22/05/2026
Dia 6 – O último capítulo do Transatlas 2026. 🇲🇦🏜️
Chegou o dia de fechar o círculo e regressar a Marrakesh.
Antes de deixarmos Ouarzazate, ainda houve tempo para visitar os impressionantes Atlas Studios, um dos maiores estúdios de cinema do mundo. Entre cenários gigantescos e locais que serviram de palco a inúmeros filmes e séries internacionais, foi uma forma perfeita de encerrar a nossa passagem por esta região única de Marrocos.
O plano inicial passava por mais uma grande etapa de off-road até Marrakech, mas a aventura tinha deixado marcas bem visíveis no nosso quad. Depois de centenas de quilómetros de pedra, calor extremo, pistas rápidas e desertos intermináveis, os pneus traseiros estavam muito para lá do limite. Dois deles tinham sofrido rasgos ao longo da viagem, reparados em Zagora, e acumulavam tantos tacos e remendos que pareciam uma verdadeira manta de retalhos. Os pneus dianteiros, montados novos antes da partida, resistiram exemplarmente, mas os traseiros já tinham dado tudo o que tinham para dar.
Por prudência, decidimos abandonar as pistas logo após os primeiros quilómetros e atravessar o Atlas por estrada de montanha. Não fazia sentido arriscar f**ar parado a poucas horas do destino quando o objetivo principal já estava alcançado.
E que objetivo.
Contra muitas opiniões, previsões pessimistas e dúvidas de quem conhece bem o mundo do todo-o-terreno, conseguimos completar esta travessia. Sozinhos, num único quad, atravessámos montanhas, desertos, vales remotos e algumas das regiões mais isoladas de Marrocos. Quando esta ideia começou a ganhar forma, vários amigos e companheiros do off-road disseram que era uma loucura, que seria extremamente difícil ou até impossível concluir uma aventura destas a dois num quad.
Mas a aventura vive precisamente entre aquilo que parece impossível e aquilo que decidimos tentar na mesma.
Ao longo destes dias aprendemos que a resiliência, a capacidade de adaptação e a vontade de continuar valem muitas vezes mais do que qualquer plano perfeito. Os imprevistos existiram, como existem em qualquer expedição: pneus rasgados, desgaste mecânico, reparações improvisadas e pequenos desafios pelo caminho. E houve também a bravura da Joana que, logo no primeiro dia, viu grande parte da sua roupa f**ar inutilizada devido a um derrame de gasolina na mala. Mas nenhum destes contratempos foi suficiente para travar a viagem ou impedir a conclusão de uma única etapa.
No fundo, sabíamos que o mais importante era estarmos bem. Tudo o resto se resolveria. E felizmente assim foi.
Para a Joana, esta foi também a primeira visita a Marrocos e a primeira vez no deserto do Sahara, um sonho antigo finalmente concretizado. E dificilmente poderia ter existido uma estreia mais intensa: montanhas a quase 3.000 metros de altitude, pistas perdidas no meio do nada, rios secos, oásis escondidos, aldeias berberes, dunas infinitas e alguns dos pores do sol mais impressionantes que alguma vez vimos.
No meio daqueles vales intermináveis, da imensidão das montanhas e da vastidão do deserto, há algo que inevitavelmente nos acompanha: a consciência da nossa própria dimensão. Percebemos como somos pequenos perante a natureza e como o mundo é muito maior do que a rotina do dia a dia nos faz acreditar.
Terminamos esta aventura cansados, cobertos de pó, com pneus sacrif**ados pelo caminho, mas com a alma cheia.
O Transatlas 2026 f**a concluído.
E porque as grandes aventuras também se contam em números:
📍 1.550 km percorridos entre montanhas perdidas, vales remotos e desertos escondidos de Marrocos
⛽ 125 litros de gasolina consumidos
🏜️ Atlas, Sahara, oásis, gargantas e pistas dakarianas
☀️ 6 dias vividos do nascer ao pôr do sol
🛞 Vários furos, rasgos e reparações nos pneus, mas nenhuma etapa ficou por concluir
👫 Duas pessoas, um único quad e uma vontade enorme de descobrir o mundo
Missão cumprida. 🇲🇦💪🏼🔥