22/03/2017
Precisa falar mais?
Todas vez que publico sobre HIIT, aparecem muitas dúvidas e afirmações controversas, então vou tentar ajudar a esclarecer a questão e facilitar a aplicação prática do método.
1) o que é HIIT? Essa é uma sigla em inglês para treinamento intervalado de alta intensidade que consiste em alternar períodos de esforço intenso (normalmente acima de 80% da intensidade do VO2max ou da frequência cardíaca máxima) com período de recuperação (ativa ou passiva). Ou seja, é algo bem amplo.
2) HIIT é cansativo? Depende! Por exemplo, a 100% da intensidade do VO2máx é possível manter o esforço por cerca de 6 minutos. Portanto, se você f**ar 30 segundos nessa intensidade, você não vai nem chegar perto de se cansar, entende? Assim, um treino que envolvesse 30 segundos nessa intensidade com 30 de descanso seria bem tranquilo e pouco cansativo (Kilpatrick et al., 2015), mas mesmo assim ele ainda é eficiente para emagrecer (Racil et al., 2013; Racil et al., 2016). Então não precisa morrer no HIIT para ter resultados, ok?
3) HIIT com problemas de joelho? Claro! HIIT não é corrida, uma pessoa que não consegue correr, pode pedalar. Mesmo uma pessoa com a perna imobilizada poderia fazer esforços intermitentes usando os braços, como ao usar a corda naval, dar socos, etc. O problema não é o HIIT, mas onde você faz ele.
4) HIIT para pessoas com problemas cardíacos? Mas é claro! Na verdade o HIIT tem sido consistentemente comprovado como uma estratégia eficiente para amenizar os mais diversos problemas cardíacos (Wisloff et al., 2009). Sobre a segurança, veja o tópico 2! Há modelos de HIIT geram menos sobrecarga cardíaca (Kilpatrick et al., 2015) e menor percepção de esforço (Guiraud et al., 2011) que exercícios contínuos em intensidade moderada.
5) quanto tempo dura o HIIT? Depende! Tem o protocolo do Tabata que dura 4 minutos (Tabata et al., 1996) e adaptações com apenas 2 minutos (Logan et al., 2016). Por outro lado há modelos como o 30:30 levado à exaustão que podem chegar perto de uma hora de treino (Billat, 2001b, a).
Percebeu, pessoal? O HIIT pode ser feito de várias formas e adaptados para as mais diversas pessoas. As objeções do tipo, “eu me sinto mal”, “meu joelho dói”, “tenho problemas de coração”... podem ser superadas com facilidade a partir de conhecimentos básicos.
(Paulo Gentil)
Billat LV. (2001a). Interval training for performance: a scientific and empirical practice. Special recommendations for middle- and long-distance running. Part I: aerobic interval training. Sports Med 31, 13-31.
Billat LV. (2001b). Interval training for performance: a scientific and empirical practice. Special recommendations for middle- and long-distance running. Part II: anaerobic interval training. Sports Med 31, 75-90.
Guiraud T, Nigam A, Juneau M, Meyer P, Gayda M & Bosquet L. (2011). Acute Responses to High-Intensity Intermittent Exercise in CHD Patients. Med Sci Sports Exerc 43, 211-217.
Kilpatrick MW, Martinez N, Little JP, Jung ME, Jones AM, Price NW & Lende DH. (2015). Impact of high-intensity interval duration on perceived exertion. Med Sci Sports Exerc 47, 1038-1045.
Logan GR, Harris N, Duncan S, Plank LD, Merien F & Schofield G. (2016). Low-Active Male Adolescents: A Dose Response to High-Intensity Interval Training. Med Sci Sports Exerc 48, 481-490.
Racil G, Ben Ounis O, Hammouda O, Kallel A, Zouhal H, Chamari K & Amri M. (2013). Effects of high vs. moderate exercise intensity during interval training on lipids and adiponectin levels in obese young females. Eur J Appl Physiol 113, 2531-2540.
Racil G, Zouhal H, Elmontassar W, Ben Abderrahmane A, De Sousa MV, Chamari K, Amri M & Coquart JB. (2016). Plyometric exercise combined with high-intensity interval training improves metabolic abnormalities in young obese females more so than interval training alone. Appl Physiol Nutr Metab 41, 103-109.
Tabata I, Nishimura K, Kouzaki M, Hirai Y, Ogita F, Miyachi M & Yamamoto K. (1996). Effects of moderate-intensity endurance and high-intensity intermittent training on anaerobic capacity and VO2max. Med Sci Sports Exerc 28, 1327-1330.
Wisloff U, Ellingsen O & Kemi OJ. (2009). High-intensity interval training to maximize cardiac benefits of exercise training? Exerc Sport Sci Rev 37, 139-146.