15/06/2026
No desporto de formação, todos os jovens devem ter um lugar.
Todos devem sentir-se respeitados.
Todos devem sentir-se parte da equipa.
Todos devem ter oportunidades para aprender, evoluir e crescer.
Mas isso não significa que todos tenham de jogar exatamente o mesmo tempo em todos os jogos.
E sim, falar sobre isto pode gerar desconforto.
Durante anos confundimos formação com uma distribuição automática de minutos, como se a missão do desporto fosse apenas garantir igualdade de participação.
Mas o desporto ensina muito mais do que isso.
Ensina que o empenho conta.
Ensina que a atitude conta.
Ensina que o compromisso conta.
Ensina que a dedicação ao treino conta.
Ensina que respeitar colegas, treinadores e a equipa conta.
A verdadeira igualdade não está em oferecer exatamente o mesmo a todos.
Está em garantir que todos têm oportunidades reais para aprender, melhorar e construir o seu caminho.
Por vezes, jogar menos durante uma fase do percurso pode ensinar mais do que jogar sempre.
Pode ensinar paciência.
Pode ensinar humildade.
Pode ensinar resiliência.
Pode ensinar a lidar com a frustração.
Pode ensinar a olhar para dentro antes de procurar culpados à volta.
E não, quando um jovem joga menos, a explicação nem sempre está no treinador.
Por vezes, a resposta está na forma como treina.
Na atitude que demonstra diariamente.
No compromisso que assume com o grupo.
Na capacidade de ouvir, aprender e evoluir.
O papel do treinador não é agradar a todos.
É ajudar a formar pessoas, construir equipas e criar condições para que cada atleta desenvolva o melhor de si.
A questão que vale a pena refletir é esta:
Queremos jovens preparados para enfrentar desafios, trabalhar para melhorar e conquistar o seu espaço?
Ou jovens habituados a receber exatamente o mesmo, independentemente do esforço, da dedicação e do compromisso que demonstram?
No desporto, como na vida, crescer também passa por compreender que os direitos caminham lado a lado com as responsabilidades.
E essa pode ser uma das aprendizagens mais valiosas de todas.
Vitor Santos | Educar o sonho