16/02/2013
Expedição Patagonia – 2013 (Timbó Ushuaia)
4º dia – 10.02.2013 – domingo
Dia seguinte e aumenta nossa decepção com o hotel. Comparecemos ao café da manhã e fomos brindados com pão seco e suco artificial de laranja, além de um líquido mais escuro que teimavam em chamar de café. Uma lástima e com diária de 200 pesos per capita. Estávamos mal acostumados e Viedma não nos deixou saudades.
Como sempre abastecemos a frota antes de dormir, voltamos rápido à nossa velha conhecida RN 3, rumando para Puerto Madryn, com a promessa de conhecer a famosa Península Valdés e sua variada fauna. Nessa perna o Jacques integrou a equipe do programa de emagrecimento e já lhes digo o porque. Teste drive na Suzuki do Thiago e depois na BMW do Cattoni. Em certa parte do percurso tivemos a impressão de que o tempo estava mudando e os equilibristas resolveram se proteger e vestir as roupas de tempo. A partir daí deu-se a adesão do Jacques no, agora já conhecido, método de emagrecimento especialmente desenvolvido pela Expedição Patagônia, pois, adivinhem, não choveu e estava muito calor. A certa altura o Jacques não resistiu e parou para tirar a roupa... de chuva.
Chegando em Puerto Madryn logo após o meio dia, Cattoni, Jacques, Ivo e Minatti, aportaram num dos restaurantes localizados na avenida costanera, enquanto eu e o Thiago saímos na busca de acomodações para a noite. O problema de Viedma se repetiria.
Puerto Madryn é uma cidade balneária, localizada numa baía deslumbrante, com um mar esverdeado lindíssimo e estava cheia de turistas e veranistas. Estamos no verão e em pleno feriado de carnaval, portanto, não haviam quartos de hotel, ou em pousadas e nem casas/apartamentos para alugar. Nós visitamos pelo menos 80% dos hotéis, hosterías, e imobiliárias da cidade e nada. Resolvemos buscar auxílio numa oficina de atendimento ao turista mas, sem êxito.
Tivemos a idéia de procurar uma agência de turismo, dessas que fazem excursões, oportunidade em que o atendente, o Pancho, nos indicou um “local”, não consigo qualif**ar o que era exatamente o estabelecimento, dando a dica de que deveríamos nos apresentar como seus primos, imaginem só. Putz!! Não dava para arriscar dormir ali, nem durante o dia e voltamos ao restaurante vencidos, para transmitir a notícia aos demais membros da expedição.
Nova conferência e decidimos tentar a sorte na cidade mais próxima, Trelew, 64 km ao sul.
Deixaríamos para trás o passeio, programado para o dia seguinte, à Península Valdéz, já que ela dista aproximadamente 170 km de Puerto Madryn e somaríamos outros 64 km, fora o retorno à cidade.
Na estrada, rumando ao novo destino, o tempo muda rapidamente, aliás, característica dessa região e temos que apertar o ritmo para fugir da chuva. Foi quando o Jacques, com a moto do Cattoni, esqueceu de entrar no trevo de acesso à cidade e se mandou, enquanto os demais o viam sumir rumo ao sul. Eu e o Thiago iniciamos a perseguição ao “desgarrado”, lampejando os faróis e acionando a buzina da Toyota. Os outros motoristas não entendiam nada quando os ultrapassávamos buzinando. Como anda bem essa pick-up. Registramos a velocidade máxima de 184km/h, no gps e não conseguíamos alcançar o Jacques “Rabit” Tesch que, felizmente, notou que um veículo preto lampejava freneticamente os faróis e emitia um som conhecido, uma buzina, o que motivou o “The Flash” a parar no acostamento e receber a informação que ele estava indo para Ushuaia, sozinho. Retornamos e encontramos os três mosquiteiros indo ao nosso encalço. Chegamos à Trelew e procuramos um hotel com “cocheras” (garagem), uma decisão deveras acertada e que deverá ser seguida pelo resto da viagem e olha que ainda estávamos seguindo rumo sul. Ushuaia f**a cada dia mais perto e aumenta a nossa ansiedade.
Guardamos nosso meio de locomoção na garagem do Hotel Libertador, já recebendo as primeiras gotas de chuva, e, após estarmos abrigados, chegou a chuva com força total, novamente. Estamos testemunhando o que muitos já relataram: o tempo muda freqüente e rapidamente na patagônia.
Descarregamos a bagagem, sempre constatando o quanto viajamos pesados, para nos instalar nos apartamentos, superconfortáveis. Estranho o fato de que os hotéis, até aqui, não possuem frigobar nos apartamentos. À noite o Jacques me conta o seguinte: “Quando fui tomar banho notei que meus dedos do pé estavam roxos e fiquei preocupado. Até pensei que poderia ser um início de gangrena”. Eu fiquei preocupado e imediatamente olhei para os pés dele, sem notar nada de diferente, ao que ele emendou, já rindo: “Cara, como peguei o início da chuva, acabei molhando os bicos das botas e o couro acabou pintando as pontas dos dedos”. Boas gargalhadas no quarto 104 do Hotel Libertador.
Saímos para jantar o e Jacques e o Thiago buscaram informações num posto de combustível sobre uma churrascaria que estivesse aberta, já que estamos na segunda-feira de carnaval, também aqui na Argentina. O resultado foi uma caminhada de umas 6/7 quadras para encontrar o restaurante solenemente fechado. Na volta ao hotel, acabamos encontrando uma lanchonete aberta e resolvemos comer por ali mesmo, não sem antes acionar o alarme de uma loja vizinha. Explico: quando paramos defronte à lanchonete, o Thiago “agarrou-se” nas grades de segurança da loja e, quando decidimos f**ar por ali, ele deve ter balançado a grade e acionado o alarme, que ficou tocando uma sinfonia de tons de sirene, até que alguém responsável comparecesse ao local para desligá-lo.
Chegamos ao hotel e desligamos num bom e merecido sono.
Até amanhã!