03/04/2025
Sempre há uma causa e um porquê ... para todos os acontecimentos
Nada acontece sem uma causa, ou uma cadeia de causas. Muita confusão houve nas mentes de pessoas que consideraram este Princípio, porque não eram capazes de explicar como uma coisa poderia causar outra coisa, isto é, ser a criadora da segunda coisa.
Com efeito, como matéria, nenhuma coisa pode causar ou criar outra coisa. A Causa e o Efeito são distribuídos simplesmente como eventualidades.
Uma eventualidade é aquilo que acontece ou advém, como um resultado ou uma consequência de diversos eventos procedentes.
Nenhum evento cria outro evento, mas é simplesmente um elo precedente na grande cadeia ordenada de eventos procedentes da energia criativa do TODO.
Há uma continuidade entre todos os acontecimentos precedentes, consequentes e subsequentes. Há uma relação entre tudo o que veio antes, e tudo o que vem agora. Uma pedra é deslocada de um lugar montanhoso e quebra o teto de uma cabana lá em baixo no vale.
A princípio consideramos isto como um acontecimento casual, mas quando examinamos o assunto encontramos uma grande cadeia de causas.
Em primeiro lugar está a chuva que amoleceu a terra que suportava a pedra e que a deixou cair; em segundo lugar atrás desta está a influência do sol, de outras chuvas, etc., que gradualmente desintegraram o pedaço de rocha de um pedaço maior, estão as causas que motivaram a formação da montanha e o seu levantamento pelas convulsões da natureza, e assim até o infinito.
Então poderíamos procurar as causas atrás da causa da chuva, etc. Poderíamos considerar a existência do teto. Enfim, logo nos envolveríamos em uma rede de acontecimentos, causas e efeitos, de cujas malhas intrincadas não nos poderíamos desembaraçar.
Do mesmo modo que um homem tem dois pais, quatro avós, oito bisavós, dezasseis trisavós, e assim por diante até que em quarenta gerações calcula-se o número dos avós remontarem a muitos milhares.
Assim é com o número de causas que se ocultam sob o mais trivial acontecimento ou fenômeno, tal como a passagem de uma delgada fuligem pelos vossos olhos. Não é coisa agradável descrever o pedaço de fuligem desde o período primitivo da história do mundo desde quando ele formava uma parte de um tronco maciço de árvore, que foi primeiramente transformado em carvão e depois até que passou agora pelos vossos olhos no seu caminho para outras aventuras.
E uma grande cadeia de acontecimentos, causas e efeitos, trouxe-o à sua condição presente, e a última é simplesmente uma cadeia dos acontecimentos que poderão produzir outros eventos centenas de anos depois deste momento.
Uma série de acontecimentos procedentes do delgado pedaço de fuligem foi a escrita destas linhas que fez o tipógrafo-mestre reformar certa palavra, o revisor fazer a mesma coisa, e que produzirá certos pensamentos na vossa mente, e de outros, que por sua vez afetarão outras e assim por diante conforme a habilidade do homem para raciocinar: e tudo isto da passagem de um delgado pedaço de fuligem, o que mostra a relatividade e associação das coisas, e o fato anterior que "não há coisa grande, não, há coisa pequena, na mente que causa tudo".
Detende-vos a pensar um momento. Se certo moço não tivesse encontrado uma certa moça, no obscuro período da Idade da Pedra, vós, que agora estais lendo estas linhas, não existiríeis agora. E, talvez, se o mesmo casal não se encontrasse, nós que escrevemos estas linhas, não existiríamos também agora.
E o verdadeiro ato de escrever, da nossa parte, e o ato de ler, da vossa, poderá não só afetar as respectivas vidas nossas e vossas, mas também poderá ter uma influência direta ou indireta sobre muitas outras pessoas que agora vivem e que viverão nas idades futuras. Toda ideia que pensamos, todo ato que fazemos, tem o seu resultado direto ou indireto que se adapta à grande cadeia de Causa e Efeito.
Não queremos entrar em consideração sobre o Livre-Arbítrio ou o determinismo ... entre as diversas razões, a principal é que nenhum lado da controvérsia é inteiramente verdadeiro; com efeito, ambos os lados são parcialmente verdadeiros, de acordo com os Preceitos herméticos.
O Princípio de Polaridade mostra que ambos são Meias-Verdades: polos opostos da Verdade. Os Preceitos são que o homem pode ser livre e ao mesmo tempo limitado pela Necessidade, dependendo isto da significação dos termos e elevação da Verdade cuja significação é examinada.
Os escritores antigos expressam este assunto, assim: "A criação que está mais distante do Centro é a mais limitada; quanto mais próximo chega do Centro, tanto mais Livre é."