18/04/2023
Carta aberta à Direção do Ginásio Clube Português:
No passado dia 21 de Março a Direção do Ginásio Clube Português e no âmbito das comemorações do 18º Aniversário do Clube entregou diplomas de mérito e de louvor. Fui um dos Professores contemplados com diploma de louvor e por essa razão foi-me permitido dirigir umas palavras aos presentes. Depois de ouvir o que havia dito na cerimónia notei que muito do que gostaria e deveria de ter dito ficou omisso. O meu discurso pareceu o de alguém que sente um grande distanciamento para com o GCP o que está longe de corresponder à realidade. O intuito desta carta é colmatar aquilo que considero ter sido uma falha de minha parte. Pode-se nisto ver uma vantagem uma vez que um documento escrito perdurará sempre mais no tempo do que um documento oral.
Antes do mais, desejo que isto fique bem sublinhado, foi com um imenso orgulho e honra que recebi o voto de louvor da Direção do Ginásio Clube Português, o que não deixa de ser natural visto que estamos a falar de uma das instituições mais antigas e prestigiadas do nosso País de desporto e não só.
A minha vida, desde os inícios da década de 90 do século passado, tem sido no GCP e de tal forma assim é que desde aí que já vivi em 6 casas diferentes, sendo que a do GCP sempre se manteve.
Quando comecei a dar aulas no GCP era solteiro, entretanto casei-me, fui Pai (quando me ligaram a dar a notícia onde estava eu? Claro está que no GCP! A fazer o quê? Obviamente que a dar aulas de ténis!). Entretanto já me separei, já me divorciei, já tenho outra companheira, mas no Ginásio Clube Português sempre me mantive.
Quando iniciei as minhas funções de Professor de Ténis no GCP apenas tinha o 1º ano completo do curso de direito e frequência do 2º e ainda a frequência do curso de solicitador. Foi já no fim dos anos 90, princípios deste século e enquanto dava aulas de ténis no GCP que me licenciei (em Sociologia) e na 2ª metade da 2ª década deste mesmo século que me tornei mestre em Sociologia pelo ISCTE, isto enquanto desempenhava as funções de Professor de Ténis no GCP.
Houve anos em que a última pessoa a sair das instalações do Ginásio Clube Português era eu, acabava as aulas depois das 24h e quando saía apenas ficava o segurança.
Com tudo isto quero apenas dizer que tenho alguma dificuldade em acompanhar aqueles que consideram o Ginásio Clube Português como a sua 2ª casa, uma vez que, muitas vezes, sinto o GCP como sendo a minha 1ª casa.
Nestes 30 anos sempre fui muito respeitado, sempre foram atenciosos comigo, tratando-me mesmo com algum carinho. Assim foi e tem sido por parte daqueles que fizeram e fazem parte das várias direções do Clube desde que nele trabalho. Assim foi e tem sido por parte dos funcionários com que até agora me cruzei, independentemente da função que nele exerçam. Assim foi e tem sido por parte dos vários professores com quem de alguma forma privei, independentemente da modalidade que lecionem.
Dito isto não será de estranhar, sendo até expectável, que sinta uma enorme dívida de gratidão para com o Ginásio Clube Português, dito de outra forma, se alguém merecia um voto de louvor seria o GCP, não eu, que mais não tenho feito do que cumprir as minhas funções da melhor forma que sei. Funções que nesta instituição gostaria de continuar a desempenhar ainda por uns bons anos, caso os responsáveis pelo ténis no GCP assim o desejem.
Esta “carta aberta” não ficaria completa se antes não referisse alguns agradecimentos que são devidos: o primeiro vai para as várias direções do Ginásio Clube Português pelas razões antes apontadas, para a atual em particular pelo facto de me terem achado merecedor de um voto de louvor; o segundo para todos quantos acima referi uma vez que me têm ajudado a fazer sentir o Ginásio Clube Português como uma casa também minha; o terceiro para com os Diretores das Academias de Ténis que têm tido a concessão do Ténis no GCP e para quem tenho trabalhado, pela forma como me têm tratado, pelo facto de me ajudarem a progredir e evoluir como Professor de Ténis sem nunca deixarem de me dar autonomia no desempenho das minhas funções; em quarto, por último e sobretudo, a todos os alunos sem exceção - afinal, um Professor existe em função deles. A todos o meu muito obrigado!
Esta carta é “aberta” e é-o porque vai ser publicada na minha página do Facebook, assim como nas páginas de Facebook da Academia de Ténis Miguel Plantier e do Ginásio Clube Português.