27/06/2018
Fala galera!
Para quem não pode conferir a matéria com o relato da expedição, que foi publicada na edição 280 da revista Pesca e Companhia, segue o texto completo com o adicional dos links dos vídeos das pescarias. Vale a pena conferir!
Expedição Tucunaré Azul
Todos nós temos sonhos, a grande questão é: o que fazer para torná-los realidade?
O tempo parece passar muito rápido e as obrigações do dia a dia nos prendem. Cumprimos nossos compromissos muitas vezes com a cabeça em outro lugar, imaginando aquela calmaria, água, natureza e os troféus a serem conquistados. Dessa maneira, tudo começou com um sonho, uma ideia: fazer uma viagem de pesca fora do comum, explorando diferentes locais em uma mesma empreitada, buscando acima de tudo aventura e belos tucunarés azuis!
Formamos a equipe, composta por três pescadores aficionados pela pesca esportiva e então bastou colocar a ideia no papel, buscar apoio de empresas que a comprassem e correr atrás de torná-la realidade. Foi um ano todo entre a elaboração do projeto e o dia em que literalmente colocamos o pé na estrada e partimos atrás de aventura, conhecimento e claro, peixe grande.
O roteiro partia de Toledo PR rumo ao reservatório de Ilha Solteira SP, lago de Serra da Mesa GO, Lago do Peixe Angical TO e já no caminho de volta, São Simão GO. Cronograma de um dia e meio de pescaria em cada local, com exceção do lago do Peixe Angical, onde seriam 5 dias.
O maior desafio seria encontrar os famosos azulões nos locais em que não iríamos pescar por muito tempo, principalmente em virtude da falta de conhecimento dos pontos. Identif**ar as estruturas e a técnica adequada para capturá-los exigiria muita observação, leitura do local, das condições ambientais e identif**ação do comportamento dos peixes.
Cientes de quase tudo que poderíamos encontrar, pois na pescaria e em aventuras como essas sempre prevalece o incerto, chegou o dia de iniciar a expedição. Assim, partimos com o carro e uma carreta adaptada com três caiaques, muita bagagem e com a cabeça cheia de entusiasmo e expectativa, prontos para enfrentar até então a maior aventura de nossas vidas.
Ilha Solteira – 30/11 a 01/12:
O primeiro destino foi o reservatório de Ilha Solteira, na divisa entre o estado São Paulo e Mato Grosso do Sul. Alguns quilômetros antes da chegada fomos recebidos por uma forte chuva, que nos acompanhou durante quase toda estadia na região, contrariando a previsão de que seriam apenas algumas pancadas isoladas. O dia de pescaria começou de baixo de muita água, nada que desanimasse, pois estávamos preparados e dispostos a enfrentar qualquer condição que viesse pela frente.
A pescaria no local não estava fácil, apesar de muita ação, a maioria dos peixes que entravam eram pequenos. Insistimos muito e variando as estratégias de pesca, foi possível encontrar alguns exemplares maiores, porém com comportamento manhoso, mostravam toda sua exuberância e acabavam se camuflando novamente dentre as estruturas. Por mais que houvesse insistência desapareciam e nos deixavam com “água na boca”.
Persistência não faltou, sabíamos que o troféu não tardaria em aparecer e assim fomos presenteados com um belo azulão. Após uma briga intensa, momentos de euforia e satisfação fizeram parte da captura, das fotos e soltura do peixe. Dever cumprido em Ilha Solteira.
Vídeo com lances da pescaria em Ilha Solteira:
https://www.youtube.com/watch?v=kgDTatD_pw4&t=39s
Serra da Mesa – 02 a 03/12:
Seguimos mais de 900 Km rumo a Serra da Mesa, lá fomos recebidos pelo pessoal da pousada Serra Negra, local simples, que oferece variadas acomodações e serviços para pescadores esportivos. A grande vantagem da pousada é sem dúvida a localização, f**a praticamente aos pés da Serra Negra, ponto de referência no lago, onde se encontram os principais pontos de pesca. Iríamos enfrentar uma grande seca que já dura mais de dois anos na região, nível do reservatório a 6%.
Madrugamos na beira do lago e fomos com tudo para cima dos peixes, logo nos primeiros arremessos uma bela porrada na superfície, porém o grande tucunaré azul não entrou, apenas seguiu a isca mostrando toda sua beleza, chegando próximo do caiaque e se despedindo rumo ao fundo com suas nadadeiras azuis brilhantes. Foram alguns minutos tentando rever novamente o que seria um troféu, porém sem resultados. Essa cena criou uma expectativa de que seria um dia de muitas ações, o que não ocorreu com o passar das horas.
Poucas ações, porém, quando algum peixe resolvia aparecer, era encrenca e, em virtude da quantidade de estruturas de pauleiras, acabava levando a melhor. Sem desistir, continuamos a variar na estratégia, pescando em diferentes estruturas e principalmente utilizando diversos tipos de iscas. Dessa maneira, uma verdadeira placa de tucunaré azul não resistiu e abocanhou uma isca de profundidade, o que sucedeu foram minutos de uma briga franca e intensa em meio a troncos retorcidos da antiga vegetação de cerrado há anos alagada.
O destino colaborou e conseguimos colocar as mãos no troféu, conquistando o objetivo de capturar uma verdadeira nave do famoso reservatório de Serra da Mesa, comprovando que a região ainda abriga verdadeiros monstros de nadadeiras azuis!
Lago do Peixe Angical – 04 a 09/12:
Com o objetivo cumprido no segundo destino, colocamos novamente os caiaques na carreta e partimos em direção ao estado do Tocantins, onde fomos recebidos pelo amigo Marcos da pousada Pescaiaque Goiás, única no Brasil especializada em pesca esportiva com caiaque, porém também oferece pacotes de pesca em embarcações motorizadas. O que nos aguardavam eram 5 dias de pesca e desses, 3 dias acampando nas margens do lago.
O lago do Peixe Angical realmente nos surpreendeu com sua beleza e quantidade de peixes, logo no primeiro dia foi um festival de ataques na superfície, o que ocorreu durante toda nossa estadia na região. A maioria dos tucunarés não era de porte muito grande, porém todos os dias encontrávamos ao menos um exemplar de respeito que demostrava toda a força e beleza dos azuis tocantinenses.
Os dias acampados foram uma aventura a parte, a sensação de estar em meio a natureza, com tudo que é necessário no próprio caiaque é única. Nesse período, remamos aproximadamente 45 km, percorrendo braços e grotas com paisagens exuberantes! E para completar, os maiores exemplares capturados na região foram nesses 3 dias de acampamento.
Cada um de nós teve a satisfação de fisgar o próprio troféu – recordes pessoais quebrados.
Vídeos das pescarias no Lago do Peixe Angical:
https://www.youtube.com/watch?v=i8aGbgHs2cM
https://www.youtube.com/watch?v=ObYZ2nQ2NJ8
https://www.youtube.com/watch?v=iDCo2iLWnFM
https://www.youtube.com/watch?v=fiUbNw4rzZE
São Simão - 10 a 12/12:
Ao final dos dias passados no lago do Peixe, partimos rumo a São Simão, já com a sensação de dever cumprido, porém a ansiedade continuava para conhecer mais esse local e garantir outros azulões! Já no caminho tivemos uma notícia animadora, nosso amigo Tuênio, grande pescador esportivo e profundo conhecedor do local, que nos daria suporte, informou que estava saindo muito peixe grande. Expectativa ficou ainda maior, seria esse um desfecho digno de filme para nossa expedição?
Em algumas horas de pescaria percebemos que realmente havíamos acertado uma época espetacular na região, pois logo começamos a avistar casais de grandes tucunarés próximos às margens. O resultado não poderia ter sido melhor, foram belos azulões capturados, a maioria no visual.
O lago de São Simão realmente nos surpreendeu, proporcionou a captura do grande troféu da expedição e nova quebra de recordes pessoais para nós três. Ou seja, foi um final clichê, daqueles de filme em que o melhor da história f**a para o final, algo que não era imaginado nem no sonho que tínhamos inicialmente.
Vídeos da pescaria em São Simão:
https://www.youtube.com/watch?v=vuSLKfWzMgc
https://www.youtube.com/watch?v=ED9lkB84Bq4
Sonho realizado?
Mais do isso, conseguimos conquistar os objetivos traçados meses antes da viagem e retornamos para casa trazendo na bagagem conhecimentos adquiridos, novas amizades, muitas imagens e a vontade de voltar para cada um dos locais que visitamos.
Respondendo à pergunta inicial, o que nós fizemos e recomendamos para tornar os sonhos realidade, é literalmente correr atrás e não desistir, em nosso caso foi correr, remar e pinchar!
Dados numéricos da Expedição:
Duração:
• 14 dias de expedição;
• 10 dias de pesca;
Distâncias percorridas:
• Aproximadamente 4.000 Km de carro;
• Desses cerca de 120 Km de estrada de chão;
• Mais de 140 Km remados;
Equipamentos utilizados:
Caiaques: Barracuda, Lontras Pro Fish e Falcon;
Varas: 5’4” a 5’6” de 6-15 a 8-17 lb de ação moderada;
Carretilhas de perfil baixo;
Linhas multifilamento de 20 a 30 lb;
Leader de fluorcarbon 0,47 mm;
Iscas artificiais variadas de superfície, meia água, fundo, jigs e softs.
Vídeo com dicas das iscas que deram mais resultado:
https://www.youtube.com/watch?v=OlybevteBAQ
Esperamos que tenham gostado de acompanhar e fazer parte dessa aventura!