30/08/2026
“Viver o sexto ano é contraditório. Ao mesmo tempo em que sinto ter passado por muito mais do que seria possível em apenas seis anos, consigo me lembrar das primeiras vezes com uma facilidade absurda.
E, dentre todas as despedidas dessa amada faculdade, a do basquete é a que mais me comove. Aqui, a dualidade do adeus é ainda mais evidente. O frio na barriga do primeiro treino como caloura continua nítido; de repente, ele se transformou no último ano, na última competição, nas últimas vezes. E talvez seja isso que torne essa despedida tão difícil: ela me faz lembrar exatamente de onde tudo começou.
Foi em quadra que construí uma parte importante de quem sou hoje. Descobri que alguns dias terminariam em lágrimas de frustração e outros em lágrimas de felicidade extrema — e que ambos fariam parte do caminho. Aprendi a lidar com as derrotas sem deixar de acreditar e a comemorar as vitórias sem esquecer de quem estava ao meu lado. Percebi que nenhuma conquista acontece sozinha.
E assim, cercada de boa companhia, conheci mulheres que me ensinaram sobre basquete, sobre amizade e sobre a vida. Vivi todo esse período ao lado de três companheiras que aprendi a admirar como atletas, como pessoas e como futuras médicas brilhantes. Crescemos muito juntas. E, como minha sorte não é pouca, ainda tive um técnico que me estendeu a mão não só como professor, mas como amigo. Pegou milhares de arremessos meus no Cobrão, nos dias bons e nos dias ruins, sempre acreditando em mim.
Sinto um orgulho sem igual de quem f**a. A vocês e às que passarão por aqui um dia: as derrotas mais difíceis e as vitórias mais emocionantes, no fim, acabaram exigindo as mesmas renúncias e os mesmos esforços. Tudo importa o tempo todo.
Viver o sexto ano é contraditório, realmente. Me despeço desse time com o coração apertado, mas tranquilo. É estranho encerrar um ciclo tão especial, mas é bonito perceber que ele termina exatamente como foi vivido. Intenso, verdadeiro e feliz.
Com amor,
Amandinha LXXI”