14/07/2026
Com o aproximar do final do meu mandato como Presidente da AAVTSM, sinto que chegou o momento de deixar algumas palavras finais enquanto responsável por uma estrutura que, durante muitos anos, fez parte da vida de tantas pessoas ligadas ao desporto veterano.
Assumi estas funções com a convicção de que os veteranos podiam representar algo mais do que apenas competição. Sempre acreditei que este devia ser um espaço de camaradagem, respeito, desportivismo e continuidade da paixão pelo desporto. Um lugar onde antigos atletas pudessem continuar ligados àquilo que durante tantos anos os fez felizes e onde aqueles que nunca tiveram oportunidade de viver o desporto competitivo pudessem, ainda assim, sentir-se parte dessa experiência.
Acreditei sinceramente que os veteranos podiam — e deviam — representar um exemplo positivo para os mais jovens. Um espaço onde a maturidade, a experiência e os anos vividos trouxessem também uma maior capacidade de respeito, fair play e valorização dos momentos dentro e fora de campo.
Infelizmente, ao longo destes anos, deparei-me muitas vezes com uma realidade diferente daquela que idealizava.
Em demasiados momentos, o desporto veterano acabou por mostrar o pior da competição: conflitos, insultos, divisões, agressividade e uma cultura de crítica constante a quem tenta assumir responsabilidades e manter vivas estruturas como esta.
É importante dizê-lo com honestidade: liderar uma associação desta natureza tornou-se, em muitos momentos, um exercício de enorme desgaste humano.
Há sempre quem critique decisões, quem exija soluções imediatas e quem cobre presença, rigor e organização, mas são muito poucos os que estão dispostos a assumir o verdadeiro peso do trabalho, da responsabilidade e das consequências que existem nos bastidores.
Ainda assim, apesar de tudo, continuo a acreditar no valor humano que o desporto pode ter. E é precisamente por acreditar nisso que considero que algumas verdades também precisam de ser ditas.
Nenhuma associação sobrevive apenas com exigência, ruído e crítica permanente. Sobrevive com espírito de comunidade, entreajuda, respeito por quem assume responsabilidades e vontade coletiva de construir algo melhor.
Provavelmente não fui o homem de que a associação precisava naquele momento da sua história. Mas fui o homem que teve.
Quando assumi a presidência, já trazia comigo vários anos de ligação à AAVTSM, mas também o desgaste e a desilusão acumulados ao longo desse percurso. Talvez, por isso, não fosse a pessoa com a energia ou a disponibilidade necessárias para liderar uma verdadeira reconstrução.
Mas aquele era também um momento de rutura. Se ninguém assumisse a responsabilidade, existia uma possibilidade real de a associação terminar ali o seu caminho.
Eu assumi essa responsabilidade.
Fi-lo com um compromisso muito concreto: não deixar a AAVTSM morrer naquele momento. Garantir a sua continuidade durante o mandato, procurar devolver-lhe alguma estabilidade e cumprir, até ao fim, as responsabilidades que tinha assumido perante os clubes e os atletas.
Sempre deixei claro, com a devida antecedência, que este seria o meu último mandato e que não voltaria a candidatar-me. A continuidade da associação para além deste ciclo dependeria, necessariamente, da disponibilidade de outras pessoas para assumirem essa responsabilidade.
Nesse compromisso, sinto que cumpri aquilo a que me propus.
Saio cansado, mas de consciência tranquila relativamente ao esforço, ao tempo e à dedicação que entreguei a esta associação.
A todos os que ajudaram, colaboraram, respeitaram o trabalho desenvolvido e continuam a acreditar no verdadeiro espírito do desporto veterano, deixo o meu sincero agradecimento.
A apresentação de uma nova lista, encabeçada pelo Sr. Américo Teixeira, permite-me também encerrar este percurso com a tranquilidade de saber que existe vontade de dar continuidade à AAVTSM.
O Sr. Américo Teixeira é uma figura histórica desta associação, alguém que conhece profundamente o seu percurso, as suas dificuldades e aquilo que ela já representou para tantas pessoas. Desejo-lhe, a ele e a toda a sua equipa, a maior sorte e felicidade nesta nova etapa, bem como a força necessária para enfrentarem os desafios que certamente encontrarão.
Desejo genuinamente que a AAVTSM perdure e que, sob a liderança do Sr. Américo Teixeira, possa recuperar a sua força, voltar a aproximar clubes e atletas e afirmar-se novamente como um símbolo de desportivismo, camaradagem e irmandade no futebol veterano.
Que o futuro devolva à AAVTSM e aos seus veteranos aquilo que sempre tiveram de melhor.
Mário Pereira
Presidente da Direção da AAVTSM