29/09/2025
Eu vivi dois momentos muito diferentes na busca pelo cinturão.
No primeiro, eu queria. No segundo, eu precisava.
Quando eu queria, tudo tinha sentido. O treino não era sacrifício, era prazer. Eu vivia inspirado, motivado, com alegria e amor pelo que fazia. Eu queria o cinturão porque ele representava mais do que um título, representava um propósito. E quando o nosso trabalho está alinhado com o propósito de Deus, dificilmente ele se torna um fardo. Até as batalhas mais duras se transformam em fonte de entusiasmo, porque a inspiração vem de algo maior do que nós mesmos.
Mas quando eu alcancei o cinturão e recebi o reconhecimento, os aplausos e os elogios, algo mudou. Depois da derrota, eu já não buscava mais o cinturão por querer, mas por precisar. E o precisar nasce da escassez, do medo de perder. Eu não lutava mais por propósito, mas para manter um lugar que alimentava o meu ego. O título já não era sobre conquista, era sobre não perder o respeito, a atenção, a bajulação.
E foi nesse ponto que tudo se tornou pesado. O treino virou peso. A preparação virou peso. A inspiração desapareceu, o amor se apagou, a leveza se perdeu. Eu já não estava mais conectado com Deus, mas com a aprovação dos homens. E foi assim que deixei de alcançar novamente o cinturão.
Hoje eu entendo que vivi duas grandes fases: uma, guiada pela inspiração e pela presença de Deus; a outra, dominada pelo medo e pela vaidade. A primeira me fazia crescer, a segunda me consumia. E aprendi que quando o trabalho nasce da conexão com Deus, ele se enche de propósito, se torna leve e nos leva além. Mas quando nasce do medo de perder, ele nos prende, nos esgota e nos afasta daquilo que realmente importa.