigentes que levaram a situação a este ponto e apurar outras situações que, se calhar, nem estão lançadas contabilisticamente.

Não ficaram convencidos com a auditoria financeira feita em 2011, por iniciativa de Godinho Lopes?
Essa foi uma auditoria meramente contabilística, que não permite apurar se houve ou não gestão danosa. Nós queremos uma auditoria que possa responder definitivamente a esta pergunta. Não dizemos que tenham existido este tipo de actos, mas achamos estranho que, num percurso de degradação e definhamento de uma instituição que era tão forte e que, neste momento, está refém de bancos e credores e é vítima de clubes rivais que vêm retirar os jogadores que lhes interessam. A ideia da auditoria de 2011 foi apenas calar as pessoas, a auditoria que propomos pretende apurar, acima de tudo, como tudo isto aconteceu.

Se apurarem a existência de indícios de gestão danosa pretendem esclarecer tudo em tribunal?
Sim, é o dever do clube. Este será o primeiro passo para pacificar o clube e para este se reconciliar com os sportinguistas. É assustador ver como o número de sócios com as quotas em dia baixou. Estas eleições são um exemplo, com apenas cerca de 32 mil sócios em condições de votar. O Sporting tem de se preocupar em angariar novos sócios, mas tem urgentemente de se reconciliar com aqueles que foram abandonando o clube. Muitos deles saíram como última forma de se manifestarem contra o estado do clube. Estes sócios merecem saber o que é que se passou e só isso irá pacificar, de uma vez por todas, os sportinguistas. Temos de analisar o passado, para construir as bases do futuro.

Nos últimos 18 anos passaram pelo Sporting dirigentes com reputação no mundo empresarial, da banca e da sociedade civil, em geral. O que aconteceu para este desfecho?
É no mínimo curioso que empresários de sucesso e de renome tenham tanto sucesso na sua vida empresarial e que tenham o Sporting como maior caso de insucesso em termos de gestão desportiva ao nível nacional. Acho que houve muita promiscuidade no clube nos últimos anos, entre bancos, fornecedores e prestadores de serviços de forma directa ou indirecta. Pessoas que compraram ou venderam ao Sporting, que receberam comissões, que prestaram serviços e que estavam directa ou indirectamente ligadas ao órgãos sociais do clube.

O Sporting foi um centro de negócios?
Foi. Foi um ‘saco de boxe’…

O que quer dizer com isso?
Estamos a falar de uma organização em torno da qual gravitaram outras, paralelamente. Foram sendo feitos negócios proveitosos com o Sporting, uma instituição enorme, com uma capacidade de endividamento muito grande e com opacidade na gestão que é patente. Como é que nós podemos ter estes anos de decadência e não ter uma acta do conselho fiscal sobre o assunto? Pelo contrário, as direcções receberam do CFD votos de louvor e de agradecimento, como se estivessem a fazer um favor por estar a dirigir o Sporting. Isso deve-nos fazer pensar. Não é possível tudo isto ter acontecido e termos tido sempre um CFD a prestar louvores. Parece evidente que isto não funcionou.

Um CFD independente não será uma força de bloqueio em relação a uma futura direcção?
Não será nunca uma força de bloqueio. Se tivermos a maioria dos votos e de membros no CFD, que é nosso objectivo, será uma garantia de estabilidade para os sócios. A nossa lista não está a concorrer contra as outras. É, aliás, a única lista que concorre verdadeiramente ao CFD e que não propõe nomes apenas para ter mais apoios para o conselho directivo. Somos a única lista que está direccionada, motivada e tem programa para fazer cumprir aquelas que são as competências deste órgão. Não seremos coniventes com nada que seja prejudicial ao Sporting, mas também não temos nenhuma agenda para fazer oposição ou representarmos uma facção dentro do clube em futuras eleições.

Face ao actual endividamento sufocante do Sporting, que soluções podem ser equacionadas pelas futuras direcções?
Já desde que surgiram os PER que acho que esta poderia ser uma boa solução para o clube. Este caminho tem de ser ponderado com muita seriedade, tal como o caminho da insolvência ou o caminho da reestruturação organizacional, não reestruturações financeiras, que não vão mudar nada. Todos estes caminhos são viáveis, tenham as consequências que tiverem em termos desportivos. E vão ter, sejam descidas de divisão ou impossibilidade de entrar em competições. O Sporting tem de encarar isso, porque tem de pensar com um horizonte de 20 anos.

Acha que uma direcção teria coragem de apresentar uma dessas hipóteses aos sócios?
Acho que tem de ter coragem para o fazer, se pensarem a longo prazo, mas estou a falar como sócio do Sporting e não como candidato ao CFD, porque este órgão não tem competências nessa matéria.

Qualquer uma destas soluções teria de ter o aval da banca credora do clube…
É necessário o aval da banca para renegociar a dívida com a banca, mas lembro: se o Sporting é refém da banca, também a banca é refém do Sporting. As ligações de anteriores presidentes com alguns dos bancos credores fizeram esquecer isso. Um presidente corajoso pode entregar o estádio à banca para pagar as dívidas e aí a banca teria um problema grave nas mãos. Por tudo isto defendo que o Sporting precisa de ser forte.

Encontra essa “força” em alguma das três candidaturas à direcção?
Não me vou pronunciar, somos uma candidatura independente e iremos manter-nos assim antes, durante e depois das eleições. Espero apenas que os sócios sejam esclarecidos durante a campanha.

A sua lista já foi esclarecida com as propostas dos candidatos à direcção?
Não. Acho que a campanha tem sido pouco clarificadora, mas ainda falta muito tempo. Espero que os debates sejam determinantes para esclarecer as pessoas. Eu próprio tenho a necessidade de ser esclarecido.

As questões económicas têm dominado este acto eleitoral, onde não se tem falado de contratações de jogadores ou treinadores como em anteriores eleições…
Isso é positivo, mas não lançaria foguetes antes de tempo. É possível que ainda se venha a falar e, se assim for, eu acho triste.

Estes últimos dois anos foram assim tão traumatizantes para os sócios?
Para a maior parte, sim. Não foi falada a verdade, nem há dois anos, nem há 18. Vamos descobrir exactamente o que falhou no projecto Roquette. Uma coisa correu mal de certeza, que foi a desconsideração do Sporting enquanto clube, enquanto associação de utilidade pública, com fim cultural, recreativo e desportivo e com uma missão intemporal. O Sporting não foi olhado dessa forma pelas pessoas que o geriram.

Como assim?
Posso dar o exemplo daquilo que eu considero que foi a destruição de um clube. Deixou de haver vida de clube em redor do Estádio José de Alvalade. Arrasou-se com a vida social do clube. Construiu-se um mono de cimento, onde as pessoas vão de 15 em 15 dias. À Academia do clube, em Alcochete, ninguém vai e as modalidades andam espalhadas porque não se construiu um pavilhão. Destruiu-se mais do que se construiu. A única coisa que se fez foi um estádio novo e caro. Não há sequer um sítio para as pessoas se reunirem antes de um jogo. Isso é muito triste. Quem dirigiu, não compreendia o que era o clube. Tentou transformar-se o clube numa empresa, sem introduzir sequer a inteligência empresarial.

IN http://www.publico.pt

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