04/04/2025
Recentemente temos presenciado eventos que trouxeram grande orgulho à comunidade brasileira de Shogi, em que Koshiro (Hama) e Rebeca (Vilhalva) venceram competições de prestígio internacional, o que lhes concedeu a possibilidade de representar o Brasil em competições presenciais em Países de outros continentes (Japão e Polônia). É claro que ficamos emocionados com estas conquistas, e a habilidade dos nossos shogistas é fator de admiração para esta comunidade. Contudo, mesmo toda a habilidade possível tem capacidade muito limitada de realização, sendo importante chamar a atenção para outra figura fundamental para qualquer esporte ou manifestação artística: o patrocinador.
Na medida em que determinada atividade cai no gosto de mais e mais pessoas, aumenta a possibilidade de que algumas destas pessoas detenham posições sociais e econômicas que lhe permitem alavancar grandemente esta atividade, com o intuito de que mais e mais pessoas possam compartilhar da emoção de uma partida genial ou de ser apresentado a uma obra de arte de qualidade excepcional. Essa alavancagem pode vir na forma de uma divulgação na imprensa, produção de uma obra midiática (como um filme, animação, série, livro ou outra), concessão de bolsas, formação de políticas públicas ou outros.
Isso dispara um poder multiplicador, levando mais e mais pessoas a conhecer a atividade (e, dentre elas, mais algumas com potencial disseminador). E com o aumento do público, vai se formando um mercado: com mais e mais interessados, abre-se oportunidades para jogadores experientes treinarem iniciantes, há comercialização de materiais, surgimento de produtos associados, e mesmo torneios e eventos que geram prêmios e contraprestações em dinheiro. Para se ter uma ideia melhor de como as coisas funcionam, basta dar uma olhada para nossos “primos” mais populares: o xadrez possui milhões de praticantes só no Brasil (desde pessoas simplórias que, segundo elas, mal mexem as peças, até grandes mestres). E com isso, qualquer torneio presencial produzido em praticamente qualquer cidade atrai dezenas ou até centenas de participantes, e vários patrocinadores – dentre eles, atividades aparentemente não correlatas, conduzidas por entusiastas do esporte.
Concluindo, devemos nos regozijar por estas grandes vitórias e oportunidades de poder mostrar a qualidade do Shogi brasileiro ao mundo! Mas sempre nos lembrando e expressando gratidão àqueles que ajudam a tornar isto possível, e seguir atuando enquanto comunidade no sentido de atrair mais e mais participantes, além de prestar todo apoio possível – afinal, nunca sabemos quando vai surgir um novo Naruto ou Gambito da Rainha (do Shogi) que viralize na sociedade e acabem nos tornando Senpais de toda uma nova comunidade de praticantes!