12/02/2026
A água que silenciou um estúdio de dança
Há momentos em que a natureza nos lembra, o quanto somos pequenos perante a sua grandiosidade.
Uma academia de dança, que tinha a vista mais bonita, que inspirava com o seu pôr do sol e que estava rodeada de árvores, agora permanece em silêncio. Há mais de duas semanas, que a água insiste em entrar, que infiltra, alaga. O chão vai surpreendendo, até ele parece ter vida e parece querer ficar, mas as marcas já são claras.
Sentimo-nos impotentes. Insistimos assim que a água baixa, organizamos, limpamos, secamos. Nota-se o brilho dos alunos assim que regressam. Mas ainda assim dependemos do céu, do tempo, do imprevisível.
Porque, mesmo com as portas fechadas e o piso marcado pelas inundações, permanece intacta a vontade de voltar. Tenho saudades das contagens “e cinco, seis, sete, oito”. A vontade de construirmos o nosso espetáculo. Anseio a cada dia voltar à Academia.
Obrigado pelas mensagens que tenho recebido ao longo destes dias. Tenho sentido que não sou o único preocupado com a NOSSA casa.
Garanto-vos, a natureza pode ter força, mas eu tenho comigo o sonho e a paixão.
Marcelo Santiago