29/12/2025
O universo marcial ao qual, genericamente, se associam desportos de combate, artes marciais tradicionais, escolas de defesa pessoal ou qualquer outro sistema de contato que tenha como objetivo a incapacitação do oponente, deverá ser caracterizado, e seguramente que o é por muitos, como um universo de respeito, consideração, fraternidade, partilha e nobreza. A diversidade dos ângulos de abordagem, os diferentes princípios orientadores, os diversos caminhos escolhidos para o treinamento, expressam também interpretações diferentes da via marcial.
O universo marcial é muito mais que aprendizagem de técnicas de combate. É exercitar o corpo, mantendo-o funcional, ativo e resistente, é trabalhar processos mentais reativos e de controlo emocional, é aprofundar o autoconhecimento, é assimilar a superação gradual de limites como caminho. É aceitar a rigidez de técnicas basilares assim como o dinamismo pragmático que caminha ao seu lado.
Todos têm lugar desde que o seu intimo seja honesto e respeitador. Há quem pratique porque se sente só, porque é sedentário, porque busca coordenação e rapidez, porque gosta de aprender técnicas marciais, porque profissionalmente tem de as dominar… os motivos são tantos quantos os praticantes e como tal afigura-se tristemente redutor definir como aceitável um único objetivo legitimo para a prática marcial.
O nivelamento e a uniformização pressupõem um critério único, e isso expressa uma verdade. O universo marcial não contem uma verdade. Nem várias verdades. A verdade é uma realidade não argumentável e inquestionável por definição e como tal relaciona-se com o âmbito religioso e não o campo marcial. O mundo marcial não tem dogmas, é uma irmandade de pessoas de todas as condições que, dentro das suas circunstancias e características, dão o seu melhor, procurando aprender e praticar técnicas defensivas e ofensivas para atingir os seus objetivos pessoais. Artes marciais não é religião, é fraternidade humana no que tem de melhor.
Assim, não será aceitável que uns praticantes sejam ou se sintam superiores a outros, que um caminho marcial seja superior a outro. Em alguma circunstancia qualquer via marcial pode ser mais eficaz que todas as outras e a arrogância ou soberba em nada dignifica a humildade e o respeito que deve caracterizar o praticante marcial.
No caso concreto do Krav Maga, apesar de ser um sistema que tem por base princípios claros e basilares definidos pelo seu fundador, Imi Lichtenfeld, é também ele um sistema aberto e dinâmico por definição, caracterizado pela ausência de regras ou limites técnicos, assumindo um pragmatismo notoriamente interessante e colocando-se numa posição dialogante e respeitadora de todos os diferentes sistemas marciais.
Em ultima análise o universo marcial, na sua fantástica diversidade, trabalha incansavelmente por um mundo mais seguro, com menos violência arbitrária e com menos pessoas vitimas de agressões.