19/06/2026
𝐂𝐎𝐌𝐔𝐍𝐈𝐂𝐀𝐃𝐎 𝐎𝐅𝐈𝐂𝐈𝐀𝐋
A Associação Desportiva Escola de Formação de Espinho – Os Tigres vem, por este meio, manifestar o seu profundo desagrado e a sua discordância relativamente à decisão de excluir o nosso clube, bem como outros clubes em idênticas circunstâncias, do Circuito Regional de Andebol de Praia do Porto 2026.
Esta decisão torna-se ainda mais difícil de compreender quando confrontada com o processo que a antecedeu. Por iniciativa do nosso clube, foi solicitada uma reunião com a direção da Associação de Andebol do Porto, que se fez representar por quem considerou indicado para o efeito. Nessa reunião, em fevereiro de 2026, o nosso clube apresentou as suas preocupações, contributos e propostas para a melhoria do circuito, tendo sido diretamente questionado quanto à sua participação. A resposta foi clara e imediata, ficando assumido, perante duas direções, o compromisso de presença no circuito. Para o nosso clube, a palavra dada em reunião entre direções é suficiente para estabelecer compromissos, sobretudo quando assenta nos princípios e valores que sempre nortearam a nossa atuação no desporto.
Foi com base nesse enquadramento que estruturámos toda a época desportiva, o planeamento logístico, as inscrições e a organização interna.
Em abril, após novo contacto da nossa parte, não havia qualquer resposta a todas as sugestões e pontos abordados em reunião presencial. No final de maio voltamos a contactar a A.A.P. e, pela primeira vez, foi colocada a possibilidade de exclusão de alguns clubes, sem clarificação objetiva, sem critérios de exclusão definidos.
No dia 3 de junho de 2026, já a escassas semanas do início das provas, o nosso clube foi surpreendido com um comunicado que veio confirmar uma decisão de exclusão sem que tivesse existido, até esse momento, uma comunicação clara, objetiva e atempada que permitisse salvaguardar o regular planeamento da época. Uma decisão com este impacto, comunicada num momento tão próximo do arranque da competição, compromete de forma séria a estabilidade organizativa dos clubes, a preparação dos atletas e a confiança institucional que deve existir entre todas as entidades envolvidas.
Para além do compromisso assumido em fevereiro, importante assinalar uma questão acerca filiação do clube a A.A.P.
Foi-nos exigida a filiação à A.A.P. e enviada por nós quando nos indicado, cumprindo todas as orientações.
Para nossa surpresa, o critério de exclusão apresentado foi sermos um clube fora do Porto.
Ora, não faz sentido que a filiação seja apresentada como condição de participação e, ao mesmo tempo, não produza o efeito lógico de nos integrar na associação enquanto clube filiado. Se a filiação exigida foi cumprida, devem ser conferidos ao clube todos os direitos e deveres dos outros afiliados.
Assim, uma vez cumprido esse requisito, deixaria de fazer sentido invocar a nossa origem territorial como fundamento para exclusão.
A Escola de Formação de Espinho – Os Tigres mantém uma ligação histórica ao Circuito Regional do Porto e ao desenvolvimento do andebol de praia em Portugal. Ao longo dos últimos anos, o nosso clube esteve diretamente ligado à Associação de Andebol do Porto, representando-a de forma exemplar nas competições em que participou e contribuindo para a valorização da sua imagem, do seu prestígio e da sua reputação, tanto a nível nacional como internacional.
Trata-se de um clube com um percurso consolidado e com contributo efetivo para o crescimento da modalidade. Ao longo dos seus doze anos de existência, alcançou inúmeros títulos regionais, vinte títulos nacionais de andebol de praia, presença em quatro finais de competições europeias e a conquista do título de Campeão Europeu em 2024. Esse percurso tornou o clube uma referência inequívoca da modalidade em Portugal.
Por tudo isto, é difícil compreender como um clube com este historial, este percurso e este contributo para o desenvolvimento da modalidade pode ser impedido de participar numa competição para a qual sempre contribuiu de forma ativa.
Mais difícil ainda é aceitar que esta medida seja apresentada como uma decisão tomada em benefício do andebol de praia.
No imediato, foram apresentadas propostas concretas e soluções viáveis que permitiriam a participação das equipas interessadas sem comprometer a organização da competição. Essas propostas foram elaboradas pelo nosso clube e subscritas por diversos clubes (inclusive clubes filiados na A.A.P.), num espírito construtivo e colaborativo, com o propósito de assegurar que nenhum atleta, de qualquer clube, fosse privado da oportunidade de competir.
Perante a existência dessas alternativas, é legítimo questionar se a decisão agora assumida corresponde, de facto, ao melhor interesse da modalidade.
Na nossa perspetiva, os elementos conhecidos não permitem concluir que se trate de uma decisão orientada prioritariamente pelo crescimento do andebol de praia, pela promoção da prática desportiva ou pela salvaguarda dos interesses dos atletas.
O nosso clube não se revê numa visão do desporto em que a limitação de oportunidades a outros clubes ou atletas possa ser admitida desta forma. Os valores que sempre defendemos são outros: formação, respeito, cooperação institucional, meritocracia, ética desportiva e desenvolvimento sustentado da modalidade.
Por essa razão, não podemos deixar de expressar a profunda desilusão que esta situação nos provoca. Ao mesmo tempo, consideramos que este caso evidencia a necessidade de uma reflexão séria sobre a forma como o andebol de praia é regulado e organizado. Não é aceitável que clubes que investem durante anos na modalidade, que contribuem para o seu crescimento e que planeiam atempadamente toda uma época desportiva possam ficar impedidos de competir a poucas semanas do início das provas, sem mecanismos mínimos de proteção, previsibilidade e enquadramento adequado.
Queremos igualmente deixar uma palavra de sincero agradecimento a todos os clubes que estiveram ao nosso lado neste processo. A todos os que subscreveram e apoiaram o documento de propostas de resolução apresentado à Associação de Andebol do Porto, deixamos o nosso profundo reconhecimento. Esse apoio teve um significado particularmente relevante por ter partido não apenas de clubes de outras associações regionais, mas também de clubes filiados na própria Associação de Andebol do Porto, que reconheceram a gravidade da situação e colocaram os interesses da modalidade acima de qualquer conveniência circunstancial.
A todos eles dirigimos uma palavra de respeito, admiração e gratidão. Estas demonstrações de solidariedade reforçam a nossa convicção de que o andebol de praia continua a contar com pessoas e instituições comprometidas com os valores da justiça, da inclusão, da cooperação e do crescimento coletivo.
Com clara admiração e profunda desilusão apenas um dos clubes contactados rejeitou assinar a proposta de soluções, colocando interesses individuais, institucionais ou estratégicos acima da promoção e defesa da modalidade e dos seus atletas, algo que lamentamos profundamente. A competição justa deve ser dentro do campo e de âmbito exclusivamente desportivo.
Importa também afirmar, com clareza, que esta decisão não enfraquecerá o nosso projeto. Não nos desviará do nosso caminho, nem diminuirá a nossa ambição. Pelo contrário, reforçará a nossa determinação em continuar a crescer, a evoluir e a trabalhar ainda mais.
Já estamos a desenvolver novas estratégias e soluções que permitam continuar a proporcionar aos nossos atletas as melhores condições possíveis para treinar, competir e evoluir. A nossa prioridade continuará a ser a formação dos nossos jovens, a qualidade do trabalho desenvolvido diariamente e a consolidação de um projeto que continue a ser uma referência nacional.
Continuaremos a trabalhar para manter a Escola de Formação de Espinho – Os Tigres como uma referência do andebol de praia nacional e europeu e como um dos principais clubes de formação em Portugal.
Por fim, reafirmamos aquilo que sempre nos distinguiu. O nosso clube estará sempre do lado do crescimento da modalidade. Seremos sempre favoráveis ao crescimento do andebol de praia e do andebol indoor, independentemente da dimensão ou da origem dos clubes envolvidos. Nunca defenderemos medidas que limitem artificialmente o desenvolvimento de outros clubes. Nunca estaremos do lado de práticas que travem o crescimento da modalidade.
Os Tigres existiam antes desta decisão. Os Tigres continuarão a existir depois dela!
E continuarão a crescer, a vencer e a honrar todos aqueles que acreditam neste projeto, porque a nossa força sempre resultou do trabalho, da dedicação e da paixão das nossas pessoas.
Espinho, junho de 2026
A Direção
Associação Desportiva Escola de Formação de Espinho – Os Tigres