13/02/2013
Expedição Patagonia – 2013 (Timbó Ushuaia)
3º dia – 09.02.2013 – sábado
Raiou mais um dia maravilhoso, nos mostrando como era simpática a cidade de San Miguel del Monte. Em nossa curta viagem, o café da manhã do hotel Águas del Monte beira quase o indescritível. Foi uma variedade de frutas, bolos, tortas, geléias, bolachas, brioches, chás, e... “medialunas”, uma delícia. Difícil de resistir. O Jacques, fartou-se com as medialunas e desde então fala nelas. Paixão à primeira mordida. O Thiago, sim com “th” meus amigos e peço escusas ao especial detentor do nome por tê-lo grafado errado nos dois primeiros relatos do diário de bordo, irá postar as fotos do local (San Miguel del Monte) na página do facebook, desenvolvida especialmente para os relatos da viagem. Deixamos o hotel mais pesados e tenho que dizer que o carro e as motos estavam sem combustível.
Abastecimento na saída da cidade e nossa bússola sempre apontando para o sul.
Nosso caminho era mostrado através da RN 3, iluminada por um sol generoso e temperatura em torno dos 26 graus, sem vento, mas com intenso movimento de veículos que também viajavam.
Próxima parada na cidade de Azul, onde reabastecemos as motos. E registramos que na estrada existe um parador chamado “Roma Santa”, que nos pareceu agradável e ótima dica para quem estiver cansado ou transitando pelo local e que não gostaria de dormir na cidade.
Mais alguns quilômetros em direção ao nosso destino da etapa, a cidade de Bahia Blanca e paramos novamente, desta vez para fazer um lanche nas proximidades da cidade de Adolfo González Chaves, à beira do caminho, debaixo de farta sombra dos eucaliptos.
Nesse trecho o Thiago parecia o superman. Esticava as pernas para trás, agarrado aos manetes e o Cattoni testava a trava do acelerador especialmente desenvolvida para os longos trechos retos da estrada na Patagônia Argentina. De vez em quando ficávamos olhando ele pilotando a moto sem as mãos no guidão, com os braços cruzados a mais de 130 km/h, mostrando que seu empenho valeu a pena: a trava funcionava perfeitamente bem. Para quem gosta de motocicleta e curte viajar com elas, sabe bem o quanto é confortável poder pilotá-las sem a necessidade constante de manter a manete direita “enrrolada”. É uma tranqüilidade poder contar com um profissional da qualidade do amigo Catoni em nosso grupo. Entende muito dos brinquedos com duas rodas e é excelente companheiro, sempre muito bem humorado, precisavam ver ele sentado de lado na moto, com as mãos para cima, de um lado e do outro da magrela, sempre com o “cruise control” que ele mesmo desenvolveu.
Nesse trecho da viagem, fizemos muitas fotos das bikes e do carro e quando paramos para novo abastecimento já havíamos chego à Bahia Blanca, com muito sol e uma temperatura de 37 graus. Está quente por aqui e o céu continua azul, nos lembrando que nossa espaçonave também é conhecida como “Planeta Azul”.
Hoje sentimos saudades de nossas amadas esposas, filhos, amigos e todos aqueles que compartilham de nossas vidas. O dia esteve especialmente bonito e agradável e as paisagens vão se sucedendo nas janelas da Toyota, nos enchendo os olhos. Uma vontade enorme de relatar o que é impossível às mãos, pois me falta habilidade e perco vários detalhes no caminho do cérebro/coração/braços/dedos. Vai f**ando difícil de digitar lembrando das pessoas que nos cercam e tornam a existência nesta terra muito mais agradável. Saudades.
Vamos parando com esse papo.
Decidimos, então, após demorada conferência, alongar a “perna” até a cidade de Viedma, e o céu foi, repentinamente, mudando de tonalidade, com as nuvens denunciando a aproximação da chuva. A primeira água do céu nestes três dias e o pessoal desabrigado já desembrulhou as capas, providenciando as respectivas colocações sobre os macacões.
Estamos a 46 km da cidade de Vilalonga e a 138 km antes de Viedma.
O céu, agora, está dividido em duas partes: uma grande e negra e uma pequenina, que teima ainda em f**ar azul. Não há vento. As formações das nuvens começam a preocupar, especialmente uma mais próxima que se parece com uma mão. Será a mão de Deus? Ele é presença constante e podemos sentir Sua preocupação e dedicação à nós seres humanos, com a criação maravilhosa que nos dedicou. Somos perfeitos, mas a tormenta é iminente e temos que reabastecer a frota.
Antes de chegar ao posto de combustíveis, já sentimos alguns pingos, mas são poucos e a “mão” f**a meio de lado, no nosso sentido, quando o Jacques me fala: “Raio e pedra”. Eu, imediatamente olho para o lado dele para dizer que não seremos pessimistas, mas está muito quente e a parte escura do céu está enorme e muito escura mesmo quando, uma gigantesca descarga elétrica brilha à nossa direita, na posição das duas horas. Viro a cabeça novamente para o Jacques e ele: “Não vou falar mais nada”. É bom mesmo, porque estamos chegando no posto para reabastecimento e, na ânsia de agilizar os reabastecimentos acabei tomando uma bronca do único frentista do estabelecimento. A coisa iria piorar ainda mais.
Começou a ventar forte e a “mão” apontava na nossa direção, talvez direcionando a chuva que também aumentava consideravelmente. Nós estávamos em meio a um temporal daqueles que conhecemos somente através dos relatos de outros viajantes ou de algum livro e já não podíamos f**ar abastecendo os veículos sem nos molhar, mesmo sob o teto do posto. Barulhos na armação de ferro do telhado e a situação ficou tétrica. Era muita chuva e muito, mas muito vento. Ficar ali naquele posto seria uma temeridade maior do que seguir viajando, cortando a cortina d’água que havia se formado em torno de onde estávamos. Decidimos partir. Lembram da temperatura? Agora faz 19 graus.
Lavamos as motos e nossas almas também.
Chegando à Viedma ao final da tarde, fomos ao hotel selecionado e.... lotado. Aliás a cidade estava movimentadíssima, tal qual a vizinha Carmen de Patagones. Os hotéis que visitamos estavam “completos, ho hay lugar” e nos foi indicado o hotel Peumayén, localizado no centro da cidade, a duas quadras da avenida costanera. Chegamos e como haviam três apartamentos livres, f**amos. O lugar era terrível e para que se tenha idéia, o elevador possuía uma porta sanfonada externa e uma porta pantográf**a interna. Tudo manualmente acionado e em precário estado de conservação. Os quartos não possuem frigobar e ar-condicionado, além de serem bem apertados. O banho, pelo menos, foi bom. Um detalhe merece destaque: as persianas das janelas dos apartamentos pareciam não abrir. Eram de madeira e não se via qualquer mecanismo de acionamento delas. Para piorar, o quarto do Thiago e da Cattoni, exalava um odor terrível. Cheirava mal mesmo, no bom e rudimentar português. Foi quando conhecemos um novo integrante do time: Jacques Chan Tesch que, inconformado com o fato de que não conseguíamos abrir as persianas e cheirando o quarto dos amigos, “simplesmente” enfiou o pé na persiana, o que fez com que uma das ripas se partisse, possibilitando a subia manual da parte restante da estrutura. Era necessário ventilar o quarto para tentar evitar o cheiro ruim. Foi então que, retornando ao nosso quarto, Jacques Chan descobriu o mecanismo de subida das persianas camuflado na vista direita da janela, oculto por uma espécie de porta embutida. Obviamente retornou ao quarto dos amigos para transmitir o conhecimento adquirido. Foi quando observou o Nilton McGiver Cattoni consertando a válvula da descarga do vaso sanitário. Não lhes falei das habilidades do italiano?? Até na hidráulica o homem é bom mecânico ou bom encanador, tanto faz. Após no instalarmos em nossas latas de sardinha, quero dizer, quartos, saímos para jantar num bom restaurante à beira do rio. Estava completo o time, composto por Nilton ‘McGiver’ Cattoni, Ivo ‘Tagarela’ Tiegs, Thiago ‘Kers’ Duwe, Jacques ‘Chan’ Tesch, Evandro ‘Trump’ Minatti e este que vos escreve. No próximo relato lhes conto o que ainda poderia piorar em nossa estadia.