16/02/2015
A aptidão aeróbica pode ser definida como a habilidade de fornecer oxigênio aos músculos e de utilizá-lo para gerar energia durante os exercícios. A aptidão aeróbica depende, portanto, dos componentes pulmonares, cardiovasculares e hematológicos do fornecimento de oxigênio e dos mecanismos oxidativos do músculo em exercício. O consumo máximo de oxigênio (VO2máx), a taxa mais alta de oxigênio que um indivíduo consegue consumir durante um exercício, é amplamente reconhecido como a melhor medida da aptidão aeróbica1. Entretanto, embora o VO2máx limite o desempenho do exercício aeróbico, ele não descreve totalmente todos os aspectos da aptidão aeróbica.
Exercícios de intensidade e duração necessárias para atingir o VO2máx são raramente realizados por jovens e períodos típicos de atividade física são submáximos e de curta duração2. Nessas circunstâncias, é a cinética transitória do VO2 que melhor avalia a resposta integrada do sistema de fornecimento de oxigênio e os requisitos metabólicos do músculo em exercício. A constante de tempo da resposta cinética do VO2 ao exercício em um indivíduo jovem não está relacionada ao VO2máx3. Além disso, o VO2máx não é nem a melhor medida da habilidade de realizar exercício submáximo nem o método mais sensível para monitorar os avanços da aptidão aeróbica através de treinamento.
Apesar de suas origens no metabolismo aeróbico, o acúmulo de lactato no sangue é um bom indicador da aptidão aeróbica submáxima e uma forma de detectar melhoras na capacidade oxidativa do músculo através de treinamento na ausência de alterações no VO2máx3.
Todavia, o VO2máx é a medida mais difundida da aptidão aeróbica em indivíduos jovens e, portanto, meu enfoque será sobre essa variável.
Robinson4 publicou o primeiro estudo laboratorial sobre o VO2máx de meninos em 1938 e Astrand5 relatou o VO2máx de meninos e meninas em 1952, embora a avaliação e interpretação do VO2máx em jovens ainda gerem controvérsias.
O critério convencional para a obtenção do VO2máx durante um teste de exercício é a estabilização ou platô no VO2 a despeito do aumento na intensidade do exercício, porém há mais de 50 anos atrás, Astrand5 demonstrou que essa resposta não é típica da maioria das crianças e adolescentes. Tornou-se mais comum usar então o termo pico de VO2, o VO2 mais alto obtido durante um teste de exercício progressivo até a exaustão, para descrever a aptidão aeróbica de jovens. Se em um teste de exercício progressivo, o jovem apresentar sintomas claros de cansaço, acompanhado de uma frequência cardíaca de mais ou menos 200 batidas por minuto-1 e uma razão de troca respiratória > 1.0, pode se considerar um esforço máximo e o pico de VO2 reflete os limites da aptidão aeróbica6.
O pico de VO2 é uma variável robusta com reprodutibilidade em três te**es com um intervalo de 1 semana entre cada um de aproximadamente 4%, que é comparável à reprodutibilidade da avaliação do VO2max em adultos.