11/06/2024
A Residência Artística Rio de Janeiro: de 25 de abril a 15 de junho de 2024.
Vem acontecendo de forma criativa-experimental, onde movimentos ancestrais são correlacionados e se estabelecem como paralelos, vivendo dias de bastante confluências e de muitas conexões “eu sou uma tinta preta, derramando letras, sentimentos e questionamentos sobre papéis de pessoas brancas. Mãos retintas, desenhando versos no avesso do sistema, sustentando um voo livre, que se constitui na entrega sem pressa, com a promessa de me manter criativa, chacoalhando os meus desejos e movimentando minhas questões”. Não podem faltar referências como: Maria Da Inglaterra, Marília Garcia, Nego Bispo, Idelzuíta Paixão, Dona Teresa, Grada Kilomba, Paloma Vidal, Vicente de Paula, Ricarda Alvarenga e Lucas Bebiano, Patrick Pessoa e Tiago Guedes. Vivi um jogo de conhecimentos que não se limitaram, a fronteira do corpo, a potência da informação, o ensinamento do silêncio e a impaciência dos ouvidos selvagens, que escutam e recolhem à todas, uma escuta que possibilita a retomada da movimentação e a surgimento da fricção necessária para quebrar as fronteiras e semear ensinamentos. Tenho vivido dias somados a pedagogia da encruzilhada e partilhado com as companhias, formas de abrir o corpo para ouvir melhor. “É o começo, meio e começo”. É uma linha não linear de lugar que faz parte do acontecimento, olhar para os gestos simples, caminhar por uma cortina de fumaça para aliviar os pensamentos pesados, pois o passado saiu na nossa frente e o futuro continua bem atrás de nós. É preciso revisitar o passado e a partir dessas revistas, reconfigurar o futuro. Palestrar é criar na outra, uma vontade de ouvir, é criar imagens como projeção do pensamento, é querer redefinir como que, uma tensão entre ouvir e ver, assim o ensaio costuma ser lido como uma tentativa de falar a gosto do pensamento, e enxergar o ensino sendo uma balança de sinônimos, considerando que os parâmetros de peso são instintivamente escritos e experimentados de forma estrutural, em parceria com a solidão e os espaços entre o céu e o amor. Ensaiar é uma tentativa de dizer, é reformar, reestruturar e lidar com espaços e amores/desamores. Ouvir é ser atravessado e “escrito”, é ser crítico, vendo com os ouvidos o que não estávamos esperando, é examinar o enxame da atenção que nos ferroa. Liberdade é o bem ou mal de tudo? É igual a sonância de constelações e sentidos que ressoam vestígios de epígrafes gravados no começo desse texto, não são explicáveis, são como um conhecimento violento que retira da memória as máscaras enrijecidas por métodos cristalizados.