06/06/2026
Uma nova geração:
do bacalhau ao pano duplo
A rampa da Pedra Bonita foi o berço e a maior escola de voo livre do Brasil. Otimas condições meteorológicas com lifts nas encostas e térmicas bem definidas, e ainda uma área de pouso interminável na faixa de areia da praia do Pepino. Isso proporcionou o surgimento de talentos a nível internacional. Depois do Luis Cláudio birutar de asa delta em São Conrado, pilotos como André Sansoldo, Beto Dourado, Arnaldo Borges, os irmãos Niemeyer, Cartolano, Berenguer, Falcão, Paul Gaiser, Haakon Lorentzen, Paulo Linhares, Pepê Lopes, Guto Villas, Geraldo Nobre, entre muitos outros, experimentaram toda a evolução dos equipamentos. Esses caras não foram simplesmente “Lendas”, são verdadeiros “Monstros Sagrados”.
Foi quando eles se tornaram os instrutores da nova geração que pegou a mudança do pano simples para as asas de performance. Ao invés de começar a voar com Seagull, Phoenix, Condor, os “novatos dos anos 80” puderam logo comprar uma La Mouette Atlas ou Moyes Mega, quando as feras voltaram dos Estados Unidos com a nova UP Comet.
A Escola Carioca com Pepê, Naldão, Gui Gama e David Street ensinou os “garotos de Ipanema” Octávio Fiaes, Vavado Graça Couto, Fabinho Donato, Hique Itajahy, Roberto Bahia, Maurício Monteiro, Eduardo Popô, enquanto Paul Gaiser e Carlinhos Niemeyer formavam outro grupo na mesma Ultraleve do Claudinho Duvivier, onde ainda havia mais instrutores, além de Miguel Tavares que começava a formar seus primeiros alunos, Marcio Relvas, Roberto Villela, Fernando José, Marcio Timótheo…
Da Pedra Bonita para Bocaina, escapadas no Parque São Vicente em Petrópolis, e a largada para os voos de distância livre em Porciúncula. Uma época de ouro para o voo livre no Rio de Janeiro. O ranking nacional sempre tinha ao menos 25 cariocas entre os 30 melhores classificados.
Até em 1999 a equipe campeã mundial na Itália tinha 4 pilotos de São Conrado: Pedro Matos, Carlinhos e Luizinho Niemeyer, Gustavo Saldanha. Os outros eram os gaúchos André Wolf e Beto Schmitz.
Com as etapas de Brasília, Sapiranga, Governador Valadares, Andradas entrando para o circuito brasileiro, e os incríveis recordes em voos de Cross-Country no Nordeste, novos talentos do SP, RS, DF, MG, emergiram nas competições, e hoje são poucos os representantes do RJ na seleção que vai disputar os campeonatos mundiais.