24/01/2026
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“A culpa é do treinador.”
É a frase mais fácil do futebol; curta, sonora, confortável. Serve para o café, para as redes sociais e para os comunicados apressados dos dirigentes. Perdeu? A culpa é do treinador. Jogou mal? A culpa é do treinador. Não correu bem? A culpa é do treinador.
O treinador vive num lugar estranho: manda, mas não joga. Decide, mas não entra em campo. Prepara a semana inteira, estuda o adversário, m***a a estratégia, corrige erros, protege o grupo. Depois senta-se no banco e vê o plano ser executado por outros. Quando falha, falha sozinho.
A pressão vem de todos os lados. Dos adeptos, que querem ganhar sempre e esquecem-se que do outro lado também há um plano. Dos dirigentes, que cobram resultados imediatos, mesmo quando venderam os melhores jogadores ou prometeram um projeto que nunca existiu. E da comunicação social, que transforma qualquer derrota numa sentença.
Mas quando se ganha, o discurso muda. A vitória é da equipa. Dos jogadores. Do “grupo unido”. O treinador passa para segundo plano, como se o sucesso tivesse acontecido por acaso. Como se a vitória não tivesse sido construída ao longo de dias, semanas, meses.
O futebol insiste em não ser visto como aquilo que é: um jogo de equipa. E equipa não é só quem entra em campo. É quem pensa o jogo, quem gere egos, quem segura o balneário nos maus momentos e dá a cara quando tudo corre mal.
Se a derrota é sempre do treinador, então a vitória também devia ser. Mas isso obrigava a assumir que o futebol é mais complexo do que apontar um culpado. E isso dá mais trabalho do que repetir a mesma frase de sempre.
“A culpa é do treinador.”