AfroSurfe

AfroSurfe Olá! Somos o AfroSurf! Ao todo somos em 16 crianças de 04 a 16 anos, moradores do Quilombo da Caç A região da Caçandoca, em Ubatuba, guarda um passado sangrento.

Foi lá que muitos escravos foram submetidos a todo tipo de agressão e crueldade que o sistema Escravista foi capaz de proporcionar. Engana-se quem pensa que a injustiça e a crueldade dos senhores por lá são parte de um passado remoto. Como se não bastasse toda a dor da escravidão, a comunidade da Caçandoca também lutou num passado recente contra a “especulação imobiliária”. “Os mais velhos contam

que foi muito difícil, o pessoal da imobiliária chegava aqui com pessoas armadas e pessoas aqui morreram tomando tiro. As máquinas derrubavam as casas, pessoas armadas a noite dando tiro e a própria comunidade também atirado pra reagir. Era um cenário de guerra tiro pra todo lado. ”, conta Ramon Soares de 17 anos, estudante de jornalismo e idealizador do “AfroSurf”. A luta durou quase quarenta anos e de um vasto território, sobrou aos remanescentes de escravos, uma área de 890 hectares. Hoje quem visita o lugar vê de um lado um condomínio de luxo da Praia do Pulso, do outro um Castelo pertencente a vertente de extrema direita da Igreja Católica, os Arautos do Evangelho, ou se preferir “Os Inimigos do Papa”, como mostrou recente reportagem da Revista IstoÉ. O lugar, de difícil acesso, é mantido pelos quiosques e sobrevive através do turismo e da pesca artesanal. A discrepância e tamanha desigualdade social está escancarada a todo o tempo quando se visita o lugar. Marinas com Iates luxuosos dividem espaço com embarcações humildes. Se para os adultos há pouco trabalho para as crianças sobra nada. Depois da escola é com esse nada e esse imenso vazio, que elas têm de lidar. O alcoolismo faz parte do cotidiano de muitas famílias da Caçandoca. São inúmeras histórias tristes envolvendo crianças abandonas por pais alcóolatras e dependentes de outras químicas. Tragédias particulares e comuns a quase todas as famílias. “Minha mãe está criando duas crianças no momento, elas foram abandonadas”, me conta Ramon com a tranquilidade de um Buda. Ramon tem 17 anos, sonha em ser jornalista. Clarice Lourenço, ou Chally como é mais conhecida, cursa a faculdade de Educação Física, eles são os grandes responsáveis pelo AfroSurf e tudo que cerca o projeto social, que além do esporte tem também a pretensão de unir a comunidade. “Cresci dentro de um projeto, sei que é possível”, conta a estudante que passou a lutar Jiu-Jitsu ainda menina. Hoje, os dois compõem a pequena comunidade de cerca de trinta famílias que formam a Caçandoca. Os pais de Ramon vieram de Camburi, outro Quilombo em Ubatuba. Os de Clarice possuem um quiosque à beira-mar onde a filha trabalha aos finais de semana. “Eu sobrevivo fazendo bicos, minha mãe br**ca e pergunta como eu consigo ser tão tranquilo e ver o lado positivo das coisas”, diz o menino. Nem sempre foi assim. “Quando era pequeno lembro de olhar pro céu e pedir a Deus pra me tirar dali”, refletindo sobre uma infância marcada pelas lembranças de abuso de álcool e dr**as da mãe. O surfe nasce pra Ramon aos 7 anos. “Ganhei minha prancha da minha mãe e comecei a ter aulas.” O menino passou a frequentar o primeiro projeto de escola de surf em uma comunidade Quilombola, localizado na Praia de Camburi (Ubatuba). Dez anos mais tarde, Ramon se incomodou em ver a quantidade de crianças nas ruas. “O Afrosurf nasceu numa temporada de verão enquanto eu pegava onda. Comecei a notar aquelas crianças e a maioria dos pais trabalhando nos quiosques e me preocupou”. Durante os meses de verão há bastante movimento no lugar, que não possui sinalização ou sequer lombadas para impedir motoristas embriagados em alta velocidade. “Então chamei três pra surfar comigo. Dois dias depois de surfarem com um morey vi eles ficando de pé na prancha. Aquilo me deu um estalo! Preciso arrumar pranchas e montar um projeto pra eles.”

De três meninos viraram dezesseis, que encontraram no surfe uma razão para sorrir, ou apenas serem crianças e talvez quem sabe um dia tornarem-se atletas. O projeto está engatinhando e precisa de força, o acesso e a dificuldade de comunicação com as pessoas do local atrapalha ainda mais a situação. Além da dificuldade externa, a comunidade enfrenta um problema interno. “Aqui é um contra a outro. E os filhos dos pais que se odeiam devem se odiar também”, explica Ramon. Os rancores vividos por gerações antepassadas parecem ter deixado uma cicatriz profunda no que restou da comunidade, se é que podemos a chamar assim. Segundo definição etimológica, Comunidade origina-se do Latim com o termo “Communitas” que significa companheirismo, comum, geral, público. A Caçandoca hoje nada tem de comum. “Há um ciclo de conflito, porque ninguém se dá bem com ninguém aqui, as brigas são constantes. A briga é sempre pela terra e não por projetos, pelo espaço”, desabafa Ramon.

“O ser humano se apega ao eu e não ao nós. Eles batalharam tanto tempo por esse lugar, que hoje mesmo tendo lutado não conseguem usufruir. A nova geração sabe sobre o passado de luta, mas agora também quer desfrutar das conquistas e do nosso espaço que por tantos anos eles lutaram pra conquistar. Continuar esse ciclo vicioso de conflito chega a ficar banalizado o esforço”. Banal não é, porém, a garra de Ramon e Clarice, ambos estão determinados a trazer ao lugar, por meio do surfe, a reintegração do entorno e transformar aquilo de fato numa comunidade. FONTE REVISTA TRIP
https://revistatrip.uol.com.br/trip/projeto-afrosurf-promove-surf-e-senso-de-uniao-em-comunidade-quilombola-de-ubatuba

22/06/2020
28/02/2020

Nossa página está um pouco desatualizada ,mas vou postar tudo que aconteceu ano passado e já já o que vamos fazer nesse ano 😊❤🌊

João se divertindo 🌊💙🌿
23/07/2019

João se divertindo 🌊💙🌿

Lucas e sua nave, pelas lentes de Ramon ✨🌿🌊
18/07/2019

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O tempo passa as coisas mudam e os meus alunos sempre evoluindo "Lucas e João "surfando muito.
15/05/2019

O tempo passa as coisas mudam e os meus alunos sempre evoluindo "Lucas e João "surfando muito.

Endereço

Ubatuba, SP

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