07/08/2018
Por: Tomás Ramos de Deus
CANDIDATURAS PARA A PRESIDÊNCIA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL
Muito se tem falado sobre esta temática no último mês: qual o candidato mais forte, quantos são os candidatos e quem são, “sangue novo” ou “voltar ao passado”, quem compõe as equipas de cada um dos candidatos, as candidaturas de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira, etc.
Na minha opinião de sportinguista sócio nº 73.735, temos dois tipos de candidatura: as candidaturas sérias e as pouco relevantes.
Comecemos antes pelas “não candidaturas” sobre as quais pouco falarei uma vez que o assunto já tem algum desgaste. Bruno de Carvalho e Carlos Vieira foram suspensos de sócios e como tal não se podem candidatar.
A providência cautelar apresentada por Bruno de Carvalho condenou o Sporting a receber as candidaturas para apreciação, se serão aceites ou não, esse é um tema que agora não se põe. Fala-se num outro candidato em substituição de Bruno de Carvalho. Pouco sei sobre o assunto, mais tarde teremos certamente oportunidade para opinar sobre o tema.
Definitivamente vamos ter mudanças.
Das candidaturas pouco relevantes temos Fernando Tavares Pereira. Independentemente de ser, como dizem, um grande sportinguista e apesar de ter capacidades e dos seus argumentos, não terá, na minha opinião, grande expressão nas urnas no dia 8 de Setembro. O outro dos dois nomes que perfilam este grupo é o de Pedro Madeira Rodrigues. Gabo-lhe a coragem e vontade de ter sido o único a querer, de forma objectiva, opor-se a Bruno de Carvalho nas últimas eleições. No entanto, a sua figura ficou marcada por inúmeros tiros no pé tais como a “pseudo-guerrilha barata” com outros candidatos teoricamente mais fortes e a declarada aposta em Cláudio Ranieri em detrimento do treinador que já ocupa o lugar, José Peseiro (não seria nunca a minha escolha mas neste momento mudar a equipa técnica seria um erro tremendo na estrutura do futebol do Sporting para 2018/2019). Para além destes factos, a que se junta alguma falta de carisma, tem demonstrado ser um candidato com pouca noção do que é, realisticamente, o mundo do futebol nos dias de hoje e principalmente o futebol português.
Temos também Rui Jorge Rego, o mais recente candidato oficial. Já se disse também que seria o candidato por trás de Bruno de Carvalho, sinceramente não sei quem é este senhor e nem li o seu programa. Mais à frente falarei sobre ele também.
Resta-nos o primeiro lote, o dos candidatos sérios, no qual incluo quatro nomes: Frederico Varandas, João Benedito, Dias Ferreira e José Maria Ricciardi.
Frederico Varandas foi o primeiro a apresentar uma lista, foi o primeiro a entregar formalmente a “papelada” e foi o primeiro candidato sério a apresentar ideias sérias mas isso não faz dele o candidato mais forte. É um grande sportinguista, tem conhecimento do interior de um balneário, muito competente na sua área com provas dadas e com nomes fortes atrás dele mas não sinto que tenha nem carisma nem estofo para ser o próximo presidente do Sporting. É certo que fez parte da equipa de Bruno de Carvalho e não só se demarcou de tudo o que aconteceu como foi um dos principais impulsionadores da destituição do então presidente, para além de ter f**ado sempre do lado dos jogadores de forma madura e inteligente. No entanto, creio que foi impulsivo com a sua candidatura, que perdeu força ao não ter deixado "assentar a poeira". Tem também tido um certo excesso de confiança em relação ao que vão ser as eleições.
João Benedito, ex-atleta do clube, o grande guarda redes de futsal que defendeu as nossas redes durante tantos gloriosos anos, efectivamente sabe o que é ganhar desportivamente, sabe o que é estar num balneário e que condições se têm de criar para termos bons grupos em todas as nossas modalidades, tem uma postura educada, serena, conhece a “linguagem” do desporto em Portugal e está perfeitamente identif**ado com o que tem sido o clube nos últimos quinze anos. Ainda assim, creio que a sua candidatura é um pouco prematura, tem boas ideias e boas pessoas atrás mas não sei se terá estofo para se bater com Pintos da Costa e Luís Filipes Vieiras deste mundo do futebol.
Dias Ferreira, o eterno candidato. Não temos dúvidas do seu sportinguismo, muitas vezes pouco valorizado, conhecedor do futebol português e seus meandros mas não creio que uma visão, digamos, mais antiquada, seja o melhor para o Sporting. É também uma pessoa super impulsiva, com o coração nas mãos e na boca, já vimos vários exemplos dessa impulsividade, seja em assembleias do clube ou mesmo em programas de televisão.
Resta-nos José Maria Ricciardi. Se já falámos no eterno candidato, em relação a Ricciardi falamos no eterno “não candidato”. Contando agora com o apoio do ex-candidato em 2011 aquando da nomeação de Godinho Lopes e ex-candidato nestas mesmas eleições, Zeferino Boal, o banqueiro, que foi numa primeira fase apoiante das políticas de Bruno de Carvalho e, na fase final, seu forte opositor, aposta finalmente as fichas todas nestas eleições. É verdade que, como é sabido, nunca teve nenhum cargo em nenhuma administração do Sporting Clube de Portugal nem na sua SAD mas esteve associado a negócios e empréstimos obrigacionistas dado o seu papel junto da banca em geral. Tem capital, tem carisma e, pelas razões já mencionadas, pode ser vantajoso em termos de eventuais negociações com os bancos. Creio ser um populista que sabe perfeitamente o que os sócios querem ver. Isso pode ser bom e mau ao mesmo tempo.
Até ao período de entrega de candidaturas prevejo uma ou outra desistência e/ou coligações entre algumas listas. Acredito que a existência de vários candidatos não beneficia o Sporting sob pena de virmos a ter um presidente eleito com 15% ou 20% dos votos. E o que queremos é um presidente eleito por maioria como reflexo da união entre sócios. Precisamos de (poucas) candidaturas fortes , candidaturas sérias, com um projecto muito bem definido, gente profissional ao mais alto nível a trabalhar, muita dedicação e compromisso com o clube, sócios e adeptos, sem os habituais “Jobs for the Boys”, realismo e inteligência nos negócios e principalmente muito amor ao clube e à camisola. Neste momento não apoio nem deixo de apoiar nenhuma candidatura mas com o desenrolar dos acontecimentos vou poder analisar e manifestar-me mais sobre o programa eleitoral de cada candidato.