15/06/2026
O SC Braga apresentou os novos preços das cadeiras para 2026/2027 e há aumentos que merecem ser olhados com atenção.
Comparando o Lugar Guerreiro com os valores da época passada, os aumentos são claros:
Cativo: 250€ → 275€ (+10%)
Poente Central: 125€ → 150€ (+20%)
Nascente Central: 80€ → 100€ (+25%)
Poente Lateral: 90€ → 110€ (+22%)
Nascente Lateral: 60€ → 75€ (+25%)
Poente Superior: 65€ → 80€ (+23%)
Nascente Superior: 30€ → 45€ (+50%)
Mas há outro ponto ainda mais sensível: acabaram os packs família.
Na época passada existiam opções como Família Duplo e Família Triplo, que permitiam a muitos agregados familiares acompanhar o Braga de forma mais acessível.
E fazendo as contas, a diferença é pesada.
Para uma família de 2 pessoas, o custo passa a ser:
Cativo: 350€ → 550€ (+57%)
Poente Central: 170€ → 300€ (+76%)
Nascente Central: 110€ → 200€ (+82%)
Poente Lateral: 120€ → 220€ (+83%)
Nascente Lateral: 80€ → 150€ (+88%)
Poente Superior: 90€ → 160€ (+78%)
Nascente Superior: 40€ → 90€ (+125%)
Para uma família de 3 pessoas, o impacto ainda é maior:
Cativo: 375€ → 825€ (+120%)
Poente Central: 180€ → 450€ (+150%)
Nascente Central: 120€ → 300€ (+150%)
Poente Lateral: 135€ → 330€ (+144%)
Nascente Lateral: 90€ → 225€ (+150%)
Poente Superior: 90€ → 240€ (+167%)
Nascente Superior: 45€ → 135€ (+200%)
Num clube que quer aproximar-se da cidade, criar novas gerações de adeptos e levar mais famílias ao estádio, retirar esta possibilidade é uma decisão difícil de compreender.
É legítimo que o clube queira valorizar o produto, profissionalizar a experiência e aumentar receitas. O SC Braga cresceu, tem outra dimensão e deve posicionar-se como um clube cada vez mais forte.
Mas também é preciso fazer a pergunta: será este o melhor caminho?
Falamos de um clube com um estádio com capacidade para cerca de 30 mil pessoas, mas que ainda tem menos de 13 mil lugares anuais vendidos. Num contexto destes, aumentar de forma signif**ativa o preço das cadeiras e terminar com soluções familiares pode ser um verdadeiro tiro no pé.
Ainda para mais quando o Estádio Municipal de Braga, apesar de icónico, está longe de oferecer as melhores condições aos adeptos: acessos complicados, estacionamento limitado, pouca proteção em dias de chuva ou frio e uma experiência que nem sempre acompanha o preço pedido.
Nos últimos tempos, sentiu-se uma aproximação bonita entre o clube, os sócios, a cidade e os adeptos. Talvez nunca o SC Braga tenha estado tão próximo dos seus adeptos como na última época. Houve mais presença, mais ligação, mais orgulho e mais vontade de fazer parte.
Por isso mesmo, f**a o apelo: não estraguem tudo agora.
O clube ainda vai a tempo de corrigir este erro. Ainda vai a tempo de ouvir os sócios, rever os valores, repensar o fim dos packs família e encontrar uma solução mais justa para quem quer continuar a estar presente.
E se não o fizer por iniciativa própria, os sócios terão de fazer sentir a sua voz. Porque este clube também é deles. Sempre foi.
E convém lembrar: já tinha havido aumentos recentes.
O adepto compreende que o clube precisa de crescer. Mas o clube também precisa de compreender que crescer não pode signif**ar afastar quem sempre lá esteve.
Valorizar o produto, sim.
Mas sem esquecer que o maior ativo do SC Braga continua a ser quem está na bancada.
O Braga precisa de mais gente no estádio, não de mais cadeiras vazias.