Carla Sofia Silva

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4/4 foi ontem, mas a prenda era surpresa:Quando uma das tuas ‘outras melhores amigas’ sugeriu este texto, comecei por te...
05/04/2024

4/4 foi ontem, mas a prenda era surpresa:

Quando uma das tuas ‘outras melhores amigas’ sugeriu este texto, comecei por tentar recordar a primeira memória que tenho tua.
Espetáculo da DeRose ArtCompany no Helena Sá e Costa. Depois surgiu na memória o dia em que gravei o teu número de telemóvel. Estava em Santa Catarina, tinha ido comprar resina para o espetáculo da Casa da Música e tu ligaste-me para me dar alguma instrução a respeito. Ainda eu era só uma Fatinha na Companhia.

Esse espetáculo da Casa da Música! Quem adivinharia que afinal o bilhete era para uns anos de montanha de russa? E as nossas vidas nunca mais seriam as mesmas, para sempre!
O que não pode ser contado, não pode ser escrito. Mas nem o Alzheimer nos tirará da memória o que aconteceu depois.

Gosto tanto de nós! Esgotámos juntas a nossa dose de loucura, e lá se ia a dose de sanidade mental também. Mas superámos!
E o que não esgota é esta admiração que tenho por ti. É tão espetacular a tua boa disposição e boa energia. Não sei se tens noção de como brilha um lugar quando chegas tu. Não importa que sejas pequenina e magrinha, a casa f**a sempre cheia se tu estás. Os nossos corações também! A tua gargalhada é igual de maravilhosa. Queriam todos os líderes ser como tu: organização máxima e um cuidado com as pessoas que não tem igual.

Fico mesmo feliz por estares feliz nessa slowlife na ilha, mas confesso que quero muitas vezes que o Atlântico se encolha e que a ilha deixe de ser ilha.
Sinto a tua falta, aqui.

Obrigada por todos os brilhos que trazes à minha vida!

Love you!

PS - Claro que também é impossível passar por este 4/4 sem lembrar (e sem levar as mãos à cabeça) um 4/4 mais distante onde as chaves do carro se enfiaram no meio do sofá porque não tiveram estrutura para aguentar a festa! Saudades de fechar uma pista contigo.

Parabéns, .p.lopes da minha vida 🍀🥰

Há textos que são uma terapia das boas. Comecei um desses há uns dias e parece não ter fim, já virou quase livro e eu qu...
09/12/2023

Há textos que são uma terapia das boas. Comecei um desses há uns dias e parece não ter fim, já virou quase livro e eu quase curada.

Na primavera do ano passado meti-me num projeto por opção, sem saber muito bem para o que ia, confesso. Esse projeto tem crescido e ocupado grande parte dos meus dias. O resto do trabalho, passou a ser só mesmo o “resto “.

Sabia que ia ser importante dedicar-lhe muitas horas, mas achei que ia ser mais fácil concilia-lo com os outros projetos.

A esta altura do texto está na altura de contar que esse projeto tem até nome:
“Maria Miguel, prazer! “😅

E a esta altura da terapia está na altura de assumir que o meu full time é ser mãe, e que trabalho nos tempos livres.

Logo eu!
E logo agora! A maternidade traz muita força, muita garra e muita criatividade. Sinto muitas vezes esse ímpeto de criar. Andei a tentar usar essa energia para o resto (resto =trabalho) e fiquei frustrada inúmeras vezes.
A terapia (terapia =texto que ando a escrever e já quase virou livro) mostrou-me que não estava a canalizar essa energia criativa para o projeto mais importante atualmente.

Por ingenuidade, e algumas crenças limitantes, achei possível trabalhar e cuidar de um bebé em simultâneo. Podia dizer que não tenho andado a fazer bem uma coisa nem outra, mas não é verdade. O trabalho, nem bem nem mal, f**a por fazer 😅. Já o projeto Maria Miguel, não tenho dúvidas de que tem sido muito bem feito.

E a fotografia é da , obviamente 🥰

Adeus, meu modesto segundo andar a contar vindo do céu. Tinha tanta pressa para me mudar quando aqui cheguei. Era a s-e-...
03/11/2023

Adeus, meu modesto segundo andar a contar vindo do céu.

Tinha tanta pressa para me mudar quando aqui cheguei. Era a s-e-x-t-a mudança desse ano. Fui para a escritura com a mala do carro cheia. Instalei-me nesse mesmo dia.
Encontrei o meu abrigo e encontrei-me.
Já a vida, não parou de mudar.

Vou ter saudades do nascer do sol pela janela da sala, da lua como vizinha e da banheira com vista mar, claro. Mas o que sinto, agora sem pressa, é algo mais meu do que isso.

Talvez não assim tão “meu”. 😅 Ao procurar as palavras para contar o que sinto, lembrei-me destas, de Valter Hugo Mãe (em Filho de mil homens).

“Era muito especial que pudesse enternecer-se consigo mesmo. Com o que fora tão recentemente, como se, pelo outro lado das coisas, também lamentasse deixar-se de mão e mudar. Mas não era uma tristeza, era exatamente uma saudade de ter sofrido o que sofrera, o necessário para lhe ensinar a usufruir mais tarde, agora, a felicidade.
Deve nutrir-se carinho por um sentimento sobre o qual se soube construir a felicidade, repetiu muito seguro. Apenas isso, nunca cultivar a dor, mas lembrá-la com respeito, por ter sido indutora de uma melhoria, por melhorar quem se é. Se assim for, não é necessário voltar atrás. A aprendizagem estará feita e o caminho livre para que a dor não se repita. Estava a crescer.”

Tenho andado sem escrever.Falta o tempo. Faltam as palavras também.Antes de ser mãe dizia que não era o tempo que faltav...
30/10/2023

Tenho andado sem escrever.
Falta o tempo. Faltam as palavras também.

Antes de ser mãe dizia que não era o tempo que faltava, era a prioridade. Falta prioridade! Sendo mãe, não tenho mais dúvidas: é mesmo o tempo que falta. A roupa deixa de servir demasiado rápido. As fotografias de ontem estão desatualizadas. Sugiro como definição, ser mãe é saber que será sempre pouco, o tempo.

E as palavras, também faltam. Escrevo para deixar o coração em ordem. Mas não tem mais ordem possível. Maternidade é um querer e não querer constante, em simultâneo e a todo o momento. Querer que cresça sem crescer. Querer que passe sem passar. Querer trabalhar sem largar a cria. Querer que seja autónomo no sono sem que saia da nossa cama. É uma certeza e um mar de dúvida.
Os quereres cohabitam, mesmo incompatíveis. Não tem mais ordem.
Começo a escrever e no instante a seguir já estou a discordar dessa (minha) ideia.
Qual montanha russa!

E é isto! Para primeiro texto (porque acho que deveria começar a fazer mais coisas de que gosto muito, e escrever é uma delas!) já está.

2 anos de casa. De casa, casa.De um porto, ao lado do porto.Um sítio para crescer sem medo. Foi isso que fiz. De resto, ...
28/09/2022

2 anos de casa.
De casa, casa.
De um porto, ao lado do porto.
Um sítio para crescer sem medo. Foi isso que fiz.
De resto, dentro destas quatro paredes, muitas curas, muito eu, muitos segredos, muitos pores do sol e nasceres também, muitas luas como vizinhas, muitos banhos com vista para o mar, muita música alta, muita dança e coreografia, muito choro e muitos risos, muita leitura no parapeito da janela. Muito amor.

Dentro destas quatro paredes. Enquanto a vida dava cambalhotas. Eu segurei-me aqui.
Casa

Uma das maravilhas mais espetaculares destes últimos meses é a sensação tão boa de ser acolhida na comunidade. Como se t...
03/09/2022

Uma das maravilhas mais espetaculares destes últimos meses é a sensação tão boa de ser acolhida na comunidade. Como se todos, conhecidos e não conhecidos, esperassem com alegria este novo ser.

Mais ainda entre mulheres. Ainda mais entre mães.
Uma marca do que nos une e nos fortalece. Um elo forte, um segredo partilhado.

Tem sido lindo.
E nós, entregues! 🤍

01/09/2022

Setembro continua com ar de regresso às aulas. Será o cheiro aos dias mais pequenos, uma calmaria na praia, o trânsito de volta... ou este friozinho na barriga.
Este setembro não é diferente! Vem para mudar, claro!, e com muita coisa boa.

Vou voltar às aulas presenciais do DeRose Method e isso deixa-me incrivelmente feliz! Neste setembro, desde a escola de Matosinhos, a minha nova casa.
Por aqui vou andar a ensinar muitas coisas lindas. Gosto de explicar a respiração completa e acompanhar o impacto que isso tem na vida de cada um. Na verdade, gosto de tudo acerca da respiração: como pode ser utilizada para concentrar, para descontrair, para energizar, para otimizar um treino, para dormir, para melhorar a performance numa apresentação em público…enfim.
Vou também treinar força, flexibilidade e movimento com os alunos. Gosto demasiado de ver crescer a consciência corporal em cada um, de ser testemunha de uma cumplicidade crescente com o próprio corpo.
Gosto que as pessoas saiam da escola melhor do que entraram. É uma das minhas formas de deixar o mundo melhor.
Gosto de ver as pessoas com um sorriso cada vez mais fácil, mais seguras, empoderadas. E também gosto de ser estimulada por elas, por aquelas que se inquietam.

Continuarei a fazer tudo isto em espanhol, através da pantalla que mantém o meu coração em Madrid.

Setembro regressa também com o projeto (posso dizer: preferido?) - ArtMov3ment. Sou privilegiada por gostar de tudo o que faço, mas este aqui...ai! São horas de treino e de consultoria individual no mundo das coreografias e eu acho que ainda não consigo deixar claro o quanto isto me realiza.

Bora regressar (literalmente) às aulas, setembro! 💛

Há uns dias, comecei a escrever para o bebé. Uma coleção do que vai cá dentro, das sensações, dos medos, das reflexões. ...
30/08/2022

Há uns dias, comecei a escrever para o bebé. Uma coleção do que vai cá dentro, das sensações, dos medos, das reflexões. Uma espécie de álbum, mas de textos.

São registos aleatórios dos momentos que quero guardar. São conversas, geralmente profundas, que tenho com o bebé e às quais espero que possamos voltar mais tarde, os dois.
São a nossa história, isso também.

Um dos primeiros textos foi sobre gratidão (first things first) e foi mais ou menos assim:

“Tem o tamanho do amor. É possível que sejam a mesma coisa.
Podemos senti-la, existindo.
Simples, assim. E tão grande.

Não exige nada, nem ninguém, nem algum momento especial. Existindo, basta.

Às vezes, sempre por engano, vamos distrair-nos e afastar-nos da gratidão.
Aí, a vida, que está cheia de coisas boas, entrega-nos pessoas, momentos, paisagens e sensações que nos devolvem à gratidão.

Estejamos atentos e reconheçamos o caminho, para saber voltar ao centro, sempre.”

Ah! E nesse dia, comecei o texto com “Filho, …” porque sabia que seria um menino. Sabia errado 😅 it’s a girl! 🤟🏼

O dia dele foi ontem, só que não consegui escrever. Não que me tenham faltado as palavras, mas a melhor forma de regista...
10/08/2022

O dia dele foi ontem, só que não consegui escrever. Não que me tenham faltado as palavras, mas a melhor forma de registar o momento continua a ser estar presente e entregue, com tudo.
Ontem, foi isso. E tanto para celebrar.
Com esse tanto, vem o tal extra de expectativa dos dias especiais.
Foi o dia dele e eu quis que ele sentisse que é muito especial e quis enchê-lo de amor e quis que ele fosse ainda mais feliz.
Não me parece ter conseguido mais do que em qualquer outro dia. O que não é necessariamente mau.

Foi um dia muito bonito, rodeado de pessoas bonitas, que é como deve ser. No fim das contas, é sempre sobre as pessoas. E nisso, ele é O especialista. Mestrado, doutoramento, Phd e todas as essas coisas, em Pessoas.
Em mostrar-lhes que são importantes e especiais. Em estar Sempre (sempre mesmo) disponível, a qualquer (qualquer mesmo) hora. Em celebrar cada conquista e apoiar cada luta.
Ele sabe (sabe mesmo) que o que mais importa são as pessoas, são sempre as pessoas.
E juro que é a pessoa mais simpática do mundo.

E, , tens razão, se tiveres de ser um bocadinho menos disto para seres mais organizado e responsável, prefiro mil vezes isto - ganhaste 😅

Escrevo desde um profundo estado de gratidão. Uma calma e um silêncio. Visto de fora, ninguém diria.Estamos 16 amigos nu...
06/08/2022

Escrevo desde um profundo estado de gratidão.
Uma calma e um silêncio.

Visto de fora, ninguém diria.
Estamos 16 amigos numa casa de férias pouco convencional (hoje tivemos visitas de mais 11!), temos 3 patudos connosco e 4 crianças, há música alta na cozinha, nos sofás e na piscina.
Visto de fora, diriam ser o caos.
E cá dentro, ai!!! Uma transformação profunda sem pausa. Uma revolução.

Ainda assim, este silêncio e esta calma.
Quase uma certeza.

Gosto de estar aqui.
Que eu saiba encontrar o caminho até aqui, senão sempre, mais vezes.

23/07/2022

Para esta coreografia levei comigo umas semanas de transformação. Doze, para ser, não tão exata, mas simbólica.

Foram 12 semanas de mim a habitar num corpo que não conhecia e de um eu que estava mais estranho, mas estranhamente mais perto, a cada dia.

Estive cansada, muito. A minha diagnosticada hipersónia estava mais hiper do que nunca. E todos os dias me sentia a sair de uma viagem de autocarro (nauseada!).

O corpo tem falado muito alto! F**a muito claro o que ele quer. Sobretudo, o que ele não quer. Eu mudei muito. Já não gosto das mesmas coisas. Passei muito tempo sem escrever e só há duas semanas consegui voltar a ler. Ah!, também comprovo que os desejos não são mito.

Um dia ele gritou que queria gravar a coreografia para o exame.
Mesmo não tendo treinado nos últimos três meses. Mesmo tendo de adaptar a sequência e improvisar algo porque a saída do mahá kakásana (aka handstand) não saiu bem - esta custou, porque me custou muito a conquistar. Mesmo não tendo figurino, nem local para gravar e ainda que faltassem apenas três dias para o exame.

Foi um momento muito bonito.
Foi também uma ode à Mulher, à Natureza e à Vida.
Ao meu e ao nosso Eu mais instintivo.

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