09/05/2019
MATURAÇÃO E FUTEBOL : QUEM SÃO OS VERDADEIROS PREJUDICADOS?
Durante o processo de formação de jogadores de futebol é comum num elenco de determinada categoria encontrarmos garotos com níveis maturacionais diferentes. Assim, garotos com o processo de desenvolvimento físico e biológico diferentes treinam e jogam juntos.
Nas categorias de base geralmente os jogadores maturacionalmente avançados levam vantagem em relação aos atrasados maturacionalmente devido estarem mais desenvolvidos fisicamente, haja vista que a maioria das equipes tem como titulares jogadores com maturação precoce.
MAS NÃO SERIA ESSA UMA VANTAGEM FALSA?
Quais garotos se desenvolvem mais cognitivamente quando estão inseridos num mesmo jogo? Os atrasados ou avançados maturacionalmente?
Os jogadores com maturação tardia devem "se virar" para conseguirem jogar no meio de jogadores mais altos, mais fortes e mais rápidos e isso implica em pensar mais, refletir mais sobre o jogo para conseguirem se sobressair diante de tais situações. Ao passo que os jogadores com maturação precoce refletem menos, pois levam vantagem na maioria das jogadas não por inteligência, mas por questões físicas.
Chega um momento, em média, entre 17 - 19 anos de idade em que todos os jogadores se encontram com o processo de maturação completado, ou seja, todos eles serão mais rápidos, mais altos e mais fortes, mas não necessariamente com mais inteligência de jogo. Aqueles que receberam mais estímulos de inteligência durante as categorias anteriores levarão vantagem, ou seja, os que eram atrasados maturacionalmente e não relacionados para jogos ocuparão os lugares nas equipes titulares, isto é, se não forem dispensados antes disso.
Nesse contexto, os jogadores com maturação tardia são prejudicados por não receberem oportunidades de se desenvolverem ainda mais em competições. Por outro lado, os jogadores com maturação precoce são prejudicados por não receberem estímulos cognitivos suficientes e que farão falta nas categorias maiores.
Concluindo, penso que a solução para tal fato seja oportunizar maiores chances de competir aos jogadores atrasados maturacionalmente e estímulos cognitivos diferentes nos treinamentos para os jogadores com maturação avançada.
Desta forma, especialmente os treinadores devem estar atentos a este fenômeno a fim de evitar erros nos processos de seleção, abandono precoce da prática esportiva pelos jovens e perda de potenciais talentos esportivos.
Carlos Magno Fernandes Filho
Rafael Stucchi Boschi