Airgunner

Airgunner AIRGUNNER tem por objetivo fornecer informações técnicas sobre armas de pressão e afins. O logotipo Airgunner deve representar o orgulho dos Airgunners.

A Marca AIRGUNNER destina-se à instrução técnica de atiradores com o objetivo de trazer conhecimento sobre o tiro esportivo, armas, munições e acessórios e é também uma grife internacional de vestimentas e produtos para conservação de armas. Proposta:
Ser uma marca reconhecida que identifica os Atiradores e fomenta as técnicas de tiro com armas de pressão e de fogo. Missão:
Fortalecer-se como marc

a e como meio de orientação aos entusiastas e praticantes do tiro esportivo, de modo que todos se identifiquem com a mesma linguagem. Princípios:
Comprometimento com a ética e a orientação para a máxima segurança na prática do tiro esportivo. Imagem – Representar os Atiradores como cidadãos responsáveis e comprometidos com o aprendizado constante e com a segurança. Origem do nome: AIRGUNNER é o nome dado na língua Inglesa aos Atiradores e Caçadores que utilizam Armas de Pressão em suas atividades e também aos Atiradores a bordo de aeronaves. O termo surgiu durante a 2a. guerra mundial, como referência aos Atiradores que tripulavam bombardeiros.

QUAL ARMA DE PRESSÃO DEVO COMPRAR? Essa pergunta me é feita com certa frequência. Já escrevi a respeito, mas o tempo pas...
03/04/2026

QUAL ARMA DE PRESSÃO DEVO COMPRAR?

Essa pergunta me é feita com certa frequência.
Já escrevi a respeito, mas o tempo passa e novas marcas e modelos surgem, contudo, isso não muda a essência do tiro e os critérios para a escolha.

Como já escrevi em várias ocasiões, as armas de pressão com energia inicial (saída do cano) acima de 15 Joules, são projetadas para a caça, portanto, destinam-se aos países onde a caça com armas de pressão é permitida.

Dentre esses países, podemos citar os principais, que são Estados Unidos, Inglaterra e África do Sul. Desses três países, prefiro adotar o exemplo da Inglaterra, pois, naquele país a energia na saída do cano é limitada a 16 Joules, e acima desse valor é exigido teste e certificado de aptidão para uso de arma de fogo (FAC).

O exemplo da Inglaterra é interessante justamente por causa da limitação de energia para uso de arma de pressão sem restrição. Naquele país, a caça de aves e pequenos animais como esquilos e coelhos é permitida com armas de pressão até 16 Joules, e o alcance efetivo considerado é aquele onde o projétil retém energia mínima de 4 ft.lb, que correspondem a 5,4 Joules. Numa arma de 16 Joules, essa energia no impacto é verificada em torno de 55 metros para os calibres 4,5 mm e 5,5 mm.

Quanto às opções, a Inglaterra é o berço das armas P*P modernas e tem marcas de peso como Air Arms, Daystate e BSA, para citarmos só três. Dentre essas marcas, a Air Arms e a BSA também fabricam springers de alta qualidade.

Cito esses fatores e marcas inglesas porque no Brasil a busca é sempre por armas de pressão mais potentes e há quem queira usar arma de pressão para substituir arma de fogo. Isso é bobagem.

Se você tem dúvida sobre qual arma de pressão escolher, minha dica é definir a finalidade que dará à arma de pressão.

Uma boa springer (mola e pistão) é fundamental para melhorar as técnicas e habilidades de tiro, e principalmente para quem usa a arma longe da cidade e de locais de recarga, exigidos pelas armas P*P. Então, mesmo que você tenha uma excelente P*P, tenha também uma boa springer.

No caso da P*P, modelos bullpup são compactos e facilitam o uso em ambientes com menos espaço, além de facilitar o transporte. Essa característica não encontramos em 99% das springers.

Quanto ao calibre, 4,5 mm e 5,5 mm são os que têm mais variedades de chumbos e slugs, e se a energia estiver abaixo de 18 J, opte sempre pelo calibre 4,5 mm.

Mas, se você é adepto de potências mais altas, acima de 35 Joules ou pretende atirar a mais de 100 metros, a alternativa é mesmo a P*P.

Nesse caso, terá uma gama grande desde armas com preço abaixo de 3 mil reais até mais de 30 mil reais. Para a maioria das atividades de tiro, armas de preços mais baixos atendem, por isso, não faça a escolha pelo que quer ter, mas pelo que lhe atende. Porém, se o objetivo for competição em modalidade de alta precisão, o investimento em arma e aparelho de pontaria também será alto.

A springer é um tipo de arma que todo 'airgunner' deve ter, mas nesse caso, fuja das marcas e modelos mais baratos e procure springer de qualidade que vibra menos, tem gatilho mais suave e é mais fácil de armar e com melhor equilíbrio. Vai encontrar springer boa a partir de 1500 reais, e a maioria é equipada com mira aberta, assim, o uso de luneta ou red dot é opcional e o investimento inicial limita-se ao valor da arma.

Mas, se e você é novato no mundo das armas de pressão e quer uma P*P, lembre-se que P*P exige meios para encher, como garrafa SCBA ou bomba manual e poucos modelos possuem mira aberta, portanto, há custos adicionais além de precisar de luneta ou red dot, e se você não tiver compressor, há também que considerar gastos com a recarga da garrafa de ar. Então, o investimento em acessórios para P*P pode chegar ao dobro do valor da arma ou até mais, se for P*P de entrada.

Lembre-se que para a maioria das aplicações, armas de pressão com energia entre 15 J e 20 J são suficientes, e se a escolha for springer, nessa faixa de energia são mais fáceis e confortáveis de armar.

Se a escolha for pi***la de pressão, P*P calibre 5,5 mm geralmente tem energia entre 16 J e 22 J, ou seja, na mesma faixa das springers de alta potência. Pi***la P*P traz a vantagem de ter energia igual ou superior à maioria das springers e é fácil de transportar. Se equipada com coronha retrátil e/ou removível permite treinar tiros na modalidade pi***la ou atirar em alvos mais distantes na modalidade carabina.

Atire para acertar!

Nelson L. De Faria.

EDC (EVERY DAY CARRY) - W.R. CASE 18 Este é o nosso segundo artigo sobre EDC, ou "Porte Diário", dedicado aos canivetes....
16/02/2026

EDC (EVERY DAY CARRY) - W.R. CASE 18

Este é o nosso segundo artigo sobre EDC, ou "Porte Diário", dedicado aos canivetes. Aos que se interessam por EDC e lâminas, esta é uma leitura interessante.

Canivetes e facas são pouco explorados tecnicamente no Brasil, mas nos EUA é uma tradição e há modelos que se tornaram ícones naquele país.

Em nosso último artigo abordamos o canivete SCHRADE + LB7 e mencionamos as marcas BUCK e CASE.

Depois que a SCHRADE deixou de fabricar canivetes nos EUA, restaram as duas marcas de qualidade mais conhecidas, BUCK e CASE.

Nossa abordagem neste artigo é sobre o canivete CASE, modelo 18.

O canivete modelo 18, produzido pela W.R. Case & Sons Co.(fundada em 1889), é comumente conhecido como Medium Stockman, que pode ser traduzido livremente como "Pecuarista Médio". Nesse caso, médio refere-se ao tamanho do canivete, com 91 mm fechado e 158 mm com a lâmina principal aberta.

O nome "Stockman" tem origem no século XIX, quando canivetes desse porte tornaram-se comuns entre os vaqueiros (cowboys) e aqueles responsáveis por cuidar do gado e dos negócios (Stockman).

O modelo 18 é um canivete clássico apresentado pela Case por volta de 1940 e é reconhecido pelo cabo em curva, serpenteado, com três lâminas (extremamente afiadas), sendo a lâmina principal tipo clip point (pontiaguda), uma lâmina tipo "sheepfoot" (pé de carneiro) e uma lâmina tipo "spey" (castração) utilizada para castrar animais, mas também para tirar o couro de caças e lmpar aves.

O canivete Case modelo 18 que ilustra este artigo possui a lâmina principal tipo "Califórnia Clip Point" (o nome é alusão ao formato daquele estado). O estilo Califórnia consiste de lâmina mais afilada, que facilita a penetração e cortes de maior precisão, diferente da lâmina Clip Poit convencional, que é mais larga, com a ponta ocupando em torno de 1/3 da lâmina.

O canivete em questão é edição especial em homenagem ao já falecifo ator Charlton Heston (conhecido principalmente pelo filme Ben-Hur), grande defensor do direito de ter e portar armas, que presidiu a NRA entre os anos 1998 e 2003. Charlton Heston também foi quem proferiu numa convenção da NRA no ano 2000 a frase "from my cold, dead hands" (no sentido de que só lhe tirariam as armas depois de morto), ou seja, "de minhas mãos frias e mortas".

Este é outro um artigo sobre mais um ícone americano no mundo das lâminas, e se você tiver a oportunidade de ter um canivete de qualidade feito nos EUA, CASE e BUCK são as marcas de melhor qualidade na atualidade. Até 2004, a SCHRADE também foi uma excelente marca, então, quem gosta de lâmina e tiver acesso ao canivete Schrade LB7 ou LB8, em bom estado de conservação, fabricado até 2004, não deve deixar passar.

Nelson L. De Faria.

15/02/2026

FX Airguns is excited to announce that we are establishing new U.S. headquarters in Orange County, California, marking a significant step forward in our long term
commitment to the American market.

The United States is one of our most important markets, and having a direct presence here allows us to be closer to our valued customers: listening, learning, and responding with intention. While FX Airguns will continue to be designed and manufactured in Sweden, where our heritage of engineering excellence and precision craftsmanship
defines everything we create, this move reinforces our dedication to continued
innovation and to creating not only the finest airguns in the world, but products
designed with purpose and precision.

As part of this expansion, FX Airguns will be working directly with our authorized
dealers, collaborating closely to support their growth and ensure their continued
success. We are also building a state of the art Official FX Service Center in the U.S. to better serve our customers. Our philosophy is simple: the level of service should match the experience of owning an FX product, from first shot through long term ownership.

We would like to extend our sincere thanks to Marksman Distribution and Utah Airguns, our longstanding partner and trusted friends, for the outstanding work they have done while we have been operating behind the scenes during this period of restructuring. Through their dedication, expertise, and passion for the sport, Utah Airguns has played a significant role in elevating the FX brand in the United States, expanding the
FX community, setting a high standard for service, and sharing an exceptional level of product knowledge with customers. They will continue to be a premier FX partner and dealer as we move forward together.

For additional information or general inquiries, customers, dealers, and partners are
invited to contact us at [email protected].

This new chapter represents more than expansion, it reflects our commitment to our global markets, our respect for our customers and dealers, and our dedication to
setting a new standard for performance, service, and partnership in the airgun
industry.

CANIVETE SCHRADE BEAR PAW - LB7 Nossa página dedica-se ao tiro de pressão, mas todo atirador precisa ter pelo menos uma ...
19/01/2026

CANIVETE SCHRADE BEAR PAW - LB7

Nossa página dedica-se ao tiro de pressão, mas todo atirador precisa ter pelo menos uma boa faca e um bom canivete.

Por isso, resolvi abordar um tipo de canivete muito utilizado por caçadores nos EUA, que o empregam para tirar o couro e de modo geral "limpar" suas caças.

Trata-se do canivete da marca SCHRADE modelo Bear Paw, com lâmina de 3,7" (94 mm) tipo "clip point", projetada para cortes precisos e perfuração. Fechado, ele mede 5" (127 mm).

Esse canivete foi inspirado no canivete da marca BUCK, modelo 110, um canivete icônico nos EUA, lançado em 1964. Mas, diferente do BUCK 110, o SCHRADE BEAR PAW tem a lâmina mais resistente, pois, emprega o mesmo tipo de aço e é mais grossa. Portanto, é um excelente canivete para atividades "mais pesadas" e para a caça.

O canivete SCHRADE + LTD (Made in USA) que apresento neste artigo foi personalizado pela NRA em 1993. O símbolo de adição (+) após a marca indica que é aço inoxidável, e LTD é a versão personalizada produzida em edição limitada do LB7. Trata-se do mesmo tipo de canivete, mas com acabamento diferenciado e quatro pinos nas talas do cabo, como a versão mais antiga do LB7. Resolvi escrever sobre ele porque, infelizmente, a marca não produz mais canivetes nos EUA, e os modelos mais recentes são feitos na China, com aço de qualidade inferior, apesar de manter a estética.

Acho interessante, a título de curiosidade daqueles que se interessam por lâminas (e também por economia e estratégia de negócios), conhecer como um produto de excelente qualidade, feito nos EUA, acabou sendo substituído por clone feito na China, apesar de manter a marca.

A Schrade decidiu vender seus canivetes através da rede WALMART, além das lojas de esportes e outdoor, dentre as quais encontravam-se várias lojas familiares de pequeno porte espalhadas pelo país.

À época, o preço ao consumidor variava entre 50 e 55 dólares a unidade. Mas, a rede Walmart, sob a condição de comprar em grande quantidade do fabricante propôs o valor de mercado a 45 dólares. Pouco tempo depois baixou para 40 dólares e assim a fabricante Schrade baixou ainda mais sua margem, apesar de manter o volume. Contudo, a rede Walmart (como toda grande rede varejista que promete os preços sempre mais baixos) forçou a Schrade a reduzir ainda mais os preços em função de um volume ainda maior, para que o preço ao consumidor baixasse para 38 dólares.

O erro estratégico dos executivos da Schrade fez com que os altos volumes fornecidos à rede Walmart, num cenário com aumento, principalmente no preço do aço, gerassem prejuízos. Assim, decidiram não fornecer mais à referida rede varejista e voltar a trabalhar com as lojas menores e lojas de esportes, com o objetivo de recuperar a margem de lucro.

No entanto, o produto perdeu valor de mercado, pois, o canivete que outrora era valorizado pelos clientes em seus 50 ou 55 dólares tornou-se um canivete de 38 ou até 35 dólares, ou seja, a marca não conseguiu mais manter sua margem e competir com preços semelhantes aos seus antigos concorrentes, BUCK e CASE. Dessa forma, a saída foi vender a empresa e a nova administração, decidiu em 2004 parar a fabricação e passou a importar da China, deixando de ser uma marca que fazia parte da elite de fabricantes de canivetes nos EUA para se tornar uma marca de produtos baratos "Made in China".

Hoje, o canivete SCHRADE modelo Bear Paw (LB7), feito na China é vendido nas lojas por preços entre 30 e 40 dólares, e o modelo antigo (Made in USA), quando encontrado em lojas de produtos antigos é vendido por preços entre 60 e 120 dólares, dependendo do estado de conservação.

E assim, na concentração de volume para um "varejista predador", uma grande marca de canivetes de alta qualidade tornou-se apenas uma importadora de produtos chineses.

Nelson L. De Faria.

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Na foto, o canivete SCHRADE + , BEAR PAW LTD (Edição especial do LB7), made in USA, com 4 pinos no cabo, edição 1993.

DISCRIÇÃO É TUDO Depois da minha postagem mais recente, recebi mais críticas no privado do que curtidas na publicação. H...
01/11/2025

DISCRIÇÃO É TUDO

Depois da minha postagem mais recente, recebi mais críticas no privado do que curtidas na publicação. Hahaha

Esclareço que esse texto não trata de direta ou indireta aos que comentam nas minhas postagens, mas aos que me enviam mensagem, às vezes desrespeitosas no privado.

Primeiramente, quero dizer que há duas décadas resolvi escrever para trazer algum conhecimento aos entusiastas do tiro e atiradores. O objetivo era trazer, dos EUA, informações que no Brasil, devido às restrições não eram acessíveis à maioria e levar algum conhecimento também para evitar que iniciantes caíssem nas mãos de picaretas.

Lamentavelmente, devido à aversão da maioria pela leitura, poucos se interessam pelo que escrevo. No entanto, como escrevo por hobby e não busco holofotes ou lucro com isso, não dou importância, senão pelo fato de lamentar a incapacidade da maioria em ler e interpretar textos.

Mas, voltanto às críticas e até às ofensas que sofro de vez em quando, tenho a dizer o seguinte:

Defensores da coroa com 11 graus, que pelas fotos de perfil mal pegaram numa arma de fogo, se é que um dia pegaram, vieram me questionar e até ofender por eu escrever que o tipo de coroa pouco importa para a precisão da arma. As críticas são tão parecidas que parecem ser combinadas ou instruídas por alguém.

Bom, o ponto é que ninguém é obrigado a me seguir, tampouco concordar com o que escrevo, mas a boa educação deve estar acima de qualquer discordância.

Além disso, atiro e me tornei instrutor de tiro a longo alcance bem antes de alguns desses "críticos de teclado formados pelo Google" terem nascido.

Além de instrutor de tiro, ministrando cursos que abordam a balística, sempre me dediquei ao tiro e às atividades de campo que envolvem a caça e técnicas de sobrevivência, e também fui competidor, mas parei de competir em 2014. Também trabalhei em indústria de armas, e nunca abandonei o tiro, e o fato de eu ter parado de competir não me tira o conhecimento. Também não adquiri conhecimento por ser melhor do que ninguém, mas por viver em ambiente que me propiciou contato com armas e estudos que muitos não têm acesso.

Sou instrutor de tiro pela NRA, com curso de 512 horas, cuja admissão exige boa base técnica em física e matemática, com certificado obtido em 1994, ou seja, antes de alguns que me criticam terem nascido e outros ainda serem crianças. Foi também nessa época que comecei a estudar balística e, como engenheiro projetista e professor de física (essa função já abandonei), mas ainda atuo como engenheiro, não escrevo por achismo ou por buscas na internet, mas por vivência.

Meu objetivo ao escrever, como já disse em outras ocasiões, é passar adiante um pouco do que aprendi NA PRÁTICA. Nunca transformei hobby em comércio, não comercializo armas de pressão nem acessórios, mas, se um dia vier a fazê-lo será com muita ética, sem ludibriar os leigos, e escrevo gratuitamente.

Então, aos críticos cujo conhecimento resume-se ao que buscam no Google e defendem que a coroa com ângulo de 11 graus torna a arma mais precisa, informo que esse tipo de coroa foi desenvolvido numa época de poucos recursos tecnológicos e se pensava que 11 graus era o ângulo de expansão dos gases na boca do cano da arma.

Ocorre que o ângulo de expansão dos gases varia muito segundo o calibre e a velocidade dos gases e do projétil. Após a popularização de câmeras que permitem gravar quadro a quadro a saída do projétil, foi possível verificar que o ângulo dos gases na boca do cano varia de 85 a 60 graus em relação ao plano vertical, ou seja, o vértice proposto de 79 graus em relação ao centro cano na coroa de 11 graus, na verdade varia entre 5 e 30 graus.

Mas, tudo bem, afinal cada um tem suas preferências e não tenho a mínima intenção de discutir gostos pessoais, mas, não me abstenho de dizer que comentários e preferências pessoais não têm qualquer fundamento científico.

Então, peço aos que criticam no privado a tecerem suas críticas e apresentarem evidências aqui, em público. Caso contrário, atirem com armas de vários calibres por alguns anos, façam seus experimentos e a partir da experiência deem suas opiniões.

Escrevo publicamente porque não vou perder tempo em discutir com cada um.

Isso posto, aprendam também a ser educados.

Atenciosamente,

Nelson L. De Faria

COROA DO CANO Fui solicitado a entrar e comentar sobre coroa do cano num grupo de armas de pressão do qual não participo...
26/10/2025

COROA DO CANO

Fui solicitado a entrar e comentar sobre coroa do cano num grupo de armas de pressão do qual não participo.

Como sempre, prefiro discorrer sobre o assunto nesta página, pois, não costumo participar de grupos de WhatsApp.

A pergunta que me fizeram é sobre qual tipo de coroa do cano é melhor.

Tendo atirado com armas longas de fogo central, fogo circular e armas de pressão, e convivido no mundo do tiro e da caça por mais de 30 anos, pude experimentar armas com diferentes tipos de coroas nos canos.

A verdade é que não há um tipo melhor ou mais eficiente quanto à precisão. Hoje em dia é comum os 'novatos' louvarem a coroa de 11 graus como a mais eficiente, mas isso é só influência da internet.

No mundo real do tiro de precisão observamos que muitos competidores utilizam armas com coroa cortada a 90 graus, que na realidade significa "cano sem coroa", e a precisão desses canos e atiradores é excelente.

A coroa com ângulo de 11 graus, segundo especulação, teria sido desenhada por teoricamente ser esse o ângulo que dissipa os gases mais uniformemente, no entanto, desde que o corte seja feito exatamente perpendicular ao furo do cano, qualquer ângulo trará o mesmo resultado.

Algumas literaturas mencionam que o ângulo de 11 graus foi estabelecido pelo exército americano, mas o armeiro e atirador Red Cornelison, que integra o "Benchrest Hall of Fame", dizia ser o criador da coroa de 11 graus. À título de curiosidade, Cornelison foi o primeiro a transformar o cartucho .22LR em .17, muito antes de esse calibre se tornar comercial.

Fato é que os canos são usinados com coroas de 11 graus ou rebaixos não só em função da precisão, mas também para proteção das raias na saída do cano, seja para proteger contra apoio do cano em veículos durante o transporte, batida acidental, mas principalmente contra impacto de cabos de hastes de limpeza.

Os fuzileiros navais americanos, por exemplo, adotam o cano com coroa rebaixada, conhecida como rebaixo profundo, que consiste de usinar a ponta do cano a 90 graus com um rebaixo que afasta as raias da parte externa do cano e assim protege mais.

Em resumo, o que realmente importa quanto à precisão é o corte da coroa ser muito bem alinhado e não deixar qualquer rebarba. No mais, o tipo de coroa do cano acaba sendo questão de preferência e estética.

Eu prefiro coroa de cano com rebaixo, mas alguns colegas preferem com 11 graus ou arredondada, principalmente para uso em campo.

Então, que cada um opte pelo que gostar mais, mas sem "brigar" por qual tipo é mais eficiente.

Atire para acertar!

Nelson L. De Faria

Nas ilustrações, coroas do tipo rebaixado, 11 graus e 45 graus.

RECUO EXPLICADO(Física) Já falamos sobre recuo nesta página, mas sempre há perguntas sobre como reduzir o recuo da arma....
05/10/2025

RECUO EXPLICADO
(Física)

Já falamos sobre recuo nesta página, mas sempre há perguntas sobre como reduzir o recuo da arma.

A resposta é muito simples e muitos atiradores esportivos já reduzem o recuo de suas armas pela única forma possível sem perder energia do projétil, que é aumentando o seu peso.

Então, o que posso explicar através da física, para quem se interessa, é como o recuo ocorre e porque aumentar o peso da arma é a única forma de reduzir a sua intensidade.

Mas, antes precisamos entender que há dois tipos de recuo:
1. O recuo em si, que movimenta a arma
2. O recuo sentido pelo atirador

O recuo sentido está contido no recuo (que movimenta a arma).

O recuo que movimenta a arma é o recuo que pode ser minimizado com o aumento do peso da arma.

O recuo sentido pelo atirador pode ser reduzido por meio de amortecedores, que absorvem o impacto da arma no ombro ou sobre mãos e braços do atirador, e facilitam a recuperação da visada em tiros de repetição e evitam que o atirador se machuque com armas muito potentes.

Amortecedores na coronha são comuns em espingardas 12 GA e fuzis como os de calibre .50 BMG.

Nesse caso, a força do recuo resultante do impulso é absorvida pelo amortecedor, que reduz a força sobre o atirador, que não sente ou sente muito pouco o "tranco". No entanto, amortecedores não impedem que a arma se movimente com o recuo, ou seja, o recuo continua existindo.

Mas, se a arma for pesada o bastante para reduzir a velocidade do recuo a zero, o recuo é anulado e a arma não se movimenta.

A física nos explica esse fenômeno pela terceira lei de Newton, que diz que "para toda ação há sempre uma reação oposta de igual intensidade".

Para simplificar o entendimento, a energia do projétil de uma arma de fogo ao deixar o cano é igual a energia do recuo da arma. O leigo pode imaginar que se a energia de recuo é proporcional à energia do projétil deixando o cano, o atirador será muito ferido ou morto pelo recuo.

Então, porque isso não acontece?

Vamos adotar o exemplo da seguinte arma:
Fuzil calibre .308
Massa do projétil: 165 grains (10,69 gramas ou 0,01069 kg)
Pólvora: 46 grains
Velocidade do projétil: 850 m/s
Energia do projétil: 3863 J ou Nm
Massa da arma e luneta: 5,4 kg

Observe que a massa do fuzil é aproximadamente 500 vezes maior do que a massa do projétil. É isso o que impede o atirador de ser morto pelo recuo.

Se não houvesse perda dos gases que aceleram o projétil, a velocidade de recuo seria 38,18 m/s. Com essa velocidade o impulso seria 202 Ns e a força do recuo seria suficiente para derrubar o atirador. No entanto, boa parte dos gases é direcionada para os lados quando o projétil deixa o cano e a parcela de gases que impuksiona (empurra) a arma para trás, na realidade, acaba sendo bem menor do que o impulso que lança o projétil.

Assim, para o exemplo dado, a velocidade calculada de recuo considerando as variáveis descritas, é de apenas 2,36 m/s.

Essa velocidade resulta em energia de recuo 15 Nm (Joules) e impulso de 12,73 Ns, que é facilmente assimilável pelo atirador, mesmo sem qualquer tipo de amortecedor na arma, bem diferente do calibre .50 BMG, por exemplo, que com 250 grains de pólvora, gera recuo com energia de 106 Joules e impulso de 56 Ns, mesmo com a arma pesando 15 kg, e por isso precisa ter amortecedor.

O impulso pelo tempo de recuo é o que define a força da arma sobre o atirador, que é o recuo sentido. O impulso é produto da massa pela velocidade. Mas, ao aumentarmos a massa, a velocidade diminui e assim também o impulso. Por isso, armas mais pesadas recuam menos.

O entendimento da física é que a arma mais pesada tem mais massa, assim a velocidade de recuo é menor. Sendo o impulso produto da massa pela velocidade (I = kg . m/s), com velocidade menor, o impulso também é menor. No entanto, há a força do recuo que, em armas longas, nos faz sentir o ombro quando o recuo é muito forte. A força é resultado do impulso dividido pelo seu tempo de atuação (F = I/t). O tempo de atuação é muito pequeno (centésimos de segundo) por isso i recuo sentido com certos calibres pode ser bem forte.

Em armas mais pesadas a velocidade é menor e, portanto, o tempo de atuação é maior. O impulso dividido pelo tempo maior resulta em força menor. Se o peso for o suficiente para reduzir a velocidade de recuo próxima a zero, praticamebte não haverá recuo.

Esse é um dos motivos para as armas de precisão serem equipadas com coronhas ou chassis bem mais pesado. As melhores coronhas ou chassis para tiro de precisão não são apenas pesadas, eles têm a massa bem distribuída para também melhorar o equilíbrio e permitir que o movimento da arma eleve ao mínimo o cano da arma, mesmo sem o uso de muzzle brake, ou seja, a arma se movimenta em linha reta, sem oscilar nos sentidos vertical e lateral.

A função do muzzle brake, que deve ter aberturas apenas nas laterais e na parte superior, com a parte de baixo fechada, é contribuir para aumentar a dissipação dos gases, conforme mencionado acima, e direcionar o cano para baixo, reduzindo a sua elevação.

No caso de armas de pressão springer, a energia do projétil e a atuação do ar são muito pequenas para causar recuo, então, nesse tipo de arma de pressão o recuo é causado pela ação da mola ou do gas ram, mas, os demais conceitos sobre o recuo são os mesmos das armas de fogo. Apenas o avanço é diferente e resulta de o pistão empurrar a arma ao comprimir o ar. Devido ao avanço é que dizemos "recuo duplo", mas na realidade o recuo empurra a arma para trás e o avanço a empurra para frente.

Como recuo e avanço são reações à força aplicada pela mola sobre o pistão, o projeto mais adequado de volume da câmara, curso do pistão, força da mola e diâmetro do transfer port determina se a springer terá recuo mais forte ou mais fraco.
Como exemplo, apenas um dos fatores consistindo de transfer port estreito e mola muito forte para o volume de ar, aumenta consideravelmente o recuo, sem aumentar a eficiência, por isso, ao projetarmos ou fazermos modificações em armas de pressão precisamos calcular as variáveis considerando massa, pressão e fluxo de ar para obtermos o melhor ponto de equilíbrio.
Lembrando: Não existe engenharia sem cálculo.

Atire para acertar!

Nelson L. De Faria

FORÇA DA MOLA x VOLUME DA CÂMARA Fui perguntado sobre a necessidade de mola ou gas ram mais "forte" para cilindros com c...
27/09/2025

FORÇA DA MOLA x VOLUME DA CÂMARA

Fui perguntado sobre a necessidade de mola ou gas ram mais "forte" para cilindros com câmara de compressão maior.

A pergunta "se para câmara de maior volume a mola ou gas ram precisa ser mais forte" não tem resposta simples, pois, há outras variáveis que tentarei explicar.

É verdade que mais volume na câmara e mola mais forte produzem mais energia dentro do cilindro. No entanto, essa energia demanda boa vazão para ter eficiência.

A vazão depende do diâmetro do "transfer port" (duto de transferência).

A energia no interior das armas de pressão resulta da pressão volumétrica, ou seja, no caso das 'springers', quanto maior o volume da câmara, maior a energia dentro dela pela atuação da mola.

Como a pressão é resultado da força aplicada sobre a área, uma mola mais forte atuando sobre um pistão de diâmetro menor, resulta em mais pressão.
Se não se tratasse de PRESSÃO VOLUMÉTRICA, uma arma de pressão com ciindro de menor diâmetro teria mais energia. Mas, NÃO é assim, pois, a pressão é volumétrica e não de superfície.

O pistão tem um curso a percorrer, e esse curso multiplicado pela área da bucha (que é a mesma do cilindro) nos dá o volume da câmara.

Então, um cilindro de diâmetro pequeno demanda um curso mais longo do pistão para ter volume aceitável, mas isso não é viável, pois, a mola ou o gas ram teria que ser mais longo e a arma também se tornaria mais longa.

Por esse motivo os projetistas optam por cilindro de maior diâmetro nas springers magnum.

O ponto é que se o transfer port tiver diâmetro pequeno para o volume da câmara, ele obstrui a passagem do ar comprimido pelo pistão e, nesse caso, a mola ou gas ram mais forte produzirá mais energia dentro do cilindro, mas essa energia sendo bloqueada pelo transfer port, resulta em bloqueio do curso do pistão, ou seja, a mola ou o gas ram não atuam com todo o seu curso útil até o projétil sair do cano. Isso resulta em rebatimento e recuo maior, mas sem ganho de eficiência para a arma.

Então, a "força" da mola ou do gas ram deve ser compatível com a vazão de ar que o transfer port permite. Por esse motivo, springer magnum calibre 5,5 mm é mais eficiente do que springer magnum 4,5 mm, por exemplo, desde que seu transfer port tenha diâmetro maior.

Assim, a resposta à pergunta é:

Usar mola ou gas ram mais forte somente porque a câmara tem maior volume não assegura que a arma será mais eficiente se o diâmetro do transfer port não for suficiente para dar vazão adequada ao ar comprimido na câmara, e o diâmetro do transfer port é limitado pelo calibre da arma de pressão.

Portanto, mola ou gas ram de força excessiva para o conjunto somente aumenta o efeito de rebatimento e o recuo da arma. É preciso buscar o equilíbrio entre mola ou gas ram, volume da câmara e diâmetro do transfer port. Naturalmente o comprimento do cano também é importante para o aproveitamento do volume de ar liberado.

Atire para acertar!

Nelson L. De Faria

ESTABILIDADE GIROSCÓPICA SIMPLIFICADA Se você é leigo em física e balística, mas dirige carros, deixo uma dica fácil par...
10/08/2025

ESTABILIDADE GIROSCÓPICA SIMPLIFICADA

Se você é leigo em física e balística, mas dirige carros, deixo uma dica fácil para entender a estabilidade giroscópica e a vibração harmônica do cano.

Sabemos que esses dois fenômenos interferem diretamente na precisão da arma e são o que nos leva a buscar projéteis mais adequados e fazer ajustes nas armas, que em muitos casos, não alcançam o desempenho desejado.

Se você dirige, é bem provável que tenha observado casos em que devido a problemas no balanceamento das rodas, o veículo trepide a 90 km/h, por exemplo, mas pare de trepidar ao chegar a 100 km/h, assim como o veículo somente trepide aos 120 km/h. Esses são exemplos aleatórios, mas é basicamente o que ocorre com o projétil das armas devido à estabilidade giroscópica, ou seja, o projétil pode variar a certas velocidades e estabilizar em outras. O ponto é descobrir a velicidade adequada, ou o projétil adequado à velicidade e energia desejadas .

Por isso, é preciso que a arma esteja ajustada na velocidade mais compatível com o projétil, segundo seu peso e comprimento, que devem se adaptar ao passo das raias.

A vibração harmônica do cano também tem efeito parecido e a relação velocidade x peso do projétil causa oscilações diferentes. Nesse caso, é possível minimizar a vibração por meio de dispositivos ajustáveis, como air stripper ou muzzle brake, desde que a arma permita a instalação.

Então, em linguagem simples, é basicamente isso que o atirador precisa saber.

Atire para acertar!

Nelson L. De Faria.

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